terça-feira, 18 de março de 2014

Insustentáveis e falidas ideologias humanas !!!


NÃO ACREDITO no ateísmo dos ateus. Não dou crédito às ideologias céticas. Não compartilho da dúvida de alguns intelectuais. Não me rendo às reflexões dos humanistas de ontem ou de nossos dias.

REPUDIO a descrença ateológica típica dos que creem somente na eternidade da matéria.

ABOMINO o ceticismo dos que se ufanam em seus estudos doutorais e que concluem que o Criador é uma criação das fantasias de algumas abobalhadas, ignorantes e desiludidas criaturas.

NEGO a utopia humanista de que o homem é essencialmente bom. E que por isso ainda construirá a sociedade perfeita por si só. 

RECUSO-ME a cortejar o niilismo da tantos que concluem pelo imoral e infeliz veredicto nietzschiano de que "Deus está morto". Ou, igualmente a sandice marxista de que "a religião é o ópio do povo" e ainda, "a religião é o futuro de uma ilusão" como torpemente concluiu a mente freudiana.

TODAS as filosofias e ideologias concentram-se em seus próprios pressupostos para demandarem a resposta adequada ao drama humano. Otimismo e pessimismo em um trânsito ideológico pesado e contínuo, se alternam na avenida existencial da humanidade. O homem não sabe que direção tomar. E nunca descobrirá para onde ir pois todo o pensamento humano acerca de sua origem, condição presente e o seu futuro, é incompleto em si mesmo e insatisfatório. Nenhuma resposta há, nenhuma direção segura para onde possa o homem ir, nenhuma ajuda substancial oriunda das ideologias e filosofias humanas.

SOMENTE o que vem de fora do homem, que lhe é externo, que está para além dele mesmo satisfará sua sede de conhecimento: sua origem, sua vida no que concerne a era presente e seu porvir.

SOMENTE o que for REVELADO. E esta revelação está disponível a todo o que quiser: A Bíblia Sagrada.

REPELEM os assim chamados ateus, céticos, agnósticos, livres-pensadores de todo tipo e época histórica, qualquer referência e deferência às reivindicações cristãs. Dão as costas para a exclusividade de Jesus Cristo conforme Ele mesmo declarou no evangelho de João, 14.6: "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Acham mais plausível aceitar as reflexões e especulações humanas do que a revelação proposicional exarada nos 66 livros que compõem as Escrituras do Antigo e Novo Testamento.

DESTA FORMA eles ficam com aquilo que se constitui objeto de pura reflexão da mente humana. Preferem acreditar naquilo que é fruto de especulações vãs posto que firmadas somente no frágil, ambíguo e finito pensamento humano.

A TEOLOGIA, segundo H.C. Thiessen, partindo da crença da existência de Deus e da ideia de que Ele é a causa de todas as coisas, com exceção do pecado. Diferentemente, a Filosofia que chega às suas conclusões partindo da coisa dada e com a ideia de que é suficiente para explicar a existência de todas as outras coisas. Para os antigos filósofos gregos, esta coisa dada, ou poderíamos dizer,  a arché ou arqué (ἀρχή; origem), seria um princípio que deveria estar presente em todos os momentos da existência de todas as coisas; no início, no desenvolvimento e no fim de tudo, princípio pelo qual tudo vem a ser era ou a água (Tales de Mileto), ou o ar (Anaxímenes de Mileto), ou o fogo (Heráclito de Éfeso), ou átomos em movimento (Demócrito), ou números (Pitágoras). Para os filósofos modernos, é a natureza, ou a mente, ou a personalidade, ou a vida, ou alguma outra coisa.

A TEOLOGIA, ainda segundo Thiessen, não apenas parte da crença na existência de Deus, mas também afirma que Ele graciosamente Se revelou. A Filosofia nega estes fatos. Baseado na ideia de Deus e no estudo da revelação divina, as Escrituras do Antigo e Novo Testamento, todo cristão pode desenvolver sua reflexão a respeito do mundo e da vida. Em contrapartida, baseado na coisa dada e nos supostos poderes a ela inerentes, os pensadores humanistas desenvolverão suas especulações a respeito do mundo e da vida.

HÁ UMA DIFERENÇA fundamental nestas cosmovisões. Na cosmovisão teísta existe uma base sólida e objetiva, firmemente ancorada no Deus que se revelou proposicionalmente, ou seja, de forma escrita e inteligível. Na cosmovisão ateísta/naturalista o alicerce está nas suposições e especulações vãs do filósofo ou humanista. Não se pode comparar as ilusões e fantasias das especulações humanistas com a revelação do Deus que nos criou. Ele se revelou e declarou que sua revelação está disponível, podemos nos apropriar dela, podemos ler e reler tantas vezes quanto forem necessárias pois foi patrimônio, inicialmente dos israelitas, mas agora é de todos os filhos de Deus  (Dt 29.29; Jo 5.39). 

É INTEIRAMENTE insustentável o discurso ateísta/humanista/naturalista/materialista. De vãs esperanças se veste, mas a nudez é visível pois tal vestidura não são mais do que imundos farrapos.   

AO HOMEM que sinceramente deseja, o Senhor Deus amorosamente o convida a examinar Sua Revelação. Despojado de qualquer pensamento preconcebido. E ele perceberá a falência irreparável de todos as ideologias humanas diante da eterna e incomparável PALAVRA DE DEUS!

EM ASSIM fazendo, Cristo Jesus vai se apresentar como a razão de ser da vida humana em Sua encarnação, vida, paixão, morte, sepultamento e ressurreição.

CONCLAMO POIS você que ampara-se em frágeis referenciais ideológicos humanos. Examine o Evangelho de Jesus Cristo, examine a Bíblia, detenha-se nos pressupostos cristãos.

O SENHOR DEUS o convida a assim fazer. Pense nisso.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Corrupção e mundanismo crescentes e os cuidados do cristão

"A porca lavada voltou a revolver-se na lama".
2 Pedro 2.22 - NVI 

A PALAVRA DE DEUS não faz por menos em nos recomendar cautela e vigilância em nossa carreira cristã. Assolados somos de todos os lados e maneiras para que desistamos de nossa santa vocação. O intuito de Satanás é um só: Fazer os crentes “voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido” (2Pe 2.21b - NVI).


UMA DAS FORMAS mais eficientes dos ataques do inferno constitui-se em fazer com que os cristãos se comprometam com os valores deste mundo. É por isso que o apóstolo Paulo, servindo-se da figura de um militar, escrevendo a Timóteo, diz: “Suposta comigo os meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou” (2Tm 2.3,4). O soldado de Cristo que se deixa envolver pelos “negócios da vida civil”, ou seja, o mundanismo, não poderá agradar ao que O alistou, ou seja, Cristo!

O SENHOR DESEJA que cada filho seu seja criterioso em tudo o que faz e também em tudo o pensa e fala. O Senhor deseja que vivamos de forma irrepreensível. O Senhor deseja que tenhamos muito cuidado com os relacionamentos interpessoais, pois eles podem sim, nos conduzir para o enfraquecimento e até mesmo o desvio da verdade bíblica. O nosso relacionamento com o Senhor é exclusivo, nossa lealdade com Ele é inegociável. Mas muitos de nós cedemos aos apelos não só do mundo mas também de nossa natureza decaída e traímos nosso compromisso com Jesus.

É FATO INCONTESTÁVEL que o mundanismo ou secularismo têm assumido proporções alarmantes no Ocidente. Na Europa, por exemplo, contemplamos uma regressão cada vez maior na quantidade de cristãos fiéis, comprometidos e fervorosos na verdade do Evangelho. Muitos sucumbiram aos valores seculares. A indiferença e frieza para com as coisas de Deus cresceram assustadoramente nos últimos anos. Vários fatores, políticos, filosóficos, econômicos e mesmo, religiosos poderiam ser apontados para este fenômeno. Mas creio que a causa principal se encontra mesmo no coração humano. Jesus Cristo declarou sem rodeios que do coração do ser humano procedem toda espécie de males (Mt 15.19,20; Mc 7.21-23). Posto isto, é natural supor que existe uma natural convergência entre o coração mau dos homens e o mundo mau, afetado pelo pecado, em que ele vive. Os valores mundanos são valores contrários aos valores de Deus assim como os valores humanos também se postam contrariamente aos valores divinos. Sendo assim, percebe-se uma corrupção galopante que quer arrastar a tudo e a todos para longe do Senhor e isto inclui naturalmente, os discípulos de Jesus.

E NESTA FÓRMULA ao qual me reportei acima, homens maus vivendo em um mundo afetado pela Queda, está estabelecido então o meio-ambiente perfeito para a atuação de Satanás e dos demônios, afinal, foi Jesus mesmo quem disse que o diabo era o “príncipe deste mundo” (Mt 9.34; 12.24; Mc 3.22; Lc 11.15; Jo 12.31; 14.30; 16.11; Ef 2.2), sendo assim, este ambiente mundano, hostil aos seguidores fiéis do Senhor Jesus, é uma arma poderosa que ele usa para nos demover do bom caminho do Evangelho. E para isso, o Inimigo não hesitará em usar outras pessoas, inclusive irmãos em Cristo mesmo, a fim de fazer com que deixemos o fervor ao Senhor e passemos a trilhar os caminhos escorregadios do mundano proceder.

O APÓSTOLO PAULO temeu pelos crentes em Corinto. Em sua segunda epístola, ele assim declara: “O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo” (11.3). Escrevia Paulo esta palavra referente aos crentes judaizantes, sobre aqueles que pregavam um Cristo diferente ao que Paulo mesmo lhes havia pregado. Este perigo tanto é real hoje como nos dias de Paulo, ou seja, o cristão ser afastado de uma fé pura na verdade simples do Evangelho. Também esta passagem pode ser aplicada ao cristão que lentamente vai deixando sua simplicidade em Cristo e opta por assimilar o modus vivendi bem como o modus operandi dos não-cristãos. Ao fazer assim, o crente vai em direção ao desastre espiritual completo que é a completa apostasia, o completo abandono da fé cristã. Também Paulo escreveu: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” (1Tm 4.1).

A CORRUPÇÃO E O MUNDANISMO continuarão até a vinda do Senhor. Em lugar algum do NT é relatado de que o mundo se converterá por meio do testemunho da Igreja de Cristo. Ao contrário, aumentará e muito as deletérias influências do secularismo na presente sociedade. A incredulidade, o ateísmo, as filosofias hostis à fé cristã, “os clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência” (1Tm 6.20b) terão um incremento ainda maior. Mas também o Senhor continuará agindo por meio de Sua Igreja e salvando a tantos quantos ouvirem a Palavra do Evangelho.

O QUE FAZER, PORTANTO? Creio que os cuidados que devemos ter partem do básico e essencial, ou seja, o cultivo de uma relação pessoal sincera e salutar com Cristo Jesus, por meio da Palavra de Deus e do Espírito Santo. Também creio num processo de formação espiritual, formação esta que enfatiza sobremaneira a vida devocional e as disciplinas espirituais (meditação, oração, jejum, estudo, simplicidade, solitude, submissão, serviço, confissão, adoração, orientação, celebração). Tudo isto significa andar mais perto de Jesus, significa adquirir o necessário discernimento, e o livramento de cairmos na tentação com a qual o mundo de contínuo nos assola. Estas tentações encontram lugar de entrada através de nossos sentidos. Portanto, devemos educar estes sentidos em direção a Cristo e Sua Palavra através das disciplinas espirituais para que estejamos firmes e constantes em obediência a tudo o que o Senhor nos ordenou.

QUANDO O APÓSTOLO JOÃO escreveu: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1Jo 2.15,16), ele exatamente denunciou o que seria o sistema do mundo aos olhos do Pai. Mundo nesta passagem, em grego KOSMOS trata-se do sistema de valores alienado de Deus e que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele. Assim é que o Senhor nos declara que “a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens” (Nova Versão Internacional), “a cobiça humana, os maus desejos dos nossos olhos e a arrogância da vida” (Bíblia Paratodos) e ainda “os maus desejos da natureza humana, os maus desejos dos olhos, a ambição pelas coisas desta vida” (Nova Bíblia Viva), tudo isto não pertence a Ele, mas pertence ao mundo, é próprio de um mundo alienado de Deus, mas, continua o apóstolo: E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 2.17).

VERDADE É QUE O MUNDO inteiro jaz no maligno (1Jo 5.19). Este é o momento presente, atual, onde parece que tudo vai de mal a pior. Mas a verdade final é que o Senhor Jesus está conquistando tudo para Si mesmo. Em verdade, Ele já reina sobre tudo e sobre todos por causa de Sua morte e ressurreição: Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja” (Ef 1.20-22). E chegará o grande dia quando Ele tiver aniquilado todas as potestades da maldade, quando houver aniquilado a morte e Deus será finalmente tudo sobre todos (1Co 15.24-28). Este dia se aproxima e não tarda Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém” (Ap 1.7).

SEJAMOS TODOS NÓS, SERVOS FIÉIS DE CRISTO vigilantes e zelosos em servi-Lo conforme a Palavra de Deus requer, e não conforme achamos que deve ser. Nesses dias há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo, o futuro deles será a perdição eterna, pois seu deus é o apetite pelas coisas desta vida (Fp 3.18,19). Escapemos do modo de viver mundano: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2).


QUE TODOS NÓS, POIS que fomos salvos pelo Senhor pensemos seriamente sobre tudo isso. Que o Senhor ricamente nos abençoe e nos guarde da corrupção do mundo e do pecado.


Nota: Acerca das disciplinas para o crescimento cristão, aconselho o livro, Celebração da Disciplina de Richard Foster (Vida) e também os livros de Dallas Willard, um autor que trabalha muito bem a questão da formação espiritual incluindo aí as disciplinas espirituais que ajudam nesta formação em Cristo.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Cuidados no crescimento em Cristo neste tempo de engano

GOSTARIA DE INICIAR esta primeira reflexão de 2014 falando sobre a importância crucial que é para todo cristão sobre seu crescimento e formação espiritual. Existe uma necessidade hoje, como nunca antes nestes dois mil anos de história da Igreja cristã, de adquirirmos conhecimento sobre a Pessoa bendita de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E ressaltando que conhecer a Cristo equivale, por extensão, conhecer as Escrituras, pois Jesus é o Verbo Eterno de Deus que se fez carne (Jo 1.1,2,14). 


O APÓSTOLO PEDRO solenemente nos adverte em sua segunda epístola sobre o engano que seria proporcionado pelos falsos mestres nestes tempos imediatamente anteriores à volta de Jesus Cristo (2Pe 2). Ele descreve com bastante argúcia e precisão sobre aqueles que estariam dentre os servos verdadeiros de Jesus Cristo com o intuito de pregar e praticar um falso evangelho. De igual maneira o apóstolo Paulo vai escrever, repudiando aqueles que pregavam outro evangelho (Gl 1.6-8) bem como adverte acerca dos ventos de doutrinas, astúcias e espertezas de homens que induziam ao erro (Ef 4.14 – NVI).

OBSERVO A MANEIRA como o Espírito Santo cuidou em  inspirar os apóstolos para que a Igreja nos dias de hoje pudesse estar segura por poder ter a possibilidade de trilhar caminhos seguros na fé em Jesus. Que outra maneira poderíamos ter em andar nos gloriosos caminhos de Cristo Jesus se não fosse pela revelação única e insubstituível das Escrituras?

PORTANTO QUERO AQUI denunciar todas as tentativas do inferno e de Satanás de privar os crentes do conhecimento bíblico. De incutir na mente de muitos cristãos a ideia infeliz de que o conhecimento não é necessário. De que conhecimento, cultivo do intelecto, estudo bíblicos e/ou estudos teológicos são irrelevantes. Denuncio esta ideologia como absolutamente falsa e diabólica.

O QUE É RESSALTADO quando se lê a segunda epístola ou carta de Pedro é a ênfase que ele concede a importância do conhecimento. Em torno de 16 vezes aparece a palavra “conhecimento” nos três capítulos desta curta epístola. Desta forma, podemos inferir que, o conhecimento da verdadeira doutrina é fundamental para a saúde espiritual do crente em Jesus. Satanás sabe disso, e procura desacreditar esta verdade, fazendo que se creia que estudar a Bíblia afetará a espiritualidade do cristão e, quando se trata da teologia, o diabo se esmera em caluniar os estudos teológicos, pois ele sabe que uma boa teologia gerará uma igreja cristã forte, firme na fé e marcantemente saudável espiritualmente.

O DESEJO PRIMORDIAL do Senhor é de que o conheçamos de forma crescente. Há um texto em Oséias que diz: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (6.3a). Outro texto que deveríamos considerar é o que está registrado em Jeremias 9.23-24: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.”

A TRINDADE ESTÁ PLENAMENTE envolvida em que o crente adquira o conhecimento das coisas espirituais. O Senhor Jesus Cristo em Sua oração sacerdotal, associou o possuir a vida eterna como equivalente a conhecer o Deus verdadeiro (Jo 17.3). O apóstolo Paulo declara em Efésios 4.13 que o Senhor almeja pela unidade de Seu povo, perfeita maturidade e pleno conhecimento do Filho de Deus. No Evangelho de João 14.26 está declarado por Jesus que o Espírito Santo seria enviado no nome dEle, Jesus, para ensinar todas as coisas aos apóstolos e, por extensão, a todos nós nos quais Ele verdadeiramente habita (1Jo 2.20,27; 1Co 3.16).

MAIS UMA VEZ quero denunciar com todas as letras os esquemas diabólicos para afastar a comunidade dos santos da aquisição do conhecimento. Julgam alguns na Igreja, erroneamente, que o devemos fazer enquanto servos que esperam a volta de seu Senhor, é somente cultivarmos a koinonia, a comunhão em grupos pequenos (adianto de que eu sou a favor dos grupos pequenos, principalmente em igrejas com grande número de membros). Para esses, o cultivo da comunhão equivaleria ao conhecimento de Cristo ou das Escrituras, o que não é verdade. E o diabo trabalha de tal forma que inibe em igrejas assim, que enfatizam os grupos pequenos, estudos bíblicos aprofundados e relevantes para que o crente saiba de fato a verdade das Escrituras. Outros aspectos do engano seriam ausência de cultos de genuíno e aprofundado ensino bíblico, ausência de uma escola bíblica (dominical ou não) com um currículo biblicamente relevante e com professores realmente gabaritados (não com professores meramente “esforçados”). Também se nota a tendência hoje no Brasil em muitas comunidades em transformarem o culto em um “show”. Isto ocorre por causa da influência desta mídia de massas e de entretenimento. Ora, se não há a busca do conhecimento bíblico verdadeiro com o conseqüente crescimento e formação espiritual, os crentes hodiernos facilmente serão presas das influências mundanas da mídia que é manipulada por Satanás justamente para fomentar o engano do povo, especialmente o povo de Deus.  

FINALIZO COM AS PALAVRAS de Provérbios: “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria e o homem que adquire conhecimento” (3.13). O homem que procede assim é feliz. Tanto a sabedoria como o conhecimento provém de Deus. Mas cabe ao homem buscá-las para por fim, encontrá-las. Ela terá o conhecimento, as informações que a Bíblia fornece porque Deus assim soberanamente revelou ao homem (Dt 29.29) e terá a sabedoria para saber viver em conformidade a este conhecimento adquirido. Sim, pois não falamos aqui de se adquirir o conhecimento pelo conhecimento, como uma finalidade em si mesma. Não terá valor algum nem para Deus nem para os homens. Pois o Senhor também concederá a sabedoria para usar o conhecimento de forma adequada e sensata (Tg 1.5).


ROGO POIS A TI que pense muito bem nisto tudo, para a glória maior do Deus Trino. Amém!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Reflexões no último entardecer de 2013

MAIS UM ANO que está findando. Para mim 2013 foi um ano de alegrias mescladas com decepções. Um ano onde percebi coisas que em mim não imaginava ser como foram e outras tais que me alegraram sobremodo. Mais em tudo o que podemos aproveitar, quer sejam alegres sentimentos ou sombrias constatações, em tudo, a nossa alma sai fortalecida de algum modo. Visto que temos como característica a ambigüidade em muitos matizes, devemos entender que a vida não nos dará, muitas vezes, o que desejamos como o de mais precioso. Sucumbimos aos efeitos deletérios do pecado herdado de Adão (Rm 5.12, 17-19). E para nós que servimos a Cristo, o que poderia ser mais desejável que estreitarmos ainda mais nossa relação com Ele? Mas não é isso que muitas vezes ocorre. Às vezes nos sobrevêm uma sucessão de altos e baixos em nossa vida espiritual, como ocorreu com os israelitas no tempo do livro de Juízes. O que caracterizou aquela geração foi exatamente sua inconstância. Essa inconstância tomou-me de assalto em muitos momentos deste ano. Eu tenho fé no Senhor de que em 2014 as coisas serão de outra maneira.

O ESPÍRITO SANTO proporciona àquele que permanece em Cristo, mesmo tendo em si tantas fraquezas, o fortalecimento para que ele persevere ainda mais. Toda alma que insiste, com a graça de Deus, em permanecer sob a direção do Espírito de Deus, é ainda mais agraciada para que não esmoreça, para que não desista, para que não pare em seu desenvolvimento espiritual. Quando Paulo disse aos Filipenses: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (1.6) estava implícita uma promessa de que o SENHOR jamais desistiria de algum de seus filhos. Em Deus ninguém fica para trás!

MINHAS RAZÕES são ainda mais fundamentadas quando contemplo a Palavra de Deus de forma panorâmica e consigo entender em parte (pois nunca conseguiremos fazê-lo inteiramente) o inigualável amor de Deus. O trato que Ele dispensou para com Israel, mesmo em face de inúmeros pecados, demonstra o quanto também Ele nos ama e têm enorme interesse em nos conduzir avante. Todos deveríamos saber que estamos aqui como peregrinos e forasteiros (1Pe 2.11) e que aqui não é nosso lugar de descanso (Mq 2.10). O SENHOR tem prometido nos preparar lugar para que estejamos com Ele para sempre, pois Ele prometeu vir nos buscar (Jo 14.3). Portanto, precisamos descansar em tais promessas. Elas demonstram o grande amor e cuidado que nosso Redentor e Mestre têm por cada um de nós que guardamos a Sua Palavra.

ISSO TUDO, por conseguinte é para mim uma verdadeira motivação para o ano que se iniciará dentro de algumas horas. Saber que o SENHOR me ama e deseja o meu bem, que Ele me confere seu perdão, sua restauração, seu cuidado, é por demais alentador. Por causa de minha natureza tendente ao erro, tenho muitas vezes desanimado, achando que o preço de seguir a Cristo é alto demais. Ora, Ele só pede que eu o siga, que renuncie a mim mesmo, que abandone tudo por amor a Ele. E cada dia mais eu tenho compreendido que fazer isto é sinônimo mesmo de felicidade, de verdadeiro bem-estar, isto em um mundo que glorifica o hedonismo como forma legítima de viver, encontro essa pérola no Evangelho: de que amá-Lo, fazendo o que é agradável a Seus olhos, me autentica como ser humano e suscita uma alegria e uma paz que o mundo não pode dar, muito menos compreender (Jo 14.27; 16.33).     

RECONHEÇO INTEIRAMENTE o quanto entristeci ao Espírito de Deus que habita em mim (1Co 6.19; Ef 4.30). Tenho plena consciência do que fiz no decorrer do ano que contribuiu para isso. Mas lembro igualmente o quanto o Consolador me falou ao coração, o quanto me atraiu com cordas de amor, para que eu pudesse novamente ter paz e estar em plena comunhão com Ele. Disso tenho grata lembrança e me alegro sobremaneira, embora até mesmo me envergonhe um pouco pela minha fraqueza, debilidade e rebeldia e recorrência na prática do pecado.

FINALIZO ESTA DERRADEIRA reflexão do ano olhando para trás, introspectivamente e compreendendo um pouco mais minha natureza rebelde e contrária aos desígnios divinos, como o apóstolo Paulo tão bem descreveu (Rm 7). Mas continuarei, perseverarei, tomarei posse ainda maior das promessas bíblicas, não deixarei jamais de olhar firmemente para Jesus, Autor e Consumador de minha fé (Hb 12.2). Sei que o justo não ficará prostrado, pois o SENHOR o sustém em Suas mãos (Sl 37.24). Por isso, findo o ano de 2013 e inicio o ano de 2014 plenamente confiante, apesar de saber quem eu sou e de saber também que Ele sabe muitíssimo bem quem sou eu. E é esse conhecimento dEle sobre mim que me dá paz, alegria e esperança renovada. O SENHOR é Justo, Fiel e Verdadeiro.  

O SALMO 145.18 assim diz: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.” É precisamente assim que viverei no ano de 2014, ainda mais invocando a Presença do SENHOR em minha vida, ainda mais me achegando a Ele, pois Sua proximidade de mim é promessa que inspira um viver mais santo e mais confiante, para que eu cresça e seja ainda mais semelhante a Jesus. Romanos 8.29 deixa clara a vontade de Deus neste sentido: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”


DESEJO DE TODO MEU CORAÇÃO um feliz 2014 e que o SENHOR também sobre ti continue Sua maravilhosa obra de moldar-lhe diariamente o caráter até aquele grande Dia do retorno de Jesus!  

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Pastores não são super-heróis ou, o mito da infalibilidade pastoral

SOMOS DE UMA CULTURA que ama ter e cultivar seus heróis. Creio que isso se deve à influência da cultura de massas que caracteriza nosso tempo resultante da hipervalorização da mídia. Os Estados Unidos protagonizam quase tudo o que se refere à indústria cultural. E também, fenômenos variados que são notícia recorrente em nosso tempo. Para nós cristãos evangélicos brasileiros, muitas coisas que acontecem lá repercutem fortemente aqui. Principalmente em assuntos que se reportam à Igreja de Jesus. É inegável a influência estadunidense. Até mesmo no tocante às muitas seitas pseudo-cristãs (Mormonismo, Testemunhas-de-Jeová, Ciência Cristã,  e mais recentemente, a Teologia da Prosperidade), bem como o fenômeno das mega-igrejas, todas são originárias da terra de Tio Sam.

POR ISSO É QUE estarrece, choca e assusta, a notícia que li nesta manhã em um determinado site de notícias cristãs acerca do suicídio de três pastores evangélicos norte-americanos. É isso mesmo que você acabou de ler. Três pastores se suicidaram. Deram cabo da própria existência. Se auto-extinguiram.

OS PASTORES são os seguintes: Teddy Parker Jr, 42 anos, da Igreja Batista Bibb Mount Zion, na Geórgia que tirou a própria vida com um tiro na cabeça,  Eddy Montgomery, da Assembleia Internacional do Evangelho Pleno, cometeu suicídio também com arma de fogo e isto na frente de sua mãe e de seu filho, sendo que este pastor estava de luto pela morte de sua esposa e Isaac Hunter, ex-pastor da igreja Summit em Orlando, Flórida, não se sabe ainda como teria cometido suicídio.

POR ESTA RAZÃO é que iniciei este texto argumentando sobre ter e cultivar heróis próprio de nossa cultura massificada. Os heróis em questão seriam os pastores. Por que afirmo isto? Porque certamente eles deveriam sofrer tensões de todo tipo, principalmente aquela em que acreditavam de que deveriam passar a imagem de inatingíveis pelos problemas do comum dos mortais, de homens de Deus que pairam vitoriosamente acima de toda a problemática existencial humana, seriam eles os que teriam as soluções perfeitas para todo e qualquer desajuste na vida das ovelhas de sua igreja ou de qualquer pessoa que lhes pedissem ajuda. Ora, certamente que, pastorear ou ministrar para preencher as expectativas das pessoas é algo humanamente insustentável. Mas eles devem ter prosseguido, não atentando para suas próprias e inegáveis fragilidades e entrando de corpo e alma no jogo do Inimigo de usar algo excelente e estabelecido por Deus como o ministério pastoral (1Tm 3.1-7) para derrubar aqueles que foram capacitados pelo Senhor para conduzir a Seu rebanho.

OS PROBLEMAS HUMANOS são muitas das vezes, complexos em sua essência. Ninguém consegue carregar o fardo de situações-limite em sua própria vida: morte em família, acidentes graves, separações conjugais, desemprego, etc. Para isso, o pastor deve ter a consciência de que deveria idealmente, ter alguém a quem prestar contas regularmente. Poderia ser outro pastor, quem sabe já jubilado de suas funções ministeriais, ou, algum outro que se notabilizasse por seu equilíbrio, sua profunda comunhão com Jesus, seus dons inegáveis  a serviço do Reino. 

NÃO TIVE ACESSO obviamente às particularidades de vida e ministério de cada um desses servos de Deus. Minha reflexão se baseia nas poucas observações ao redor. Não estou julgando aos mesmos pois, assim como eu mesmo, eles têm o mesmo Juiz competente e Todo-Poderoso para julgar as motivações do coração conforme Jr 17.10: "Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações." Os pastores não podem continuar, muitos deles, eu diria mais, inúmeros deles, a acharem que estão acima das situações que todo ser humano está sujeito, passando a imagem de que estão acima do bem e do mal, tendo conselhos prontos e respostas aceitáveis para toda indagação de quem deles precisarem. E quanto a eles, quantas indagações, quantas frustrações, quantas tentações têm rondado suas vidas e eles posando (e isto demonstra por si só sua inerente fraqueza) de super e infalíveis heróis?

EXISTEM MUITAS ESTATÍSTICAS e pesquisas acerca de como os pastores enfrentam problemas tais como depressão, esgotamento físico e mental e outros. O Instituto Schaeffer divulgou estudo em que se constatou que 70% dos pastores lutam continuamente com a depressão, 71% deles encontram-se esgotados emocional e fisicamente e, incluso está o fato de que 72% dos pastores afirmam que só se dedicam ao estudo das Escrituras apenas quando precisam preparar sermões, 80% acreditam que o ministério pastoral têm afetado negativamente suas vidas e famílias e 70% confessam não ter um amigo verdadeiro e sincero ao qual possam recorrer nos momentos críticos.   

DIANTE DESSES NÚMEROS estarrecedores, é preciso que se denuncie o mito da infalibilidade pastoral com toda veemência visando uma tomada de decisão destes servos de Deus para serem transparentes e sinceros consigo mesmos, com suas famílias, com suas congregações e, principalmente, com Aquele que lhes chamou e capacitou. 

CHARLES JEFFERSON em sua obra clássica The Minister as Shepherd alista as sete funções básicas de um pastor genuíno, são elas: 1- Amar as ovelhas; 2- Alimentar as ovelhas; 3- Resgatar as ovelhas; 4- Cuidar das ovelhas e consolá-las; 5- Guiar as ovelhas; 6- Guardar e proteger as ovelhas; 7- Vigiar as ovelhas. Todas elas são funções importantes em si mesmas, porém as duas últimas a guarda e a vigilância podem ter um peso maior de responsabilidade. A vigilância pastoral refere-se à guarda e proteção do rebanho do massacre espiritual que pode ser evitado, ou seja, perigos espirituais tais como pecado, falsos ensinos e falsos mestres. Esta é função de uma sentinela (Lc 2.8; At 20.28,29; 1Pe 5.2,3). O pastor verdadeiro vai priorizar ao máximo à segurança do rebanho de Cristo. Mas a pergunta inevitável é: Quem vai cuidar dos pastores? Se eles se esgotarem, apresentarem problemas vários, com quem poderão contar no Corpo de Cristo para ministrarem aos seus próprios problemas?

SÃO VÁRIAS AS RAZÕES que levam uma pessoa a cometer suicídio. Os pastores citados não estavam de forma alguma livres de problemas que afetam a todos nós. Infelizmente, não se sabe se em algum momento procuraram ajuda ou se preferiram internalizar seus próprios problemas de forma permanente e isto acabou arrastando-os ao ato extremo. Satanás obviamente trabalhou em todas estas situações cooperando para afundar os servos de Deus no desespero existencial. É notório que a Bíblia deixa clara a atividade demoníaca em nossas vidas, procurando brechas onde possa encastelar-se para dali desferir um ataque mortal (2Co 2.10,11; 1Pe 5.8) e temo de que foi precisamente isto que sucedeu com os três pastores. Em meio a situações de extremo stress, pressões do trabalho pastoral, expectativas a serem cumpridas, pressão por resultados, problemas conjugais ou outros, muitos pastores podem estar exatamente neste instante em meio a uma tempestade existencial no qual também poderão ser tragados. O que fazer diante disso?   

ACREDITO DE TODO CORAÇÃO que uma Igreja unida plenamente a seu Cabeça, Jesus Cristo, onde ocorre o seguinte: "Do qual corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor" (Ef 4.16), ou seja, o pastor também é parte do Corpo, e contribui para o aperfeiçoamento e edificação do mesmo (Ef 4.12), apesar disto, ele não está numa posição central e destacada como se não precisasse do auxílio dos outros, mas precisa ter o discernimento necessário para se aperceber de que a vontade de Deus é que no Corpo de Cristo, a Igreja, os membros cuidem uns dos outros e isto inclui sim o próprio pastor. Ainda na Epístola de Paulo aos Efésios, é dito que pastor é um dom ministerial (Ef 4.11). Não se está afirmando em lugar algum da Bíblia que seja um super-dom, por exemplo, no sentido de que, se alguém o recebe de Deus, estará automaticamente imune aos problemas de todos os "meros mortais" ou que seja infalível em tudo que faz ou fala como pastor que é. Um pastor não têm de fingir que não possui problemas. Todos eles são bem humanos em sua essência, mesmo que tenham uma pregação abençoada, um ensino profundo, sejam grandes conselheiros, sejam dotados de muitos outros dons e capacidades espirituais. Tanto o apóstolo Pedro como o apóstolo Paulo eram pastores e sujeitos estavam a muitas fraquezas. Paulo mesmo disse que dependia da graça de Deus sobre sua vida (2Co 12.1-10) e foi assim que ele viveu e ministrou, pleno em fraquezas (2Co 11.23-33) mas cheio do Espírito de Deus. Além de tudo, ele estimava muito a amizade de seus companheiros de ministério bem como dos demais membros das igrejas por onde passava, prova disso são suas palavras de despedida ao final de quase todas suas epístolas onde cita nominalmente alguns desses companheiros e irmãos e percebemos o amor e a afetuosidade de Paulo por todos eles (Rm 16; 1Co 16; Cl 4; 2Tm 4; Tt 3; Fm).  

EU CONCLAMO A TODOS, pastores e não-pastores como eu mesmo, para que reflitamos uma vez mais nas palavras de Paulo que estão registradas em 2Co 6.3-10: "Não dando nós escândalo em coisa alguma para que o nosso ministério não seja censurado; antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo." 

NOSSO TEMPO PRESENTE têm testemunhado a queda de muitos pastores. Os pastores que se suicidaram nos EUA nestes últimos trinta dias, infelizmente, mancharam seus nomes e sua memória ao cometerem o desatino do homicídio contra si mesmos. Creio firmemente no poder da autoridade que possui a Palavra de Deus, poderosa em si mesma para conduzir o pastor em sua jornada terrenal, até encontrar naquele grande Dia ao Sumo Pastor, Jesus Cristo. Creio que é possível uma igreja local que seja apegada à Palavra de Deus e tenha entre seus membros, pessoas capacitadas pelo Espírito Santo que, em amor, podem sim ministrar sobre a vida de seu pastor ou pastores. Creio que os recursos para a solução dos problemas que acometem as vidas dos crentes em Cristo e particularmente aqueles que foram chamados para exercer o ministério pastoral, estão todos na Bíblia em seus 66 livros que nos foram outorgados conforme as palavras inspiradas de Pedro: "Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelos quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo" (2Pe 1.3,4). Notemos que o texto diz que DEUS nos deu TUDO o que DIZ RESPEITO À VIDA E PIEDADE por meio do CONHECIMENTO daquele que nos chamou e que ELE NOS TEM DADO GRANDÍSSIMAS E PRECIOSAS PROMESSAS e assim sejamos participantes de SUA NATUREZA DIVINA E ASSIM ESCAPARMOS DA CORRUPÇÃO que há no mundo. TUDO ISTO ESTÁ DISPONÍVEL SOMENTE PELA PALAVRA DE DEUS, A BÍBLIA SAGRADA!

APEGUEMO-NOS POIS firmemente aos mandamentos e às promessas das Escrituras. Os pastores não são super-heróis, é mentira diabólica se imaginarem infalíveis. Não são auto-suficientes e estão carregados de fraquezas como todos os demais. Urge nestes dias pastores fiéis sim, humildes, capacitados espiritual e intelectualmente sim, mas reconhecedores de sua inerente humanidade e fraqueza. É de pastores assim, onde possa repousar a graça de Deus ao qual Paulo se referiu (2Co 12.1-10) de que a Igreja do Senhor precisa.

AMADOS PASTORES, não continuem a  cultivar a imagem de heróis ou auto-suficientes. Reconsiderem sua fraqueza e humanidade. Sejam sábios e humildes em suas vidas e em seus ministérios. Procurem os vasos de Deus que Ele pode levantar para lhes ajudarem, se for o caso. 

VOS CONCLAMO POIS em o nome do Senhor Jesus a que pensem nisso....... 


  















domingo, 8 de dezembro de 2013

A possibilidade da graça divina no ser e no ter

É NORMAL QUE VIVAMOS de forma desequilibrada a vida cristã? Não seria possível vivermos de uma maneira equilibrada como a Palavra de Deus alerta e exorta que deveríamos viver? Será que sempre teremos um movimento de pêndulo, movendo-nos para cá e para lá ao sabor dos ventos de nossa natureza carnal e dos apelos mundanos e tendo como pano-de-fundo as sutilezas do maioral dos demônios?

SABEMOS QUE A VIDA cristã é uma vida de renúncia e resignação. Mas em nossa presente sociedade onde se valoriza maiormente o capital, o apelo para o consumismo é sobremodo grande. O apelo do TER é muito maior do que o SER.

PARA O CRENTE EM JESUS existe algo que sobrepassa os apelos da modernidade e permite que vivamos em comunhão com Ele na medida que permitirmos o operar do Espírito Santo em nós. Eu me refiro à GRAÇA DE DEUS. Somente a graça do Eterno nos garantirá uma vida santa neste mundo pecador. Os apelos da carne e as tentações mundanas aliadas dos ardis do diabo são presença constante em nossa caminhada neste mundo. Precisamos demais da ajuda forte de nosso Senhor. 

NÃO SE CONSTITUI EM PECADO termos o desejo de adquirir bens. Sejam eles bens materiais ou intelectuais, aumentar nosso patrimônio nessa vida, não é em si ilícito. O limite desta questão, todavia, foi bem caracterizado pelo Senhor Jesus: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntais tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" (Mt 6.19,20). É necessário pois que o cristão não se deixe encantar pela abundância de bens que possua: "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12.15).

OLHANDO DE UMA perspectiva bíblica e equilibrada, que produzirá saúde espiritual para quem assim proceder, o cuidado com a avareza nunca será demais frisar. O grande mal de uma sociedade que valoriza o consumismo e o capital, está justamente na cobiça natural do homem decaído.

UM OUTRO ÂNGULO de toda esta questão está no desejo de sermos alguém. De conseguirmos sucesso na vida em nossa profissão. Bem ligado a isto estaria o sucesso intelectual. Diplomas, lauréis, títulos acadêmicos. Queremos, e isto é algo muito natural, sermos reconhecidos. Alcançar a máxima distinção na vida. Ser alvo de admiração da parte de muitos.

TODAVIA, NECESSÁRIO SE FAZ que atentemos novamente para o que dizem as Escrituras. O apóstolo João em sua primeira epístola escreve sobre "a soberba da vida" (1Jo 2.16). "O orgulho pelas coisas da vida" (NTLH) ou, "a ambição pelas coisas desta vida" (NBV), o "parecer importante" (Bíblia A Mensagem), "a ostentação dos bens" (NVI) tudo isto nestas versões bíblicas corroboram também o texto de Tiago 4.4: "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se em inimigo de Deus." 

O EQUILÍBRIO QUE SE ALMEJA está justamente no meio-termo. Neste quesito sobre o "ser", de igual maneira. Assim como refleti no tocante ao "ter", o cristão deverá compreender de que mal nenhum há em desejar sucesso nos estudos ou em sua profissão. Isto inclusive honrará a Deus, na medida em que o crente compreende de que tanto o crescimento intelectual, como profissional podem ser fatores que ajudarão em seu testemunho cristão no mundo. O que Deus espera de Seus filhos é de que eles sejam sábios e não alimentem quaisquer soberba, orgulho, ambição, aparências e ostentações que o farão infrutíferos na vida piedosa, por mais admirados e festejados que sejam pelas pessoas do mundo. 

NÃO É DE HOJE de que aqui em nosso país, a fé cristã evangélica possui uma faceta maligna tanto no tocante ao "ser" como no "ter". A teologia ou evangelho da prosperidade, detonou nas vidas de muitos cristãos a "graça de viver pela graça". Valores do capitalismo mais selvagem e devorador invadiram as igrejas no Brasil e vemos a cada dia o crescimento desse "outro evangelho"  (Gl 1.6-9) que afasta cada vez mais o crente da graça de Deus. Assistimos estarrecidos o desfile de vaidades na mídia "gospel", ouvimos as bizarrices doutrinárias, as invencionices humanas travestidas de "puro evangelho". São campanhas sobre campanhas para se obter vantagens materiais, "bençãos" que não possuem nenhum poder de suscitar alguma transformação nas pobres almas enganadas. Crescimento cristão, ser como Jesus? Impossível. Eles estão a bordo de outro evangelho.......

TODAVIA, EU LOUVO A DEUS, diante da verdade eterna de Sua Palavra! Glorifico ao Eterno porque em meio ao que assistimos, Sua graça é real e atuante. Gosto demais do que o apóstolo Paulo fala no texto de Tito 2.11-14 (ARA): "Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras."  Aprendemos nessa passagem magistral o poder da graça de Deus. É uma graça salvadora e ao mesmo tempo, educadora. Ela se manifestou salvadora, trazendo em seu bojo toda a beneficência do Evangelho de Jesus Cristo para o pecador. Esta graça também é ensinadora, educadora, no sentido de nos apontar o caminho da renúncia pessoal, fazendo com que cada um de nós renegue a impiedade, o mundanismo, a pecaminosidade inerente de cada um de nós. Em seguida, esta mesma graça faz com que aguardemos Jesus Cristo retornando pela segunda vez a este mundo, esta é a "bendita esperança" (v.13) retorno este que será apoteótico, magnífico, deslumbrante, pois o texto diz que será "a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo" (v.13), nosso Redentor que entregou-se por nós e trouxe-nos uma "uma tão grande salvação" (Hb 2.3).

TUDO ISSO FOI a operação da graça de Deus! Por isso, o cristão pode continuar confiante em sua jornada terrenal pois a provisão de Deus não falha, jamais falhará. Como não falhou em relação aos israelitas no deserto durante a peregrinação (Dt 8.1-4). Apesar da rebeldia do povo, quando lemos o relato bíblico das peregrinações dos israelitas, ficamos admirados com a quase incompreensível graça de Deus, provisionando para o povo tudo o que lhes era necessário durante a viagem a Canaã: "E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite" (Êx 13.21).

SEJAMOS POIS UMA NOVA GERAÇÃO de crentes em Jesus que acredita piamente na possibilidade da graça divina e para que sejamos nesse mundo o que Ele planejou (sermos conforme a imagem de Seu Filho, Rm 8.29). E para que tenhamos nessa vida, aquilo que nos seja necessário, (conforme está registrado em 1Tm 6.7,8). Uma ressalva: Ser crente em Jesus, sincero, leal, constante, verdadeiro não está necessariamente em conflito com o sucesso acadêmico, profissional assim como o cristão que possui muitos bens. Afinal, uma área pode ser consequência da outra nessa vida. O que realmente importa é se tudo isto sempre estará em plano secundário e o Senhor e as coisas de Seu Reino ocuparão o primeiríssimo lugar em nossa existência (Mt 6.33).

QUE POIS A GRAÇA DE DEUS possa permear o todo de sua existência e que você, caríssimo irmão em Cristo, priorize o Reino de Deus em sua vida pois na graça de Deus residem recursos abundantes que lhe sustentarão até o bendito dia do encontro com o Senhor Jesus nos ares.

PENSE NISSO !!!









quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A REFORMA PROTESTANTE, mestre por excelência da Igreja hodierna.....

TENHO POR CERTO que todo cristão bíblico, ortodoxo, evangélico e verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, tem em alta consideração e apreço a data de hoje, 31 de outubro de 2013. Já se passaram pois, 496 anos da Reforma Protestante, quando Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg na Alemanha, 95 teses de sua autoria para denunciar os erros doutrinários da Igreja Católica Apostólica Romana. 

A REFORMA PROTESTANTE é mestre por excelência da Igreja hodierna. Pelo fato que, não somente Lutero, mas todos os demais reformadores, Calvino, Zwinglio, Melanchton, Menno Simons, Knox, Farel e tantos outros permaneceram apegados ao que a Bíblia diz somente e nada mais. Esta convicção dos reformadores, este desejo de agradar a Deus pela observância estrita das Sagradas Escrituras, é o que está em falta na Igreja de nossos dias. Falta o mesmo espírito dos reformadores, de amor e zelo às Escrituras, pois não se preocupa grande parte da cristandade em nossos dias com o exame, o estudo, a observância, o cumprimento de tudo quanto está escrito. Jesus Cristo não pode falar acerca de alguns de Seus servos hoje, o que Ele falou acerca dos judeus de seus dias: "Vós examinais criteriosamente as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testemunham acerca de mim" (Jo 5.39 - BKJ).

PERCEBA nesta palavra de Jesus o elogio que faz aos judeus, pelo fato de examinarem a Torah, pelo fato de considerarem encontrar nas palavras das Escrituras a vida eterna, embora, infelizmente, não reconhecessem em Jesus o Messias pelo qual ansiavam e acerca do qual liam todos os dias. 

TODOS NÓS servos de Cristo, de forma contrária aos judeus, cremos que Jesus é o Messias prometido. Cremos que Ele entregou Sua vida por nós. De que sofreu, foi morto, sepultado e ressuscitou ao terceiro dia para nossa justificação (Rm 4.25). Cremos que o homem só pode ser justificado de seus pecados gratuitamente pela graça de Deus, através do sangue derramado por Cristo Jesus na cruz do Calvário (Rm 3.24,25). Também cremos na necessidade da regeneração, o novo nascimento (Jo 3.3-7; 1Pe 1.23), cremos que somos posicionalmente santos ao entregarmos nossa vida a Cristo, mas também de que estamos em processo de santificação no decorrer de nossa vida cristã (1Co 1.2; 1Co 6.11; 1Pe 1.15,16). Também cremos em nossa posição agora como filhos de Deus, de inclusos pois na família de Deus (Jo 1.12; Ef 2.19). Cremos que o Espírito Santo habita em nós (1Co 3.16) e continuamente operará em nós até o Dia da vinda de Cristo (Fp 1.6).

SENDO ASSIM temos uma base segura e firme nas Sagradas Escrituras e, permanecendo assim, em nada seremos diferentes dos reformadores que, rejeitando a doutrina da igreja católica medieval que se tornara corrompida por doutrinas humanas de inspiração demoníaca (At 20.29,30). Nossa identificação com os princípios da Reforma, sola fide, solus Christus, sola Scriptura, sola gratia, soli Deo gloria, é algo salutar, é algo que produz excelentes resultados em nossa vida espiritual porque a contaminação espiritual será algo fora de nossa vida de fé e assim glorificaremos ao Senhor que nos resgatou, pagando um alto preço por nossas vidas na cruz.

A BÍBLIA DIZ: "Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens" (1Co 7.23). Vemos com enorme preocupação a distorção doutrinária na Igreja evangélica no Brasil. Contemplamos estarrecidos a distorção doutrinária, a bizarrice institucionalizada em nome do Evangelho, as tentativas de barganha com o Eterno, a crendice crescendo e se multiplicando em meio aqueles que deveriam repudiar e aprender a viver sob os ensinamentos bíblicos tão somente. O neopentecostalismo, a teologia da prosperidade são graves e perigosas distorções do verdadeiro Evangelho. Por isso é que podemos afirmar que, de fato, a Reforma Protestante é uma mestra para toda a cristandade atual.

"ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST" - ou seja, "igreja reformada sempre se reformando." Isto fala de uma postura crítica de que deveríamos ser possuidores. Devido à natureza pecaminosa do homem, não é para estranharmos o fato de que a corrupção quase sempre venha tentar arruinar o que de bom Deus faz em nossas vidas e instituições. Verdade de que sempre houveram movimentos heterodoxos no seio da Igreja do Senhor desde sua fundação, Paulo mesmo alertara sobre isto em Atos 20.29,30 ao se despedir dos presbíteros da Igreja de Éfeso. Jesus ainda antes, alertara acerca dos falsos profetas que eram como lobos devoradores (Mt 7.15). O apóstolo Pedro em sua segunda epístola nos faz alertar: "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição" (2Pe 2.1). A relevância da Reforma Protestante para nós, o apreço que este movimento nos desperta, está exatamente no fato de que seus proponentes, valorosos e dedicados servos de Cristo, tudo fizeram para promover um retorno às Sagradas Escrituras em meio à toda distorção, idolatria, corrupção, superstição, engano e paganismo que a Igreja Católica Apostólica Romana insistia em permanecer e continuar a promover.

PERMANEÇA EM NÓS o que desde o princípio aprendemos (1Jo 2.24), ou seja, o Evangelho como ele exatamente se encontra nas páginas das Sagradas Escrituras. O zelo dos reformadores pela essência do Evangelho deve ser o mesmo encontrado em cada um de nós hoje. 

É ÓBVIO QUE não estamos afirmando que os reformadores eram perfeitos. Entre eles haviam coisas inerentes a todos os seres humanos. Afinal, quem de nós pode dizer que já alcançou alguma pretensa perfeição neste mundo? Assim eram eles também. Mas chamo a atenção para o fato de que eram discípulos de Cristo, tinham um intenso zelo pela Palavra de Deus e cada um deles segundo o entendimento que tinham das Escrituras, com a liberdade que o Espírito Santo dá e inteiramente contrários ao espírito monolítico da igreja católica e medieval que não permitia o livre exame das Escrituras e censurava a todos que ousassem levantar a voz contra seus dogmas antibíblicos (destacando aqui o caso de Jerônimo Savonarola, que viveu um pouco antes da época da Reforma e que foi morto pela Igreja Católica por pregar veementemente contra seus erros), esses homens que pretendiam a mudança necessária em seus dias, homens imperfeitos aos quais denominamos de reformadores, devem ser imitados por tudo que fizeram pela causa da pureza ímpar do Evangelho.

QUE O EXEMPLO DOS REFORMADORES pois possa nos entusiasmar. Possa nos mover de nosso comodismo, nossa cegueira e nossa ignorância. Possa nos levar à coragem, deixando a covardia de lado e denunciando assim como eles fizeram em sua época, todo erro que se insinua na Igreja de Cristo.

ESPERAR MENOS QUE ISSO é desprezar todo o inigualável legado que os reformadores nos deixaram. Obviamente não estamos desprezando todos os valorosos servos de Deus que viveram antes (John Huss, William Tyndale, John Wycliffe dentre outros)  e depois (homens como Jonathan Edwards, Charles Wesley, Charles  Spurgeon) da Reforma Protestante do século XVI, mas convém relembrar sempre que Deus agiu de forma ímpar neste período proporcionando um frescor na fé cristã, uma renovação muito necessária que ainda hoje reverbera entre todos nós que servimos a Cristo na presente geração.

IGREJA DE CRISTO na qual pessoalmente me incluo, possamos pensar muito sobre o legado que os reformadores nos outorgaram. Que o Senhor abençoe Seu povo hoje e sempre, para a glória de Deus Pai.












terça-feira, 17 de setembro de 2013

Desejando o equilíbrio da Bíblia, somente......

ME VEJO COMO um crente das Escrituras bíblicas. Como alguém apegado ao que a Bíblia diz. Não posso compreender os cristãos que defendem bandeiras com "unhas e dentes" como o calvinismo, arminianismo, pentecostalismo e outros "ismos" sejam eles quais forem. Declaro que sou um cristão evangélico pentecostal, certamente. Mas isso não significa um apego demasiado aos cânones pentecostais. Prefiro antes o bom equilíbrio defendido nas Escrituras. 

DEFENDER DE FORMA virulenta e agressiva seus pontos de vista é algo que não se coaduna com o Espírito de Cristo. Porque nessas ações, via de regra, ferimos ao nosso semelhante. Jesus disse que devemos amar ao próximo como a nós mesmos (Mc 12.31). Também Ele disse que deveríamos aprender a lição da mansidão e da humildade com Ele mesmo (Mt 11.29). O apóstolo Paulo declara de forma indubitável a mansidão de que todos devemos ser possuidores (2Tm 2.24).

TENHO TIDO UMA certa dificuldade com determinadas pessoas que defendem pontos de vista com veemência e agressividade. Eu mesmo, confesso, já fui partícipe desse ato e em mais de uma vez. Mas reflito agora e penso que, a esta altura da vida (beirando os 50 anos), deverei ser tomado de atitudes de tolerância, mas sem que isso venha significar todavia, de que renuncie aos ensinamentos da Palavra eterna de Deus.

JUSTAMENTE AQUI encontra-se o nó górdio da questão toda. Obedecer aos mandamentos de Deus e ser, ao mesmo tempo, paciente, manso e tolerante com a opinião dos alheios. Vejo cristãos tomados de cóleras incompatíveis com seu chamado em Cristo, quando, se preciso for, vão até às últimas consequências para defender seus particulares pontos de vista bíblicos sem considerar de que seu antagonista é tanto ser humano como ele, visto que, nenhum de nós e por razões biblicamente óbvias (uma natureza humana  pecaminosa) deverá estar isento da graça, do amor e da misericórdia de um Pai eterno que vela por todos nós.

NAS REDES SOCIAIS como o Facebook, por exemplo, há cristãos calvinistas, que defendem de uma forma repetitiva, chata, monótona, os pontos de vista soteriológicos de Calvino, dando muitas vezes a entender de que eles estão corretíssimos na questão toda. O mesmo acontece com arminianos, pentecostais, antipentecostais, defensores dos usos e costumes, cristãos judaizantes, defensores de uma única versão bíblica, defensores veementes de todas as versões, enfim, exemplos podem se multiplicar em muitos temas a perder de vista.

QUERO DEIXAR bem claro que, obviamente, todos nós temos nossos pontos de vista particulares sobre variados temas. Mas notemos o seguinte: 1) A Bíblia diz que deveremos ter uma vida transformada pela renovação de nossa mente ou entendimento (Rm 12.2; Ef 4.23); 2) Esta mente, por conseguinte, deverá ser a mente de Cristo (1Co 2.16). Isso posto, significa que deveremos estar apegados à Bíblia para forjar nosso entendimento do mundo, nossa cosmovisão e igualmente das próprias doutrinas bíblicas de uma forma equilibrada, onde deveremos dar o devido valor ao labor teológico. E aqui entra com muita propriedade a Hermenêutica sacra, a fim de que compreendamos as coisas de Deus, comparando Escritura com Escritura tão somente. O apóstolo Pedro declarou que haviam aqueles que distorciam as palavras do apóstolo Paulo eram indoutos e inconstantes (2Pe 3.15,16).

APRENDEMOS COM A HERMENÊUTICA que devemos interpretar a experiência pessoal à luz das Escrituras e não as Escrituras à luz da experiência pessoal. Também aprendemos que a fé salvadora e o Espírito Santo são-nos necessários para compreendermos e interpretarmos bem as Escrituras. Que fique claro que devemos ter posicionamentos o mais estritamente bíblicos possíveis. Mas todos sabemos que isto pode resultar em interpretações divergentes sobre um mesmo assunto. São vários assuntos na Bíblia que podem gerar desconfortos nas relações entre os irmãos do Corpo de Cristo. Mas a Bíblia diz assim: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e ira e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo." (Ef 4.30-32).

NO QUE DEPENDER DE NÓS, deveremos ter paz com todas as pessoas (Rm 12.18). Inclusive e principalmente com nossos irmãos em Cristo. Também em Romanos, Paulo diz-nos assim: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a sim mesmo naquilo que aprova" (14.22). Já li por muitas vezes (e continuo lendo) no Facebook, irmãos e irmãs em Cristo, defendendo suas opiniões, em alguns casos com agressividade, em outros com sarcasmo e em outras vezes de forma absolutamente desagradável, por serem chatos, devido à insistência em repisar os mesmos temas. Como disse, me envolvi em algumas polêmicas, mas confesso que não me senti bem e em nada me edificou, ao contrário, em alguns casos, fiquei com asco de alguns irmãos, confesso.

NA EPÍSTOLA DE JUDAS está escrito assim: "Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (3). E no versículo seguinte, Judas diz que o motivo dele escrever assim é porque alguns homens ímpios haviam se infiltrado entre os irmãos, dizendo que após terem se tornado cristãos, poderiam andar da maneira que quisessem, distorcendo assim a graça de Deus em Cristo por meio do Evangelho. Portanto, tornava-se necessário a defesa da fé cristã como autenticamente registrada nas Escrituras a fim de que o Evangelho da graça de Cristo não se tornasse dissoluto, desfigurado, irrelevante, sem poder algum de transformação das vidas e corações.

COMO DISSE ANTERIORMENTE e também no título dessa breve reflexão, é desejável o equilíbrio que a Bíblia preconiza. E é fator de equilíbrio sim quando, sem sermos belicosos, sem tomarmos partidos (vide 1Co 1.12,13; 3.1-6), procuramos "batalhar pela fé" no sentido de fazermos o que está escrito em 2Co 10.3-6, principalmente considerando que não andamos e militamos na "carne", ou seja, não vivemos nossa vida em Cristo segundo os padrões do homem natural, as armas de nossa guerra contra as malignas hostes (que são nossos verdadeiros inimigos) são poderosas de fato, somente no Senhor, armas que derrubam todos os argumentos e pretensões contra o conhecimento de Deus.

O QUE MAIS DESEJO é viver de forma a mais equilibrada e sóbria possível, tendo como meu padrão de conduta as Sagradas Escrituras. Evitarei polêmicas desnecessárias. E se, entretanto, precisar proclamar em alto e bom som (falando ou escrevendo) a verdade do Evangelho (como o apóstolo Paulo mesmo fez ao confrontar o apóstolo Pedro, vide Gl 2,11-21) isto deverá ser feito, note o que Paulo diz: "Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis" (1Ts 5.11), e também o escritor da Epístola aos Hebreus declara: "Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (3.13).

TERMINO ESTA REFLEXÃO breve com mais dois textos da Epístola aos Hebreus. A primeira passagem diz: "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (12.14) e a outra é: "Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação; porque abreviadamente vos escrevi" (13.22). Sejamos cristãos que reflitam o verdadeiro Espírito de Jesus Cristo, não pendendo para discussões que poderão gerar contendas sem fruto algum que contribua para nossa mútua edificação.

DESEJE O EQUILÍBRIO BÍBLICO - pense nisso !!!