quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ainda hoje o Senhor Deus opera milagres?

Essa é uma pergunta difícil de responder. Visto que, se disser que não há mais milagres hoje como nos tempos bíblicos, estarei de mãos dadas com os céticos de plantão. Por outro lado, se disser que pululam aqui e ali milagres contínuos e extraordinários, também não estarei sendo correto em minha opinião visto que é evidente que não se operam tantos milagres como naqueles tempos. Não que Deus tenha mudado, visto ser Ele imutável (Ml 3.6; Hb 13.8). Mas os homens sim, mudam e continuam a mudar.

Como deveríamos, sendo crentes em Jesus Cristo, nos posicionar diante de tal pergunta crucial?

Certamente que para aqueles que conhecem ao Deus das Escrituras, é perfeitamente aceitável o fato de que o Senhor opera quando, como e onde quiser. Mas os incrédulos neste Deus Trino, Poderoso, Onipotente, Criador dos céus e da terra continuarão a olhar e não crer.

Porém, o pior é quando aqueles que se dizem seguidores de Jesus Cristo, negam o agir de Deus na história da Igreja e ousam afirmar a cessação dos milagres após o período apostólico. John C. Whitcomb, professor de Teologia e Antigo Testamento no Seminário Teológico Grace em Winona Lake, Indiana, EUA, escreveu um pequeno livreto de 16 páginas sob o título “Deseja Deus que os Crentes Operem Milagres Hoje?”  para tentar refutar a operacionalidade dos milagres divinos atualmente. No último parágrafo ele escreve: “Portanto, a história da Igreja confirma as evidentes inferências das Escrituras, que os sinais de milagres, de todos os tipos, cessaram com a morte dos apóstolos.”

Entretanto, Jack Deere, professor do Seminário Teológico de Dallas, Texas, também nos Estados Unidos, publicou um livro intitulado “Surpreendido Pelo Poder do Espírito” (CPAD) em que argumenta de forma categórica a sustentabilidade do operar de Deus no decorrer da história. Ele declara que foi um cético antes de passar a crer no agir sobrenatural de Deus ainda hoje: “Eu lia os evangelhos e o livro de Atos através das lentes da hermenêutica anti-sobrenatural, e, cada vez que chegava a uma história de milagre, elas me permitiam enxergar sua veracidade, mas filtravam qualquer aplicação que tivessem para os dias atuais. Como justificar a hermenêutica anti-sobrenatural? Onde, nas Escrituras, somos informados de que devemos ler a Bíblia dessa maneira? Onde, nas Escrituras, somos orientados a copiar os elementos não-miraculosos e a descartar a atualidade dos milagres?” (p.114).

E no capítulo seguinte de seu precioso livro, Deere apresenta algumas razões pelas quais Ele curava no passado e continua a curar em nossos dias visto que a Igreja pode ter mudado, mas o Senhor Deus continua o mesmo (Ml 3.6; Hb 13.8): 1) Deus cura movido pela compaixão e pela misericórdia; 2) Deus cura para glorificar a Si mesmo e a Seu Filho; 3) Deus cura em resposta à fé; 4) Deus cura em resposta às Suas próprias promessas (pp. 120-130).

Não há razão para argumentarmos de que o Senhor não opere mais milagres hoje. Isto está fora de questão. Precisamos argumentar em direção ao fato de que a compaixão do Senhor Jesus Cristo conforme demonstrada nos evangelhos, continua hoje tão válida quanto aqueles dias. Seu caráter bem como sua compaixão são perenes. Por isso escreveu o autor da Epístola aos Hebreus: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (13.8). 

Como bem argumentou Jack Deere: “Nenhuma dessas razões está alicerçada sobre as circunstâncias históricas que caracterizaram a Igreja do primeiro século de nossa era. Elas encontram-se arraigadas ao caráter e aos propósitos eternos de Deus. Se o Senhor curava no primeiro século da era cristã por estar motivado pela sua compaixão e misericórdia pelos que sofriam, por que retiraria Ele essa compaixão pelo simples fato de os apóstolos não se encontrarem mais entre nós? Não sente Ele mais compaixão pelos leprosos? Será que não se comove diante de um aidético? Se Jesus e os apóstolos curaram no primeiro século a fim de trazer glória a Deus, por que não iria permitir hoje que seu Filho fosse glorificado através do ministério da cura? Os propósitos bíblicos para a cura continuam válidos até hoje, À medida que nos alinhamos a eles, passamos a comprovar que, realmente, Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele continua a curar” (p. 131).

Assim diante das assertivas de Deere, firmo minha posição crendo no poder de Deus operante ainda hoje. Embora a igreja hodierna não seja como a igreja primitiva, sendo mais secularizada e por isso mais refratária a esperar grandes coisas de Deus, sem generalizações todavia, isso não significa que o Senhor não continue a operar milagres e curas das mais variadas enfermidades. Creio firmemente na operação de maravilhas da parte do Senhor. Creio que Ele pode operar o milagre da restauração de cegos e paralíticos de nascença bem como no poder dEle em ressuscitar mortos se assim Lhe aprouver.

Creio pessoalmente que Deus opera milagres ainda hoje. Aparentemente pode parecer, diante de minha finitude, que não sejam operados em profusão. Mas pela extensão da miséria que o pecado produziu e têm produzido nos seres humanos e pelo fato incontestável do caráter do Senhor do Universo, temos de aceitar que, certamente, Ele está ativo no mundo de hoje, operando prodigiosamente quando e como quiser. Os títulos de dois dos livros mais famosos de um grande pensador cristão como foi Francis Schaeffer não nos deixam esquecer disto: O Deus Que Intervém (no original em inglês “The God Who Is There”) e O Deus Que Se Revela (“He Is There and He Is Not Silent”).

Deus Pai foi glorificado por meio da obra consumada na cruz por Seu Filho amado, o Senhor Jesus Cristo e continua a ser glorificado hoje através de milagres que pode e efetivamente têm operado (principalmente a conversão de pecadores empedernidos), visando o bem-estar dos homens, mas acima de tudo, para ser glorificado por todos que nEle creem. 

Pense nisso .....      


sábado, 21 de fevereiro de 2015

A íntima relação entre um método hermenêutico adequado e uma igreja saudável


É inegável sob todos os aspectos, de que vivenciamos na igreja evangélica de nossos dias e em nosso país, uma crise espiritual que afeta de forma inequívoca a integridade bíblica que lhe deveria ser peculiar. 


Contemplamos estarrecidos as bizarrices e desvios doutrinários que foram introduzidos na Igreja e perguntamos: A falta de saúde da igreja evangélica brasileira não estaria relacionada à uma prática hermenêutica enferma? O que contemplamos no cenário eclesiástico evangélico acaso não aponta para um doente na UTI (a Igreja) que precisa de rápidos e atentos cuidados para que ela recupere em tempo sua vitalidade bíblica? É sobre isso que discorreremos a seguir.

Nunca foi intenção de Deus de que Seu povo em todas as épocas da narrativa bíblica, ficasse sem Sua orientação e cuidado. Desde o Éden, passando pelos patriarcas hebreus, na formação da nação israelita e no período monárquico, após o exílio e chegando aos tempos neotestamentários, o Senhor procurou conceder aos Seus servos a segurança e firmeza de estatutos e mandamentos que lhes proporcionassem uma espiritualidade sã. Sua revelação proposicional contém em si mesma a vitalidade necessária que, em todas as épocas da história do povo de Deus balizou a relação com o Todo-Poderoso.

É aqui que que se compreende a necessidade de que os cristãos precisam interpretar corretamente a Palavra que lhes foi revelada visto que ela mesma atesta que há pontos de difícil interpretação (2Pe 3.16). Por isso mesmo, a Igreja na contemportaneidade, mais do que em todas as épocas antecedentes, tendo em suas mãos o cânon em sua forma final, precisa de um modelo de interpretação bíblica capaz de levar o cristão a compreender o sentido original pretendido pelos autores bíblicos.

Não é uma tarefa leve. Tampouco é uma tarefa como outra qualquer. Especialmente em se tratando da revelação divina, as palavras de Deus outorgadas a mais de quarenta autores no decorrer de muitos séculos, urge que o cristão compreenda que são palavras divinas veiculadas em três idiomas humanos diferenciados (hebraico, aramaico e grego) incluindo aí igualmente as formas gramaticais, as figuras de linguagem, os tipos de textos tais como poesia, história, profecia, etc. . Há abismos reconhecidos para a compreensão da Palavra de Deus e eles podem ser cronológicos, geográficos, culturais, literários, linguísticos e destacaria dentre estes, o abismo espiritual ou sobrenatural visto que, embora escrito em linguagem humana por autores humanos, o Livro é de Deus, um Ser infinito e que não pode ser plenamente compreendido por seres finitos.

A interpretação portanto, de um compêndio dessa magnitude não pode ser leviana a ponto de se mistificá-la, com a tentativa vã de se encontrar “sentidos ocultos” em seu texto. Aqui estamos a repudiar a alegorização, a intuição, ou ainda uma interpretação existencialista que rejeita e mistifica a sobrenaturalidade fortemente presente nas narrativas bíblicas. Igualmente digna de rejeição são as interpretações de cunho humanista que, além de menosprezarem os milagres bíblicos, demonstram pela Bíblia somente um interesse literário e acadêmico. Também não se pode deixar de frisar a metodologia histórico-crítica que racionalizou sua hermenêutica a tal ponto que veio posteriormente a dar origem ao liberalismo teológico onde o predomínio não é da revelação sobre a razão, mas sim da razão sobre a revelação escrita de Deus.

Todas essas correntes há pouco resumidamente descritas farão com que a Igreja padeça de enfermidades espirituais que a descaracterizarão e que por fim podem lhe ser fatais.

Falamos anteriormente que Deus nunca deixou de se revelar ao Seu povo. E se Ele assim agiu, é certo que Ele mesmo trabalhou providencialmente para que um método único e verdadeiramente adequado fosse utilizado, que não corteja os extremos do misticismo ou do racionalismo e que se aplicado devidamente vai gerar sáude e vitalidade nas vidas dos cristãos e na fraternidade da Igreja. Falamos do método histórico-gramatical de interpretação das Escrituras. Seus princípios são linguística e historicamente coerentes assim como o caráter divino-humano das Sagradas Escrituras. Ela foi usada de maneira plena pelos reformadores que assim puderam repudiar veementemente a interpretação alegorista medieval da Bíblia. Outrossim, houve igualmente o destaque da importância fundamental da pessoa do Espírito Santo na interpretação bíblica em seu papel de iluminar o intérprete na compreensão das Escrituras.

Os idiomas originais passaram a ser devidamente considerados e estudados bem como a análise histórico-cultural dos textos bíblicos analisados. Convém frisar que este é um método que exigirá do intérprete e estudioso a dupla consideração perene de que, ao tratar de um livro que é divino-humano, ele haverá de manter uma atitude de oração e santo temor e trabalhar arduamente no entendimento do texto. O Espírito Santo vai iluminá-lo enquanto ele busca o “sensus plenior” (sentido pleno) da passagem em apreço diante de si.

Ora, isto é completamente diferente da pura mistificação no trato com as Escrituras ou à racionalidade esterelizante e tendente à incredulidade.

Portanto, creio na relação estreita entre o método hermenêutico histórico-gramatical que pelas suas características levará a uma exegese textualmente adequada e a uma prática de vida de fé que expressará a vontade do Deus Trino gerando assim uma Igreja cristã plena de bons frutos e saudavelmente bíblica.


Nosso país carece de igrejas com essa têmpera, solidificadas na fé, com uma teologia salutar e com uma pregação que veicule o autêntico Evangelho. Tudo isto só irá se sobressair se o método histórico-gramatical de interpretação tiver o seu devido e merecido lugar no trato que os homens e mulheres de Deus tiverem com as Escrituras, na diligência empregada no estudo do texto e contexto histórico e na confiança na ação iluminadora do Espírito de Deus.   

Pense nisso ....

sábado, 24 de janeiro de 2015

O Estado Islâmico, a violência humana e o juízo do Senhor

O RESPEITO do ser humano ´pelos seus semelhantes encontra amplo respaldo bíblico. Tanto pelo fato de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26; 9.6), como pelo fato de que o Decálogo, depois de declinar sobre as obrigações do homem para com Deus, ensina do quinto ao décimo mandamento, acerca das obrigações do homem para com o seu próximo (Êx 20.12-17; 5.16-21). Jesus disse que amar a Deus tanto quanto amar ao próximo eram os dois mandamentos primordiais da Palavra de Deus (Mt 22.36-40; Mc 12.28-34; Lc 10.25-27).

TENHO FICADO enojado com a atitude de amplo desrespeito que os militantes muçulmanos radicais do EI (Estado Islâmico) têm ostensivamente demonstrado para com outros seres humanos, pelas maldades e atrocidades cometidas contra aqueles que pensam diversamente deles. 

AS MUITAS NOTÍCIAS que chegam pela web e demais meios de comunicação que declaram que eles fuzilaram e/ou decapitaram mais alguns prisioneiros, sequestraram, escravizaram e estupraram mulheres, crucificaram cristãos que negaram conversão ao Islamismo, doutrinaram crianças, no ensino da jihad (guerra santa contra os infiéis) inclusive fazendo com que algumas delas atirassem em prisioneiros, enfim, tudo isso causa um tremendo mal-estar em todos nós que temos o temor de Deus em nosso coração.

É VERDADE que muitos atos de desumanidade, de desrespeito pelo próximo, de ódios incontidos, tem sido testemunhados na longa história do homem sobre a terra. Desde quando, no relato bíblico, lemos que Caim matou a seu irmão Abel (Gn 4.8), a história da violência do homem contra o homem tem sido variada e constante. Obviamente, isto declara em alto e bom som de que houve uma Queda e que o homem passou a olhar seu semelhante, imagem e semelhança de seu Criador, como um inimigo a ser aniquilado

O QUE ME DEIXA deveras chocado é alguns se ufanarem de que vivemos em tempos modernos, progressistas, civilizados, como se a violência tivesse ficado no passado, limitada aos tempos antigos e que hoje o homem alcançou um patamar de superioridade moral em relação a seus antepassados. Quem pensa assim ou é louco ou é um grande demagogo. Todos os dias a mídia vomita sobre nós a cruel realidade de que os atuais seres humanos que habitam este planeta matam-se uns aos outros como se animais fossem.

DESDE OS PRINCÍPIOS da jornada do homem neste mundo, após a Queda, a violência tornou-se sua marca registrada. Em Gênesis 6.11 lemos: "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência." A causa do mundo de então estar carregado de violência lemos no verso 5: "E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente." A maldade era algo fixo e constante nas mentes e nos corações dos antediluvianos.

O FILÓSOFO FRANCÊS Jean-Jacques Rousseau acreditava na bondade inata do ser humano. Ensinava que o homem nascia bom e que a sociedade o corrompia. Mas a Bíblia sempre ensinou, muito antes de Rousseau, que o pecado corrompeu todas as estruturas do indivíduo, de tal maneira que a inclinação de seu coração era para praticar o mal continuamente (Is 1.5,6). Jesus declarou de forma absolutamente enfática: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Marcos 7.21-23).   

A INSOFISMÁVEL CERTEZA que todos nós podemos obter desta presente situação, em que cabeças de seres humanos são decapitadas praticamente todos os dias em nome de uma ideologia demoníaca que se diz religiosa é que o ser humano não perdeu sua capacidade de infligir sofrimentos a outrem e de querer impor pela violência sua vontade aos outros que diferentemente pensam.

FOI POR ISSO que declarei acima que me enojo com as ações desses fascínoras travestidos de "religiosos". Que matam, estupram e humilham em nome de uma falsa religiosidade, de um falso deus, de uma falsa visão de mundo onde somente eles, acreditam, serão os senhores e todos os demais que não concordarem serão sumariamente mortos ou escravizados. 

SOU A FAVOR de que uma coalizão internacional ataque e elimine estes assassinos. Acredito que você poderá neste instante julgar minha opinião, visto que estou apresentando a violência humana como um fato com respaldo bíblico. Mas o que acontece é que estes bandidos não aceitam nenhuma espécie de trégua ou negociação. Como disse antes, eles querem impor sua vontade a todos, querem inaugurar seu "califado" ou reino islâmico (já conquistaram muitas áreas no Iraque e na Síria e dizem que invadirão Israel e a Europa, antes de chegarem por aqui). 

PARA ALCANÇAREM seu nefasto objetivo, matarão a todos que se lhes opuserem sem dó nem piedade. Escravizarão e estuprarão as pobres mulheres que capturarem. Imporão a sharia, a lei religiosa islâmica e esta não se caracteriza pela misericórdia, de forma alguma. Diante disso, convém lembrarmos que Hitler agiu da mesma forma na Europa, provocando a Segunda Guerra Mundial, pois sua ideologia, também era violenta e assassina. Foi necessária a união dos países aliados para fazê-lo parar antes que continuasse a massacrar judeus e outros povos.

ESTAMOS EM UM MUNDO que sofre os efeitos da Queda. Sendo assim, as atrocidades dos terroristas do Estado Islâmico são uma constante. A Palavra de Deus é desrespeitada a todo instante. O caráter sagrado da vida humana é aviltado e espezinhado vez após vez. Tristeza, choro e dor estão mais do que nunca na ordem do dia.

VOS APRESENTEI a violência humana como um fato ´testemunhado nas Escrituras. Mas a mesma Palavra de Deus igualmente nos apresenta o triunfo final da vontade de Deus quando Jesus vier.

AS COISAS NÃO FICARÃO assim para sempre. O Senhor reina soberano. Parece que Ele está alheio ao que se passa. Mas o texto sagrado informa que há um dia em que, finalmente, o Senhor se levantará para dar um basta e julgar os pecados dos homens. São várias as passagens, mas citarei somente duas: "Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão" (Salmo 9.8) e também Atos 17.31: "Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." 

ESTIMULEMO-NOS UNS AOS OUTROS no tocante à esperança do juízo vindouro. Deus determinou um dia em que tudo isto que hoje nos causa aflição passará. Tomemos cuidado inclusive com os que apregoam que Deus não se importa conosco. Quem conhece ao Senhor e Sua Palavra compreende os acontecimentos deste derradeiro tempo em que vivemos como cumprimento da Palavra de Deus (Mt 24) sabendo que, mais do que nunca a volta de Jesus é iminente.

GUARDEMOS A PALAVRA DE DEUS em nosso coração (Sl 119.11), vigiemos e sejamos sóbrios (1Ts 5.6), sejamos santos (1Pe 1.15,16), andemos em Espírito (Gl 5.16), anunciemos o Evangelho (Mt 28.20; Mc 16,15,16; At 1.8). 

DEUS NÃO PERMITIRÁ que Sua Palavra seja desobedecida por muito mais tempo. Leia o que está escrito em Jeremias 22:3: "Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar." 

E AINDA: "O Senhor prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma."
Salmo 11.5.

ESSA É A VONTADE do Senhor. Pense nisso.


sábado, 3 de janeiro de 2015

É a semelhança de Cristo que devemos buscar

Gostaria de refletir com vocês neste primeiro final de semana de 2015 sobre a importância de procurarmos ser, a cada dia, mais semelhantes ao Senhor Jesus Cristo. A experiência, quer seja por mim mesmo vivenciada ou observada em outros, demonstra que a aridez espiritual, o anti-intelectualismo, a mornidão, o comodismo e a frivolidade combinam-se para afastar o cristão da semelhança que deveria necessariamente ter com Cristo.

Bem podemos supor que alguns cristãos imaginam que praticar sua particular forma litúrgica, ser assíduo aos cultos, exercer a caridade enfim, fazendo ou deixando de fazer algo necessariamente fará com que sejam parecidos com nosso Senhor Jesus Cristo.

Muitos buscam todas as novidades eclesiásticas ou do mundo gospel. Outros, mais intelectualizados, deleitam-se em acumular mais e mais títulos ou diplomas acadêmicos. E, ingenuamente, alguns outros ainda que, não sejam nem buscadores de novidades nem acumuladores de diplomas, entretanto julgam que basta orar e ler a Bíblia para que sejam então "iguaizinhos" a Jesus. Surge nesse instante a pergunta: Então, que "semelhança" seria essa que buscaríamos para sermos como Cristo?   

Primeiramente, NÃO É UMA SEMELHANÇA FÍSICA. Ser parecidos, semelhantes com Jesus nada tem a ver com a imagem popular do Salvador com cabelo e barba compridos e vestes talares.

Em segundo lugar, NÃO É UMA SEMELHANÇA QUE IMITE OS COSTUMES JUDAICOS. Alguns podem julgar que, sendo Jesus Cristo um judeu nato, então teria de me revestir da cultura judaica para ser semelhante a Ele. Nada mais longe da verdade.

O que nos resta então? A consideração de que é o caráter, a personalidade e os atributos de Cristo que deveriam ser objeto de nossa mais veemente e insistente procura, pois ser semelhante ou igual a Jesus é imitar Sua Pessoa em toda sua inteireza e extensão. E isso nada tem a ver com a assimilação de algum modelo de vida cristã conforme as tradições dos homens.

Uma das coisas notáveis que percebemos no caráter da Pessoa de Cristo era seu alto apreço pela Palavra de Deus. Juntamente com uma vida plena de oração, fervorosa e constante, temos nEle um exemplo ideal e absoluto de como agradaremos ao Pai. E, ao fazermos assim, gradativamente seremos semelhantes a Ele.

A Bíblia diz em 1 João 3.2: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos." Essa passagem fala claramente acerca do retorno de Cristo quando seremos transformados em nosso corpo físico, (1Co 15.52,53). Adquiriremos a incorruptibilidade e a imortalidade instantaneamente. Mas é preciso que saibamos que antes que este evento maravilhoso, único e singular ocorra, o Espírito Santo continua a trabalhar exatamente nesse instante em você e em mim para que sejamos em nosso caráter iguais a Cristo.

Que isso não seja negligenciado nem confundido com ideias humanas sem fundamento sobre o que consiste de fato ser semelhante a Jesus. A vida dEle, em Suas imortais palavras e atos deve ser  lida, refletida e praticada conforme os quatro evangelhos se nos mostram.

Além disso, vemos também o caráter de Jesus refletido na vida de Paulo, de Pedro, João e tantos outros nas páginas do Novo Testamento e bem faremos em atentar como eles permitiram e vivenciaram a semelhança de Cristo enquanto exerciam seus respectivos chamados e ministérios.

Nos dias de hoje também encontramos, aqui e ali, servos de Deus que são "iguaizinhos a Cristo", ou seja, demonstram em palavras e obras o caráter do Nazareno, demonstrando que é perfeitamente plausível viver como Jesus viveu nesse mundo, ou seja, procurando fazer a cada dia a vontade do Pai ( Jo 4.34 ).

A semelhança com Cristo inclui a transformação do caráter e nisso está implícita a conformação com Sua morte conforme Rm 6.5. Sendo assim, levaremos nossa cruz, pois Ele mesmo nos ordenou que fizessemos isto (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 14.27). É algo que deve ser levado muito a sério. A. W. Tozer nos explica sobre o significado de levar a cruz: "A cruz é aquela adversidade extra que surge como resultado de nossa obediência a Cristo. Esta cruz não é forçada sobre nós; nós voluntariamente a tomamos com pleno conhecimento das consequências. Nós decidimos obedecer a Cristo e fazendo essa escolha, decidimos carregar a cruz. Carregar a cruz significa ligar-se à Pessoa de Cristo, ser fiel à soberania de Cristo e obediente aos seus mandamentos." 

Não deseja você nesse novo ano, nessa mudança de calendário, ter como alvo supremo de sua existência a semelhança de Cristo? O apóstolo Paulo fala claramente sobre termos a imagem de Cristo em nós, leiamos pois Romanos 8.29: "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."  

Que o Senhor fale ao seu coração e ao seu intelecto de que uma das coisas mais importantes para todo aquele que lhe serve é se tornar cada dia mais parecido com Cristo. Essa busca pela semelhança com Cristo é a vontade perfeita divina, essa é a necessidade primordial de cada crente em Jesus.

Somente assim poderemos impactar nossa própria geração para a glória de Deus.

Pense nisso ...... e que Deus te abençoe nesse novo ano com a semelhança em Jesus! 


domingo, 19 de outubro de 2014

Da poesia, da alegria e da ternura entre os cristãos


Está faltando poesia em meio ao povo de Deus. Está faltando alegria entre os eleitos do Eterno.  Estão carentes os discípulos de uma ternura que seja divina e essencialmente constante. Que produza leveza de vida em meio às inevitáveis agruras do cotidiano.

Se toda minha prática como crente em Jesus se resume a uma forma de religiosidade que descarta o amor,  o carinho, a convivência pacífica e cordial, então creio que ainda não consegui compreender o que significa a vida na comunidade dos eleitos.

Essa vida pressupõe uma transformação de caráter tal, que absorverá continuamente das inesgotáveis fontes da Palavra de Deus todos os nutrientes espirituais necessários para vivermos em uma comunidade ideal, ou seja, conforme o propósito divino. E isso em meio a um mundo hostil às virtudes e riquezas do Reino de Deus.

Por isso no primeiro parágrafo me referia à falta de poesia, da alegria e da ternura. Não quero crer que a sublimidade das coisas as quais temos recebido gratuitamente da parte do Eterno, estejam esvaindo-se entre os nossos dedos. Que estejamos perdendo nossa identidade divina por causa da pressão constante do mundo, de nossa natureza decaída e Satanás e os demônios. Na verdade vejo a comunidade dos santos, o Corpo de Cristo, a Igreja, sendo fragilizada a cada dia em vista dos ataques incessantes e variados desses inimigos.

Temos vivido como Igreja do Senhor vidas extremamente marcadas pela religiosidade estéril e paralisante, pelo formalismo em nossas relações, pelo individualismo alienante, pela imitação dos costumes do mundo. Temos diariamente sucumbido à inversão dos valores divinos como se encontram no presente século, temos aceitado de forma passiva algumas das  práticas dos ímpios.

Por isso temos vivido um estranhamento nas nossas relações. Já não procuramos cultivar (se é que já fizemos isso seriamente em alguma oportunidade) a afeição por nossos irmãos. Não procuramos a face de nosso irmão, não nos importamos com seus problemas existenciais. Incorremos naquilo que está registrado em Fp 2.21: "Porque todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus." Quando nos importamos com nosso próximo, a ponto de procurá-lo, desejando sincera e ardentemente seu bem-estar, estamos cuidando do que é pertinente a Cristo Jesus. Você já refletiu seriamente em algum momento sobre essa verdade?

Sei por experiência pessoal que somos naturalmente tendentes ao erro. De que mesmo contemplados com a presença santa e abençoadora do Deus Trino em nossas vidas, podemos errar, falhar, escorregar, vacilar, tantas e tantas vezes. Mas não poderemos nunca, embora imersos nessa ausência de plenitude da virtude, olvidar de nossos corações a poesia todo-existente que repousa em um viver autenticamente imitador de Cristo. Não podemos deixar de manifestar a alegria que é mesmo inexplicável aos olhos do mundo, em que pesem todas as lutas e os problemas, por causa da presença do Espírito Santo em nosso coração. Não deveremos nunca negar a ternura amorosa uns aos outros pois a prova maior de que somos discípulos dEle está registrada em Jo 13.34,35: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros."

Disse anteriormente que temos vivido um estranhamento em nossas relações. A Bíblia fala de que deveríamos cultivar um entranhamento ou seja, um profundo afeto nas relações fraternais, demonstrando terna compaixão pelo outro, amando a meu irmão e isso sem nenhum tipo de pré-condicionamento. Também diria que deveríamos abominar o individualismo em nossa vivência fraternal, reduzir consideravelmente o formalismo em nossas reuniões de adoração cristã e sermos buscadores de uma imitação tal de Jesus Cristo que a religiosidade ficasse definitivamente fora de nosso estilo cristão de viver.

O que escrevi é uma reflexão sobre as palavras do apóstolo Pedro: "E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis" (1Pe 3.8) e também igualmente as palavras de Paulo: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos" (Cl 3.12-15).

Creio, finalmente, que somos, cada um de nós, os maiores responsáveis pela ausência de um viver pleno de poesia existencial. Em que vejamos em cada momento a mão do Senhor amorosamente cuidando de nós, mesmo que de maneira imperceptível. Quando considero isto, até mesmo a erva inútil que teimosamente cresce entre as plantas comestíveis de minha horta é vista como dádiva divina, como sinal da presença divina, ainda que ele, o capim, não me seja útil como alimento.

Quero de hoje em diante também considerar as possibilidades imensas que existem em viver com autêntica alegria em meu cotidiano. Já não suporto mais a esterilidade do presente século, carente de uma verdadeira alegria que é nossa força no Senhor (Ne 8.10), alegria essa que é oriunda da verdadeira paz que só Jesus pode nos conceder (Jo 16.33).

Cuidarei finalmente para expressar em todo tempo a devida ternura a todos, especialmente aos da família da fé. Confesso que gostaria de ser reconhecido muito mais pela minha expressão de amor ao próximo do que por meus conhecimentos intelectuais. O apóstolo das gentes têm uma palavra bem a propósito: "O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica" (1Co 8.1b). Assim, quero edificar meus relacionamentos no amor e que isso seja extensivo à Noiva de Cristo em sua inteireza.

Que seja assim, até que Ele venha.

Pense nisso.

    







domingo, 7 de setembro de 2014

Necessita-se de uma igreja que não abandone seus pobres .....


ESTÁ REGISTRADO em Atos 4.34,35, conforme a Nova Versão Internacional: "Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um."
PESSOALMENTE EU CREIO que esse registro inspirado pelo Espírito Santo que Lucas fez acerca do proceder da primitiva igreja, expressa a vontade do Deus Trino no tocante à questão dos pobres, desvalidos ou necessitados que haveriam em seu meio. O Senhor Jesus mesmo declarou esta verdade aos Seus discípulos (Mt 26.11; Jo 12.8) e é óbvio que, tanto na época do começo da igreja cristã como presentemente, a questão dos pobres e necessitados é premente e mui relevante.

COMO PODEREMOS entender e praticar em nossa realidade, aquilo que eles, cristãos primitivos, fizeram com naturalidade e fervor? Entre eles, o amor de Cristo transbordava de todas as formas e maneiras (At 2.42-47). Acaso não poderia ocorrer isso na igreja atual?

LAMENTAVELMENTE constata-se hoje uma prática de vida cristã que, com honrosas exceções, distancia-se do ideal registrado no livro de Atos. Como foi mencionado, creio piamente que, se está ali escrito que todos os pobres entre eles eram supridos em suas necessidades, demonstra que isto pode ser perfeitamente realizável nas comunidades cristãs em nossos dias.

ALGUÉM PODERÁ QUESTIONAR e discordar quanto a eficácia disso. Ou seja, é irrealizável para hoje porque, alguém argumentaria, a ambiência espiritual era diferente ... pode-se concordar com isto em parte, mas devemos refletir um pouco: se está registrado, se aprouve ao Espírito Santo orientar o escritor Lucas para que relatasse a maneira como aqueles crentes viviam sua fé em Cristo, argumento pois a favor da possibilidade de exatamente as comunidades cristãs hodiernas procederem da mesma maneira - imitativamente.

HÁ PRECEDENTES naquilo que Jesus mesmo ensinou. Além dos textos de Mateus e João que reportamos, lemos acerca das palavras do Senhor dirigidas a certo jovem rico, para que distribuísse seus bens aos pobres e O seguisse (Lc 18.22 com Mt 19.21 e Mc 10.21). Além disso, podemos recordar as palavras do Senhor em Lucas 12.15: "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui." Jesus se opôs fortemente à tendência egoísta do coração humano de acúmulo de bens e focou na importância de sermos ricos para com Deus (v.21) e a Igreja deve se lembrar de forma constante desse ensino crucial.  

SE COMO SERVOS DE DEUS e como Igreja do Senhor, devemos ser imitadores de Jesus em todo nosso viver, assim como o apóstolo Paulo ensinou: "Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo" (1Co 11.1), é especialmente digno de nota percebermos tudo o que o Novo Testamento menciona sobre o cuidado aos pobres. Em verdade, os judeus dos dias de Jesus eram conscientes daquilo que era concernente aos pobres e necessitados conforme estipulava a Torah. Deus sempre devotou atenção e cuidados a eles e determinava que os israelitas fizessem da mesma forma. Notemos alguns fatos sobre isso: 1) A cada três anos, todos os dízimos dos produtos colhidos nesse terceiros ano deveriam ser distribuídos também entre os pobres (Dt 14.28,29); 2) A cada sete anos, os credores tinham que perdoar as dívidas, para que os devedores pudessem recomeçar a vida (Dt 15.1,4); 3) Por ocasião da colheita, os pobres poderiam apanhar o que houvesse no canto dos campos e das videiras (Lv 19.9,10). Os agricultores não poderiam colher o cereal dos cantos, nem rebuscar as plantações. As sobras e os cantos das plantações deviam ficar para os pobres; 4) Se um israelita se tornasse escravo, tinha que ser liberto após seis anos de serviço (Dt 15.12-18); 5) Se alguém emprestasse dinheiro a um necessitado, não poderia cobrar juros dele (Êx 22.25) - Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos, William L. Coleman, Editora Betânia. 

ERAM LEIS QUE TINHAM a finalidade de garantir que todos tivessem acesso à riqueza, que houvesse uma justa distribuição da mesma a todos os israelitas. Haviam muitos pobres na igreja de Jerusalém assim como há em nossos dias em nossas igrejas igualmente. Mas as igrejas retratadas no NT tinham como características a ajuda aos necessitados. Há um texto em Gálatas 2.10 onde Paulo afirma que se esforçou para lembrar dos pobres em seu ministério conforme a recomendação de Tiago, Pedro e João, líderes da igreja fizeram a ele e seu companheiro, Barnabé.

É SIMPLESMENTE INACEITÁVEL o que ocorre hoje em muitas igrejas e ministérios, ou seja, a indiferença, a omissão em relação aos necessitados. O exemplo que vem de Jesus, dos apóstolos e da igreja primitiva aponta claramente para praticarmos o amor e a sensibilidade para com as necessidades de forma mútua e constante.

NESSE SENTIDO há duas passagens que citarei aqui que são categóricas nesse aspecto. Em 1 João 3.17,18 (NVI) está escrito: "Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade." Portanto, como aceitar uma igreja ou comunidade cristã em que, a começar da liderança, não há um direcionamento a favor dos necessitados? Como compreender que de fato o amor de Deus está ali? De que maneira o testemunho sobre Jesus Cristo pode ser encontrado em um grupo de pessoas que não se importam umas com as outras, mas praticam meramente uma religiosidade de aparências?

A OUTRA PASSAGEM está em Tiago 2.14-17: "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma." Aqui fica bem enfática a verdade de uma fé que não se limita ao campo teórico, não é uma fé teórica, não é uma fé que não desemboca em uma prática de vida cristã sensível ao necessitado, ao pobre, ao endividado, ao desempregado, ao faminto, ao carente de roupas e calçados. Não, o apóstolo Tiago fala de uma fé viva, fé que sai do comodismo, da mesmice, da cegueira e indiferença para com o irmão carente, é também uma fé que sai do gueto e que se esparrama entre todas as gentes, para além mesmo das divisões denominacionais e indo mais além, para alcançar a todas as pessoas com a mensagem de amor do Evangelho, mensagem essa que se traduz em prática, pois essa prática para com o próximo é o próprio amor em ação, que não se reduz a uma mera palavra ou conceito.

É CERTO QUE pobres e ricos estarão convivendo na Igreja até a volta de Jesus. Mas,, excetuando a preguiça, a falta de vontade de trabalhar, a malandragem em querer se aproveitar do próximo (e a Bíblia condena taxativamente tudo isso, leia 2 Ts 3.6-15), é notória a falta de sensibilidade entre os membros abastados do Corpo de Cristo para com seus irmãos menos afortunados. Também percebo o quanto muitos que são pastores e líderes não ensinam ou pregam (e mais do que isso, não praticam) no que tange à generosidade de que todos deveríamos ser possuidores. Um levantamento em qualquer congregação revelaria a quantidade enorme de necessitados. Será que os pastores tem receio, como tiveram os apóstolos de Cristo, quando este disse: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Mt 14.16; Mc 6.37; Lc 9.13) de que se tentarem ajudar aos irmãos de sua igreja, não poderão atender a todos? Sabemos pelas passagens acima que Jesus operou um milagre tal que, não somente Ele saciou a todos como sobrou muita comida. Nosso Deus é o Deus dos impossíveis, realmente (Gn 18.14).

NECESSITA-SE DE UMA IGREJA pois que não abandone seus pobres. Que não os deixe à míngua. Que não desonre a Cristo com tal atitude infame. Já é tempo de todos nós pensarmos muito bem sobre isso. Que o Senhor te ilumine e te abençoe.

sábado, 6 de setembro de 2014

O ser humano e sua vocação para inferiorizar o próximo ....

AQUI E ALI lemos, vemos ou ouvimos sobre a atitude de um ser humano que inferioriza e ofende a seu próximo com declarações ofensivas sobre sua cor de pele, condição social ou sobre seu local de origem, seu local de nascimento.

NO BRASIL, um país reconhecidamente multiétnico, isso incrivelmente tem ocorrido. Não se compreende, à primeira vista, porque tais coisas acontecem. Mas o fato é que em nosso cotidiano, há pessoas que inferiorizam, ofendem e até agridem a seus semelhantes por causa de suas convicções racistas.

ESSA VELHA TENDÊNCIA do coração humano é recorrente em todos os povos e nações. Nenhum grupamento humano está livre dessa inclinação maligna que só denuncia a verdade bíblica que diz: "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos" (Rm 3.10-18).

TODOS OS SERES HUMANOS poderão demonstrar preconceitos contra seus semelhantes. Parece que isto é muito comum e é universal. E o racismo é uma forma de preconceito que têm sido a causa da morte de milhões de pessoas. Mas, exatamente, em que consiste esse que é um dos mais odiosos pecados da humanidade?

PODE-SE DEFINIR o racismo como a convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano. Consiste em uma atitude depreciativa não baseada em critérios científicos em relação a algum grupo social ou étnico. 

NESSE SENTIDO o Nazismo alemão e o Apartheid na África do Sul marcaram época visto que representaram com sua violência, expurgos e assassinatos, toda a hediondez de suas respectivas ideologias nefandas.

NÃO PODERÍAMOS deixar de mencionar também a  xenofobia que é também um tipo de preconceito, que indica uma repugnância relativa a pessoas estrangeiras, mesmo que elas sejam da mesma raça ou etnia. Ela têm aumentado em nossos dias nos países do continente europeu por grupos intolerantes que usam a violência para tentar manter fora de suas fronteiras todos os estrangeiros. Não somente pessoas ou grupos, mas igualmente governos também podem ser xenófobos.

NÃO É PRECISO ser um especialista para concluir que é altamente questionável o conceito de "raça". Ora, biblicamente falando, a raça humana é uma só (Atos 17.26) além de ter se originado de um único casal, Adão e Eva. As variações existentes entre os seres humanos (cor da pele, tipo de cabelo, cor dos olhos, etc) testemunham na verdade em como o Criador ama a variedade em toda Sua criação e notadamente no ser humano, criado à Sua imagem e semelhança (Gn 1.26).   

EM NOSSO PAÍS é recorrente a atitude racista. São grupos da cidade de São Paulo que repudiam fortemente os nordestinos que para esta cidade migram visando ter uma vida melhor, por exemplo.  São torcidas de times de futebol que xingam aos jogadores do time adversário com termos racistas. São vendedores e gerentes de lojas negando atendimento a afrodescendentes ou pessoas de aparência humilde ou com problemas físicos. São policiais ou autoridades outras que veem as pessoas de pele negra como bandidos em potencial. Enfim, são várias as facetas do problema racial no Brasil.

E NA IGREJA SERÁ que ocorrem essas coisas? Os crentes em Jesus Cristo não devem ser ingênuos em achar de que no âmbito do Corpo de Cristo a atitude de inferiorização do outro, ou o racismo puro e simples não ocorra. Desnecessário comentar profundamente sobre isso mas fiquemos somente com a palavra do apóstolo Tiago que diz: "Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores" (Tg 2.9). A Nova Versão Internacional verteu o versículo 1 deste mesmo capítulo da epístola de Tiago da seguinte maneira: "Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com favoritismo." Portanto, a Bíblia condena toda e qualquer diferenciação entre pessoas e repudia quem faça acepção do próximo por causa de questões como a cor da pele, condição física, intelectual ou social.

NESSE ÍNTERIM muitos querem incluir os homossexuais. O cristão também não rejeitará o homossexual, mas isto não significa de que está implicitamente aceitando sua conduta, seu modo de viver pecaminoso. Nenhum ser humano deve ser objeto de preconceitos. Mas todo ser humano deve ser confrontado com a verdade do Evangelho que determina que o pecador se converta, que deixe seu mau caminho, que repudie suas más obras, que aceite o fato de que está separado de Deus, portanto, numa situação desesperadora e que deve crer na mensagem das Escrituras que desde seus primórdios, aponta para a miséria e alienação do ser humano em relação a si mesmo, em relação a Deus e ao seu próximo.

JESUS CRISTO jamais rejeitou a alguém. Ele veio para resgatar o homem perdido (Lc 19.10). O crente deve ter isto bem definido em sua mentalidade e cuidar para não ser tomado pelo espírito dessa época que influencia a cultivarmos preconceitos. Por outro lado, de forma ambígua e paradoxal, o espírito de nosso tempo leva-nos a uma direção oposta quando diz para não sermos preconceituosos e com isso tenta nos influenciar a aceitarmos como algo normal, o aborto, a prostituição, o homossexualismo, o lesbianismo, a pedofilia, o uso de drogas ou qualquer outra coisa que Deus condene em Sua Palavra.

VALE AQUI o conselho de sempre: pense muito bem sobre tudo isto que você acabou de ler e imite a Cristo em sua postura de amor para com os semelhantes. Que Deus o abençoe!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Você consegue ver Deus em sua história pessoal?

PARE E PENSE por um instante e arrazoe comigo: De fato, você têm conseguido ver Deus na história  de sua vida?

SERIA BOM se todos nós pudéssemos separar um tempo para que, sem pressa e sem interrupções, pudéssemos fazer um balanço, uma conferência, uma introspecção e verificar os sinais da presença divina em nossa vida.

PERDEMOS ALGUNS DE NÓS, e outros nem mesmo conseguem fazer essa averiguação do mover divino em sua própria existência. Carecemos de nutrir uma capacidade averiguadora da presença do Senhor em cada momento da vida. É algo extremamente necessário. E serve-nos de alento diante das lutas pelas quais inevitavelmente todos passamos.

O SER HUMANO tem a capacidade de recordar fatos passados. Obviamente, tendemos a evitar em nossas lembranças aquilo que nos aconteceu de mau e optamos em nos concentrar nas coisas boas, naquelas que nos dão prazer e alegria. Ocorre que pensamos erroneamente de que o Senhor Deus estaria somente nessas coisas boas e nas coisas más ele passaria bem longe e estivesse totalmente ausente. Ledo engano.

JESUS AFIRMOU algo um pouco antes de ser assunto aos céus que deveria levar-nos a pensar e reconsiderar continuamente, leia: "E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém" (Mt 28.20b). Não é possível pois imaginar de que Ele não esteve conosco nos momentos sombrios de nossa vida. Não é adequado declinar sobre a possibilidade de que Ele não se importou conosco naqueles momentos cruciais de nossa história pessoal onde somente parecia que Ele se encontrava ausente.

AMADOS, SE HÁ ALGO do qual não deveremos nunca duvidar nem esquecer é a fidelidade divina para conosco. Nós sim, somos infiéis. Não é característica plena em nossa identidade cristã. Erramos, pecamos, falhamos. Em muitos momentos de nossa caminhada com Jesus, estamos sujeitos a traí-Lo. Todavia, isso não acontece com Ele. Paulo escreveu: "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2Tm 2.13). Como pois duvidaremos que Ele esteve ausente nos momentos difíceis e angustiosos de nossa jornada nesse mundo?

FAREMOS MUITO BEM se aceitarmos o fato que o Deus Trino está presente de forma concreta e salutar na nossa vida pessoal. Não será difícil dessa forma enxergarmos as marcas dEle em nossa história de vida. Pensemos um pouco: Você pode ter certeza absoluta ou aproximada de quantos livramentos Ele te proporcionou? Há um texto em Hebreus referente aos anjos que gosto muito e é este: Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.14). Quem poderá duvidar da presença divina em nosso labor diário, através do anjo que o Senhor dispensou para servir a nosso favor, visto que somos sim herdeiros de uma "tão grande salvação" (Hb 2.3)? E quando falamos em livramentos, não dá para deixar de pensar em um texto tal como esse: "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Sl 34.7).

MARCAS DE DEUS em nossa história de vida. Recordações em nossa vida e a convicção da presença divina conosco. De Jesus Cristo foi profetizado de que Ele permaneceria em nós: "E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco" (Mt 1.23 com Isaías 7.14). 

PELA GRAÇA DE DEUS eu consigo detectar a presença dEle de forma autêntica e fiel em toda minha vida. Muitos foram meus momentos de rebeldia. Muitos foram os desvios, erros e pecados praticados. Mas Ele em sua grandiosíssima misericórdia jamais me deixou só. Sei que Ele esteve comigo e continua a estar pois a Bíblia testifica que, mesmo em face da rebeldia do povo de Israel, o Senhor não o abandonou. Castigou sim em justa medida Seu povo, enviou inimigos sobre ele, deixou que fossem para o cativeiro em Babilônia, mas o profeta Isaías escreve: "Exultai, ó céus, e alegra-te, ó terra, e vós, montes, estalai com júbilo, porque o Senhor consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadecerá. Porém Sião diz: Já me desamparou o Senhor, e o meu Senhor se esqueceu de mim. Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim" (Is 49.13-16).

NÃO TENHO DÚVIDA dessa doce presença comigo. Eu olho para a história da minha vida e vejo a presença dEle ali, mesmo que não tenha sido perceptível naquele instante passado. Mas hoje consigo ver claramente e isso é glorioso. Poderia eu até mesmo falar como profeta acima descreveu "...o meu Senhor se esqueceu de mim." De forma alguma! A indagação que Isaías faz em seguida sobre a mãe que porventura, poderia esquecer de seu próprio filho, não combina com o caráter do nosso Deus, pois Ele mesmo diz: "Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei" aleluia, glória a Deus por este cuidado tão terno e tão maravilhoso, pois Ele cuida de nós verdadeiramente.

ESSE CUIDADO DIVINO é presente desde nossa concepção no ventre materno e disso dá testemunho o salmista no Salmo 139, leiamos os versos 14 a 16: "Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia." Preciso indagar: Como eu poderia duvidar de tal cuidado da parte do Senhor em minha história pessoal, visto que Ele se fez presente quando ainda me encontrava, em estágio embrionário e fetal no ventre de minha mãe? 

O ESCRITOR E PENSADOR cristão Francis Schaeffer escreveu um livro com o título: "He is There and He is Not Silent" - "Ele está presente e não está em silêncio". Ele foi bem feliz na escolha desse título pois declara com precisão aquilo que a doutrina bíblica afiança: De que o Senhor está de fato presente na vida de todo ser humano, mesmo naqueles que ainda não O conhecem (pois Ele quer levá-los ao arrependimento para a salvação - Ez 18.23; 33.11; Rm 10.13; 2Pe 3.9) e não está em silêncio. Veja a maravilha daquilo que Jesus disse em João 14.16,17 de que o Espírito Santo ficaria na vida do crente para sempre: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós." A presença real do Espírito Santo autentica de maneira claríssima o terno cuidado de Deus Pai para conosco pois o Espírito Santo, no qual fomos selados para além do que declarou Jesus no Evangelho de João, "é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14).   

QUE ALEGRIA E CONSOLO saber que o Senhor cuida e está  mim no presente, visto que cuidou de mim no passado e isso é a certeza de que Ele estará comigo no futuro até o grande dia em que O verei face a face.  A consideração desse cuidado e dessa presença do Senhor comigo, me conduzirá a uma atitude de contínua gratidão conforme escreveu o salmista: "Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor" (Sl 116.12,13).

SUPLICO POIS A TI em todo o tempo: Pense sobre isso. Veja Deus em sua história. Que o Senhor muito te abençoe.