quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A necessidade de prudência para que alguém seja batizado e admitido como membro na igreja


Ninguém duvida de que muitos que aceitam a Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador e desejam se batizar, o fazem na convicção de que verdadeiramente estão crendo na mensagem do Evangelho que lhes foi ministrada e operada pelo Espírito Santo em seu coração. Não somos Deus e, portanto, não podemos saber as reais motivações dos corações das pessoas. Entretanto, gostaria de refletir sobre a atitude de muitos pastores e igrejas que, baseando-se somente na passagem de Filipe e o eunuco em Atos 8.26-38, acham que se alguém, após ter aceitado a Jesus e pedir para ser batizado, deve sem maiores formalidades, ser batizado em águas e recebido como membro na igreja.

Como disse e repito, não temos como aquilatar o que se passa no interior do indivíduo. Se o que lhe motiva a descer às águas do batismo, é a genuína convicção proveniente do Espírito de Deus que levou-o a aceitar os conteúdos do Evangelho, ou se estamos diante de um farsante interesseiro, ou um iludido, ou até mesmo um lobo (At 20.29), desejoso de adentrar ao curral das ovelhas, para tentar arrebatá-las da mão do Supremo Pastor.

Por isso, defendo ardentemente a postura de se provar, de se testar a convicção de quem tenha aceitado a mensagem do Evangelho. De não permitir que alguém, após ter, supostamente se convertido ao Senhor Jesus, ser levado ao batismo em tão pouco tempo. Não suporto a ideia de que muitos tem vindo para nossas igrejas movidos por interesses outros, e não pelo mover genuíno do Espírito de Cristo no seu coração. Não acredito que a multidão de pessoas nas igrejas, nas variadas denominações evangélicas tenham uma genuína convicção de salvação. As igrejas estão inchadas de pessoas (muitas delas já batizadas) mas que na realidade não nasceram de novo.

Ah, mas muitos pastores que conheço poderão dizer: "Mas quem sou eu para negar o batismo a alguém que aceitou a Jesus? Se a pessoa pedir para ser batizada, eu consinto e depois vamos ensinando ela nos caminhos do Senhor." Não consigo conceber tal raciocínio.

Quem garante que ali não estará uma pessoa somente "convencida" e não verdadeiramente "convertida"? Se estiver apenas convencida, os pastores terão muito trabalho com ela. Se for convertida, ela procurará trabalhar para o Reino de Deus de forma genuína enquanto cresce o crescimento de Deus (1 Co 3.6,7).

Dizem os pastores que assim procedem que estarão ensinando a pessoa após o seu batismo. Ora, logicamente que o ensino, o discipulado, é algo imprescindível a todos os cristãos, não só aos novos convertidos. Mas é diferente na questão dos neo-conversos. O ideal é que a igreja pudesse submetê-los a um período de acompanhamento pessoal onde se pudesse observar in loco o testemunho daquele novo cristão. Esse acompanhamento seria feito por um cristão maduro, que soubesse discipular, que soubesse aconselhar e orientar, sendo supervisionado pelo pastor da congregação.

Também deveria ser estabelecido para o novo convertido estudos das doutrinas fundamentais da fé cristã. Logicamente, não seria um estudo exaustivo, mas substancioso o suficiente para esclarecer e assim permitir que o novo crente pudesse avaliar se realmente deseja seguir no caminho da fé e da renúncia pessoal no discipulado cristão.

Necessária se faz esta precaução. Têm se acentuado o pragmatismo dos pastores e igrejas, que desejam ver os templos cheios de pessoas que por sua vez, podem já ter se batizado logo assim que se "converteram". E é evidente que dentre esses há genuínas conversões a Jesus Cristo. Mas o perigo de se ter uma multidão nominal nos bancos de nossas igrejas encontra um precedente na história da Igreja a partir de Constantino.

Ele fez com que as perseguições aos cristãos terminassem através de um Édito de Tolerância ou Édito de Milão (313 d.C.). A partir desta época, o Cristianismo passa a ter um status privilegiado. E populações inteiras passam a ser declaradas cristãs. As distinções entre um crente e um não-crente, que eram tão claras nos primeiros 200 anos da fé cristã, foram bastante obscurecidas. Agora, reino, igreja e estado haviam-se fundido. Bastava alguém nascer neste contexto para ser tido como um seguidor de Cristo.

A Igreja deste tempo, que num lento processo deu origem à Igreja Católica Romana, foi então acrescentada de muitas pessoas sem terem se convertido verdadeiramente a Cristo. Tornar-se membro tornou-se algo vulgar e fútil. Qualquer um que desejasse, poderia descer às águas batismais sem nenhum empecilho. Ed Hayes, em seu excelente livro A Igreja - O Corpo de Cristo no mundo de hoje (Editora Hagnos), ensina que quatro devem ser os requisitos para admitir-se alguém como membro: 1. Um coração regenerado; 2. Uma confissão de fé verossímil; 3. O batismo voluntário em obediência a Cristo; 4. Uma vida cristã exemplar. Ele acrescenta ainda que a conversão dos pecadores é essencial para assegurar uma membresia convertida na igreja e de que essa membresia regenerada é essencial se a igreja quiser manter a sua pureza.

Justo Gonzalez, historiador cristão, nos conta que só quem havia sido batizado podia estar presente durante a comunhão, ou seja, a Ceia do Senhor. Gonzalez explica que na primitiva comunidade cristã, tão logo alguém cria era batizado e isto era possibilitado porque a maioria dos conversos vinha do Judaísmo e já possuía um fundamento para compreender o Evangelho. Porém, à medida que mais gentios foram sendo convertidos, tornou-se imperioso um período de preparo e prova antes da ministração do batismo. Ainda segundo Gonzalez, este período durava aproximadamente três anos nos princípios do século terceiro d. C. Durante este período, o catecúmeno (palavra grega que designava o aprendiz da fé cristã, aquele que recebia a catequese, ou seja, que era instruído à viva voz, para distinguir-se daquele ensino realizado sozinho através dos livros, a catequese sempre era feita com um instrutor) recebia instrução acerca da doutrina cristã, e tratava de dar mostras em sua vida diária da firmeza de sua fé.

Finalmente, um pouco antes de seu batismo, segundo Gonzalez, era examinado, às vezes em companhia de seus padrinhos, e era admitido na classe dos que estavam prontos para ser batizados. Em geral, o batismo no período apostólico e pós-apostólico, era ministrado uma vez ao ano, na Páscoa, no Domingo da Ressurreição ainda que logo e que por diversas outras razões, começasse a ser administrado em outras ocasiões. Em princípios do século terceiro, os que estavam prontos para serem batizados, jejuavam durante a sexta e sábado, e seu batismo tinha lugar na madrugada de domingo, como na ressurreição do Senhor.

Este precedente histórico deveria fazer nossos líderes condescendentes de hoje pensarem a respeito e considerarem o que estão fazendo. Estão vulgarizando algo que deveria ser feito com restrições a fim de se assegurar minimamente de que alguém que esteja descendo às águas batismais seja legitimamente convertido a Jesus Cristo. Nossa época é mesmo de afrouxamento de padrões. Acredito piamente de que agrada a Deus a postura da liderança em submeter os neo-convertidos a um período de preparo e prova. Não vou declinar sobre o tempo para exercer esta disciplina, mas note que o indispensável é que o novo crente dê provas reais de sua profissão de fé e que seja submetido ao ensinamento, à instrução na nova fé para que ao submeter-se às águas batismais, seja de forma absolutamente voluntária e consciente.

Sabemos que Deus é o único que julga nossos corações. O único que sabe de nossas motivações ocultas. Mas é necessário exercer o discernimento para que possamos nos assegurar de que somente crentes cujos pecados foram perdoados e podem em sã consciência dar um testemunho de sua fé, façam parte da Igreja de Cristo.

O batismo é uma confissão pública de nossa fé em Jesus. É uma das ordenanças do Senhor, juntamente com a ceia. Algo belo e de muita responsabilidade. Proclama nossa identidade com Cristo de forma aberta e visível. Convém pois que os marcos que muitos estão retirando nos dias de hoje, sejam recolocados para o bem da Igreja, que é o Corpo de Cristo. Está escrito no profeta Malaquias: "Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve" (3.18). Por causa deste descuido em admitir de qualquer forma o novo cristão em ser batizado, o mundanismo cresce nas igrejas a cada dia. Até mesmo a ceia do Senhor nestes lugares está perdendo também seu caráter distintivo e exclusivista, porque qualquer um que estiver em um dos cultos em que se estiver celebrando esta ordenança, qualquer um que não conheça a Jesus, pode participar do pão e do vinho. Ora irmãos, pão e vinho falam de comunhão dos salvos com o seu Senhor. É algo exclusivo, assim como a salvação. Ela se dá exclusivamente pela fé em Jesus Cristo e em mais ninguém (Jo 14.6). Na igreja primitiva, no momento da ceia do Senhor, aqueles que ainda não tinham feito profissão de fé em Cristo, eram convidados a se retirar. E nem por causa disso, a igreja deixou de crescer por causa desta restrição, que pode parecer antipática a princípio, mas demonstra claramente as distinções que deve haver entre o santo e o profano (2 Co 6.14-18).

Por tudo isso te conclamo: Pense nisso!




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A dura sina das mães solteiras

Quero com muito carinho, consideração e conhecimento de causa, refletir sobre as mães solteiras. O que me leva a escrever sobre este tema é a situação que muitas ficam após a desilusão amorosa ou qualquer motivo que seja que as levaram a permanecer sozinhas sem seu companheiro. Por outro lado, disse que tinha conhecimento de causa. Sim, pois, eu mesmo sou filho de mãe solteira.

Portanto, sei um pouco por experiência pessoal o que significa ser criado sem pai. De ver uma mãe trabalhar todos os dias para dar de comer ao filho pequeno. Em meu caso, e ainda bem, a minha mãe trabalhava em casa mesmo, pois era cabeleireira, sendo que meu pai ajudou-a a montar seu salão, comprando o que era necessário para este empreendimento. Com isto, penso que compensou um pouco o fato de a ter enganado, mentindo sobre seu estado civil, ou seja, declarando que era solteiro quando a conheceu.

As mães solteiras sofrem duplamente. Primeiro, sentimentalmente. A fragilidade da alma feminina é notória. A Bíblia mesma afirma isso (1 Pe 3.7). Todo homem deveria ter isso em alta consideração. A mãe solteira não encontra o suporte emocional necessário diante do fato de que estará só a criar o filho, fruto do relacionamento que faliu. Em segundo lugar, economicamente. Muitas realmente ficam na rua da armargura, no que tange aos meios para sustentar-se e a seu filho. Então, como usualmente acontece, ela precisa atirar-se ao mercado de trabalho, muitas vezes sem ter uma profissão ou com os estudos incompletos, e aí estará trabalhando muito, com jornadas extensas e com uma remuneração indigna. Enquanto isso, a criança estará sendo criada por outras pessoas, quando o ideal seria em uma família funcional, pai e mãe, numa harmonia realizável (eu disse harmonia, não disse perfeição, pois somos pecadores) conforme o desejo de Deus (Gn 1.26-28; 2.24).

Claro que muitas mulheres nesta condição conseguem sobressair-se e superar a dor de estarem sozinhas com um filho pequeno. Com muito esforço, podem galgar posições profissionais melhores e criar muito bem a seu filho. Mas meu foco está direcionado para aquela que sofre muito nesta condição. De sofrer todos os dias pela falta de um companheiro ideal, de um marido exemplar e amargurar por ter se entregado a alguém que somente a enganou, que a despojou em seus sentimentos. Que usou-a e depois, como um material descartável, lançou-a fora impiedosamente.

Em minha história pessoal, creio que minha mãe sofreu em seu próprio físico os impactos do que venho descrevendo. Nasci quando ela tinha 32 anos. Morreu aos 40. Câncer nos ovários com metástase. Como tinha oito anos na época, não pude discernir porque partira tão jovem. Hoje, acredito que a doença que a matou foi consequência dos sentimentos negativos que certamente guardou em relação ao meu pai. Soube que ela, ao descobrir que ele era casado, quase conseguiu jogar sobre ele uma panela de água fervente. Sendo assim, creio que guardou rancor e ira durante o decorrer dos anos que culminaram na debilitação de seu sistema imunológico e que originou o câncer mortal.

Sei que é difícil falar para mulheres que assim como minha mãe, foram enganadas, foram abusadas de alguma forma. Sei que dizer que deve perdoar e tocar sua vida é muito fácil. O duro é que muitas não superam a realidade da dor e caem na prostituição ou nas drogas, o que é ainda pior, porque não terão condições morais e nem saúde para criarem o filho ou filhos que geraram. Mas elas devem manter a dignidade e romper o elo do desespero e lutar para superar a decepção e criar a criança que deve ser protegida e amada acima de tudo.

Deus vela por todos. Ele olha para os necessitados. Sua Palavra afiança isso de forma clara. Deus orienta taxativamente os israelitas no texto de Ex 22.16: "Se alguém seduzir uma virgem ainda não comprometida, e deitar-se com ela, terá de pagar pelo dote e torná-la sua mulher" (Almeida Séc. 21). Ou seja, era uma ordenança divina que protegia a mulher em casos que são tão comuns nos dias de hoje. A ordem de Deus chamava o homem israelita à sua responsabilidade para que assumisse a consequência plena de seus atos. A exceção estava no verso seguinte, onde é dito que se o pai daquela jovem se recusasse a entregá-la aquele homem, este deveria pagar em prata o dote das virgens, ou seja, indenizar monetariamente a família da jovem pelo seu ato.

Por isso é que a Palavra de Deus orienta de forma tão clara sobre a família ideal. Onde um homem ame sua mulher e esta a seu marido. Que gerem filhos e sejam criados e educados segundo os mandamentos de Deus (Dt 6). Mas muitos ainda não se apropriaram desta receita de vida plena para a família e continuam a desastrosamente experimentar situações que os levarão a tristezas, amarguras e decepções.

Se você, que é mãe solteira e entende que esta palavra breve é para você mesma, tome posse pela fé do que Deus tem para ti. Saiba que acima de tudo, Ele te ama. E deseja te abençoar grandemente. Se você ainda não se rendeu aos pés de Jesus Cristo, faça isso ainda hoje. Porque não importa o que tenha acontecido, os relacionamentos errados que tenham sugado o seu emocional, saiba que Deus ainda espera você de braços abertos. Há perdão em Deus. Ele é um Pai amoroso e jamais negará bem algum aos que andarem em retidão (Sl 84.11).

Pense nisso e seja feliz pela graça de Deus.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Calamidade na serra carioca, reflexões


Estamos diante de uma das maiores catástrofes naturais de nossa história. Que eu tenha notícia, não consigo lembrar de nenhum outro evento natural que tenha trazido tanta destruição, tanta miséria e tanta tristeza aos brasileiros. Estamos estarrecidos com o poder de destruição que os elementos naturais podem trazer sobre a terra. O volume de chuvas que se abateu sobre o estado do Rio de Janeiro, foi tão grande que contribuiu para um enorme deslocamento de terra por meio das avalanches e soterrou casas e trechos das cidades, além dos rios que aumentaram sua vazão, saindo de seus leitos e também matando, ferindo e desabrigando muitas pessoas.

A Região Serrana do Rio de Janeiro com suas três principais e maiores cidades, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo foi castigada de forma intensa pelos temporais. Dessas três cidades, reputo como a mais atingida, a que mais teve sua região urbana desfigurada, a cidade de Nova Friburgo. A lama tomou conta de tudo. A cidade, de colonização suíça e alemã, atraente e bonita, com um clima agradável, está irreconhecível. A população de Nova Friburgo em sua maior concentração, não está no centro da cidade, mas sim nos bairros. E muitas dessas pessoas estão isoladas devido à interrupção das estradas por deslizamentos de terra, árvores e detritos.

Comentamos em postagens anteriores sobre estes fenômenos catastróficos da natureza e que causam tantos prejuízos de vidas e materiais. Por falta de planejamento na ocupação da área urbana, muitos hoje estão sem suas casas, por conta dos deslizamentos que ocorreram. Não se tem feito um planejamento adequado para a ocupação de determinadas áreas, some-se a isso a dificuldade econômica que muitos possuem para adquirir um terreno e construir sua casa em local seguro, além dos custos da construção, e temos aí uma situação que se perpetua em muitos lugares do Brasil.

Ano passado ocorreram as calamidades de Angra dos Reis, em Niterói e na região metropolitana de São Paulo. Em todas elas está evidenciada a falta de planejamento urbano. A falta de compromisso das autoridades em fazer com que o perímetro urbano seja ocupado de forma racional e sustentável.

É fácil dizer aos quatro ventos, como muitos cristãos fazem, de que tudo isto é castigo de Deus, por causa da pecaminosidade humana. Concordo em parte. Senão vejamos: Jesus mesmo disse sobre os acontecimentos que antecederiam sua segunda vinda e nestes estão inclusos catástrofes naturais (Mt 24; Lc 21). Porém, não se pode esquecer que estas catástrofes podem acontecer pela irresponsabilidade humana, pela falta de planejamento como dissemos acima. Mas dizer que Deus está simplesmente punindo, está mandando chuva para arrebentar com todo mundo, é desconhecer o amor daquele que disse, "eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10.10).

Logicamente que o Juiz de toda a terra punirá o pecador. A Bíblia deixa clara esta verdade. E para alguns, a punição para o pecado pode de fato vir antecipadamente como lemos em 1Tm 5.24, ou, como diz este mesmo texto, pode vir depois. Em Eclesiastes, Salomão escreveu assim: "Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal. Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temem diante dele. Porém o ímpio não irá bem, e ele não prolongará seus dias, que são como a sombra; porque ele não teme diante de Deus" (Ec 8.11-13).

Estou neste momento ponderando sobre este tema, a punição dos pecadores, porque a primeira coisa que vem à nossa cabeça é sobre o juízo de Deus sobre os ímpios. Claro está que o pecado não ficará impune. Mas evidente está igualmente de que Deus tem prazer na misericórdia. Neste exato instante, todos os filhos de Deus, todos os que Lhe servem, que tem um compromisso com a verdade do Evangelho, podem exercitar a misericórdia de várias maneiras para os flagelados dessa calamidade.

A grande verdade é que, para esta hora, a ênfase é esta: tempo de exercitar misericórdia! Este é o ideal. Este é o foco. Ficar cogitando, como muitos fazem, "mas porque Deus permitiu que tal coisa acontecesse?" esta pergunta é indevida para nós. A pergunta certa é "de que forma posso contribuir para minorar o sofrimento de tantos? Como posso ajudar?" Este deve ser o nosso alvo supremo.

Mantenho outro blog, o Blog do Discípulo, e estou escrevendo um estudo semanal sobre o discípulo e a aplicação diária da cruz. E hoje falei o segundo aspecto que é exatamente a misericórdia. Esta é a senha do cristão para estes dias. Misericórdia. Pelos órfãos, pelos feridos, pelos desabrigados, pelos famintos. Misericórdia, misericórdia.

Pelo volume de chuvas, pela intensidade de avalanches de terra e lama na região e pela destruição consequente, realmente estes acontecimentos desta semana estão reputados como o maior desastre natural já ocorrido em nosso país. Prejuízos em vidas humanas perdidas, em feridos, desabrigados, órfãos e famintos. O QUE EU E VOCÊ PODEMOS FAZER PARA EXERCITAR A MISERICÓRDIA NESTA HORA?

A Deus seja dada toda honra e toda a glória. Nosso Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo é digno de toda nossa adoração. Ele sabe todas as coisas. Tudo lhe está sujeito. Nada foge ao seu domínio. Todas as coisas estão debaixo de Seu soberano controle. Sendo assim, devemos ter a atitude corretíssima do patriarca Jó, que diante da calamidade que acabara de se abater sobre ele, morte de filhos e perdas materiais, disse: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1.21). E ainda depois, quando Deus permitiu que Satanás tocasse nele, ainda assim, embora instigado por sua mulher para que amaldiçoasse a Deus, Jó não pecou e disse sem titubear: "Como qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberemos o mal?" (Jó 2.10). E o texto ainda diz que em tudo isso, Jó não pecou com os seu lábios.

Portanto, convencido estou pela Palavra de Deus, que tudo acontece segundo os desígnios divinos. A nós não cabe questionar o que Deus faz ou deixa de fazer. Mas sim, detectar o que se passa diante de nós e agir de maneira adequada. Como crentes em Jesus precisamos ter este discernimento. Senão, sempre estaremos a cogitar qual será a próxima calamidade que Deus enviará sobre a terra para punir este bando de gente que não quer ouvir a mensagem do Evangelho que todos os dias pregamos de várias formas.

Se você lê a Bíblia, deve saber que haverá um período futuro na história humana onde o Senhor enviará de forma intensa e contínua vários juízos sobre a terra. Será no período da Grande Tribulação onde a terra estará sob o governo do Anticristo. E o que é interessante, é que os textos em Apocalipse que demonstram estes acontecimentos futuros, falam igualmente que, mesmo assim, no dia da ira de Deus (Ap 6.17) o homem, se quiser, poderá arrepender-se de seus pecados e converter-se ao Senhor. Ou seja, mesmo em meio ao juízo, Deus exercerá sua inigualável e inexplicável misericórdia (Ap 9.20,21; 16.9,11,21). E haverá também, o dia do Juízo Final, onde, ali sim, a sentença já estará lavrada, não haverá então mais espaço para arrependimento, para considerações sobre uma vida vivida sob o signo do pecado. Ali o Senhor, infalivelmente, condenará todos os ímpios de todas as épocas e lugares e todas as classes sociais ao Lago de Fogo, preparado para o diabo e seus anjos (Ap 20.11-15).

Deus então nesta hora, nos convida para que vivamos de maneira sábia e de acordo com Sua vontade. Deixemos então de lado tolas especulações e nos concentremos no que é realmente importante. Fazer as obras que Deus preparou para nós realizarmos conforme Ef 2.10: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."

Amado irmão e servo de Cristo, pense nisto!






quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Extremistas norteamericanos e seu ódio desprezível


No primeiro sábado deste ano de 2011, um elemento atirou contra a deputada Gabrielle Giffords do Partido Democrata num estacionamento de supermercado em Tucson no estado americano do Arizona, ferindo-a gravemente na cabeça, matando seis pessoas, dentre elas uma menina de nove anos e deixando além da deputada, outras doze pessoas feridas.

Segundo Cristina Soreanu Pecequilo, "Motivações diversas, que perpassam o tecido social norte-americano, e que representam sentimentos de inadequação social, perda de lugar no mundo, medo da diferença, valorização da força, culto às armas e a paradoxal junção nacionalismo-antigoverno, permeiam mais este episódio. Seja na esfera política, como na social, a válvula de escape norte-americana é representada por eclosões periódicas de violência" Fonte: http://www.brasilianas.org/blog/sergio-jose-dias/tragedias-americanas-uma-analise-do-atentado-de-tucson

A autora expressou muito bem o espírito de muitos norteamericanos que não aceitam que seu tradicional modus vivendi seja questionado e muito menos modificado. Muitos desses cidadãos valorizam extremamente sua cultura, sendo nacionalistas e xenófobos em mais alto grau. Crêem que devem opor forte resistência a todos que queiram violar seus valores e o maior alvo de seu ódio contra os que querem inserir ou propor mudanças é o governo federal. A deputada Giffords era fortemente criticada pela oposição republicana (pertencem ao Partido Republicano todos estes radicais nacionalistas norteamericanos) porque suas ideias iam de encontro aos valores destes americanos ultraconservadores. Ela já havia sido ameaçada algumas vezes. Inclusive, ela divergia da política do estado do Arizona que resolveu endurecer contra os imigrantes ilegais tendo aprovado uma lei em 2010 para abordar, interrogar e deportar pessoas suspeitas de serem imigrantes ilegais.

Ainda segundo Pecequillo, "estas manifestações possuem a mesma raiz: a insatisfação dos que perpetram a violência com o que percebem como violações do modo de vida americano e que desejam a volta a um passado idealizado republicano no qual cada um era responsável por sua vida, segurança, educação e religião. A intervenção do Estado na vida do cidadão, as teorias conspiratórias que opõem o homem simples a um Executivo poderoso e onipresente, alimentam a polarização...".

O perigo que perpassa a sociedade americana como um todo está exatamente nestes elementos desequilibrados, eles são muitos, a referida autora cita três casos em anos anteriores que tiveram grande repercussão e que envolveram pessoas com um perfil de forte oposição ao governo federal como David Koresh em Waco, Texas, 1993, que liderava uma seita religiosa que se opunha às autoridades; Oklahoma City em 1995 atentado contra um prédio federal, atribuído a um opositor do governo, Timothy McVeigh, ligado a grupos fundamentalistas brancos; Columbine, 1999, quando Eric Harris e Dylan Klebold, que manifestavam ódio contra toda forma de autoridade, atiraram contra colegas estudantes e professores.

É assombroso constatar como periodicamente acontecem em território americano eventos macabros como estes em que um sujeito, portador de uma arma (nos EUA todos podem com facilidade adquirir e portar armas de fogo), invade locais públicos e atira contra pessoas sem nenhum pudor. Os Estados Unidos consideram ter muitos inimigos externos como a Al Qaeda, o Irã, a Coréia do Norte, etc, mas na realidade estão com muitos inimigos dentro de suas próprias fronteiras e que periodicamente manifestam todo o seu ódio represado contra governantes e governados como no caso de Tucson no dia 8 de janeiro.

O país que é exemplo de democracia e direitos humanos, que já teve uma pujante economia mas que dá sinais de decadência também neste aspecto, precisa rever urgentemente seus maiores e mais preciosos valores, posto que estão baseados na Palavra de Deus. Gerações de norteamericanos conviveram com um relativo consenso entre seus pares, em que pese mazelas como a escravidão e o racismo. Hoje, há fendas que se aprofundam no tecido social americano. E uma delas é o desprezível e abominável método de resolver as coisas através das armas, tirando a vida de tantos inocentes, homens, mulheres e crianças.

Mas, o que não deveremos deixar de mencionar é aquilo que não aparecerá na mídia: a indiferença espiritual para com Deus e Seus caminhos. Muitos norteamericanos dizem que crêem em Deus, que crêem na Bíblia e em Jesus Cristo, mas em verdade, não fazem o que o Senhor manda (Sl 50.16-22). Esta é a causa principal para o que vemos crescer a cada dia, um estado de tensão e de beligerância contra pessoas e intituições do governo e que tem desembocado em violência como muitos mortos e feridos em todas as faixas etárias e classes sociais.

Podemos orar pelos Estados Unidos, para que Deus dê um reavivamento para aquela tão grande e significativa nação. Que muito contribuiu em todos os aspectos para a humanidade, no passado e no presente, gerando admiração em tantos. Mas que também despertou ódio e hostilidade contra si por causa de ações imperialistas e equivocadas, também ontem e hoje de tal forma que em muitos lugares do mundo, se descobrirem que determinada pessoa que ali esteja é cidadã norteamericana, pode ser imediatamente hostilizada e morta.

Não somos antiamericanos. Mas também não idolatramos este admirável país. Preferimos ter uma postura de servos de Cristo, que oram, que intercedem, a fim de que muitos ali, que são extremistas e terroristas contra seu próprio país, contra seus próprios compatriotas, possam ouvir a verdade do Evangelho e entregarem-se a Cristo e possam seguir o que disse o apóstolo Paulo, "....vos afasteis dessas práticas inúteis e vos volteis para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo que há neles" (At 14.15b, Almeida Séc. 21).

Pensemos nisto e oremos pelos norteamericanos, amém!

domingo, 9 de janeiro de 2011

As visões religiosas do mundo e a missão cristã


É notório que existam três principais visões religiosas em nosso mundo, teísmo, panteísmo e ateísmo. No teísmo, compreende-se que Deus fez tudo o que existe. No panteísmo, Deus é tudo o que existe, e no ateísmo não se crê na existência de um Deus pessoal.

Nós, teístas e cristãos, temos bem firmada a convicção de que existe um Deus que é pessoal e que criou tudo o mais o que existe. Ele é infinito e pessoal (triúno), transcendente e imanente, onisciente, soberano e bom. As implicações e desdobramentos de cada uma dessas proposições, nos proporcionarão um quadro seguro, conforme o ensino da revelação de Deus, a Bíblia Sagrada, de um Ser Todo-Poderoso que com sabedoria, do nada trouxe à existência todas as coisas (Hb 11.3), e em especial ao homem de acordo com Sua própria imagem e semelhança (Gn 1.26).

Aqueles que professam a visão religiosa do panteísmo (como os hindus, alguns budistas e a Nova Era), descartam a pessoalidade de Deus, pois acreditam que Deus é tudo o que existe. Deus é o cosmo, Deus é tudo, nada existe que não seja Deus. Não existe distinção alguma entre os componentes do universo, este é Deus e Deus é cada componente deste universo. Ele não é diferente ou separado do universo. Deus é tudo quanto existe e tudo quanto existe é Deus.

Para os ateístas, não existe nenhum tipo de Deus. Pessoal ou impessoal, para eles, o universo sempre existiu. Não foi obra de um Criador pessoal. A matéria existe eternamente e é tudo o que existe. Deus não existe. O universo é um sistema fechado, não estando aberto para nenhuma intervenção externa, ou um Ser transcendente pois não existe nenhum ser desta natureza. Acreditam que nada vem do nada pois alguma coisa existe. E consideram que isto que sempre existiu não é o Criador transcendente, mas a própria matéria do cosmo. A matéria sempre existiu.

Este pequeno resumo das três principais visões religiosas do mundo, deveria levar-nos a refletir sobre o estado da humanidade. Quantos seriam os seres humanos que se professam teístas? Quantos se encaixam na visão panteísta? E quanto aos ateus, seriam muitos hoje?

Para a fé cristã, em sua missão de levar o Evangelho a todas as pessoas dentre todas as etnias, conhecer a cosmovisão de um indivíduo ou de um povo inteiro, pode ser a chave para uma evangelização mais eficaz. Mesmo dentre aqueles que, como nós, professam a crença monoteísta em um Deus pessoal e único como os judeus e os muçulmanos, deve-se pensar em como alcançá-los com o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Os judeus não aceitam a divindade e a messianidade de Yeshua (Jesus), continuam aguardando o advento do messias de Israel. Os muçulmanos por sua vez, também não acreditam de Jesus seja o Filho de Deus e de que tenha ressuscitado dentre os mortos. Acreditam que Jesus foi um profeta mas não tão grande como Maomé.

Se dentro da visão religiosa teísta existem estes desafios (isto para não mencionar o nominalismo, isto é, aqueles que se dizem cristãos, mas não experimentaram a realidade do novo nascimento, ou se assim aconteceu, vivem de maneira aquém do que preconiza a Palavra de Deus), que dirá dos outros dois grupos que mencionamos, os panteístas e os ateus. Os panteístas nestes últimos quarenta anos, aumentaram grandemente seu contigente, por causa da Nova Era, que não chega a ser uma religião organizada, mas é um grande guarda-chuva de ideias místicas e filosofias orientais. A visão de mundo hindu, por exemplo, invade nossas ruas e cidades através de movimentos como os Hare-Krishnas ou através da prática da Yoga que é totalmente assentada sobre a base da visão de mundo panteísta dos hindus.

Quanto aos ateus, diríamos que têm se organizado através de um recrudescente fundamentalismo por meio de seus ardorosos defensores como Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e outros. Através de seus livros (Deus, um Delírio, A Ideia Perigosa de Darwin, A Morte da Fé) estes autores procuram denegrir a visão de mundo teísta e principalmente a fé cristã evangélica. Afirmam sem rodeios de que sua visão de mundo é a correta e que crer em Deus é pernicioso, é anti racional. Dizem que a ciência refutou as ideias teístas e que as religiões por si só são maléficas para a humanidade.

Não declinaremos com mais profundidade sobre os desdobramentos desta forma de pensar, mas queremos chamar a atenção com esta reflexão sobre a grande necessidade que a Igreja de Cristo têm de refletir profundamente sobre sua missão no mundo e o estudo destas visões religiosas com mais inteireza a fim de que possa desempenhar melhor seu trabalho na seara do Senhor. A batalha da fé se dá fundamentalmente no campo das ideias. O apóstolo Paulo declinou com bastante propriedade sobre isto ao dizer em 2 Co 10.4,5: "Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas, destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo."

A missão cristã no mundo sofre porque muitas vezes não há uma reflexão na Igreja ou entre os cristãos sobre como aqueles que não conhecem a Jesus Cristo pensam. É importante, é relevante entender o pensamento deles a fim de que o Evangelho seja apresentado com mais acuidade. Isto é fundamental, uma compreensão mais competente e profunda de como os povos sem Cristo pensam, de como é sua visão de mundo particular.

O desejo de Deus é de que Seus filhos se equipem de Seu Espírito mas também que busquem o conhecimento em geral para poderem ministrar a este mundo sobre a verdade do Evangelho. Abaixo portanto o antiintelectualismo de tantos na comunidade cristã que insistem que o crente não precisa estudar, de que deve ler somente a Bíblia (e quando a lêem de fato), não sendo necessário nenhum outro tipo de literatura ou estudo complementar.

Que possamos estudar com afinco as ciências humanas para podermos ministrar mais eficazmente a este mundo. Que conheçamos muito melhor a forma de pensar das pessoas no mundo pelas quais Cristo morreu. Que o povo de Deus não seja alienado. Alienados já bastam os que não conhecem a Jesus.

Cristão amado, pense nisto!


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A suave escravidão da moda


As mulheres precisam andar na moda! Quem já não ouviu, ou pronunciou esta frase? Nos dias de hoje há uma preocupação demasiada com a aparência exterior. Esta torna-se a prioridade de vida de muitas mulheres. Precisam estar constantemente "antenadas" com as últimas tendências de roupas, calçados, penteados, cosméticos e acessórios. Temem ser taxadas de "cafonas" se não acompanharem os últimos lançamentos do mundo "fashion". Mas isto não soa estranho à nossa consciência cristã?

Sim, porque a Palavra de Deus ensina que a ênfase da mulher cristã (e o homem também) deve recair sobre a aparência interior. Observe o que dizem os textos de 1Tm 2.9,10: "Do mesmo modo, quero que as mulheres se vistam com decência, modéstia e discrição, não com tranças, nem com ouro ou pérolas, nem com vestidos caríssimos, mas que se vistam de boas obras, como convém a mulheres que afirmam servir a Deus" (Almeida Séc. 21) e também 1Pe 3.3,4: "O que vos torna belas não deve ser o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, as jóias de ouro ou o luxo dos vestidos, mas sim o íntimo do coração, com um espírito gentil e tranquilo, que não perece e tem muito valor diante de Deus" (Almeida Séc. 21).

Os apóstolos Paulo e Pedro, da parte do Espírito Santo, ensinam a verdadeira prioridade: o enfeite interior, a edificação do caráter, a beleza de uma consciência pura, o temor a Deus no coração. Estas são as melhores "roupas" que o homem e a mulher de Deus devem trajar. Em Efésios, Paulo diz: "Se é que de fato o ouvistes, nele fostes instruídos, conforme a verdade que está em Jesus, a vos despir do velho homem, do vosso procedimento anterior que se corrompe pelos desejos maus e enganadores e a vos renovar no espírito da vossa mente, e a vos revestir do novo homem, criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade" (4.21-24, Almeida Séc. 21) e igualmente em Colossenses 3.12-14: "Então, como santos e amados eleitos de Deus, revesti-vos de um coração cheio de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando e perdoando uns aos outros; se alguém tiver alguma queixa contra o outro, assim como o Senhor vos perdoou, também fazei. E, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição" (Almeida Séc. 21).

Note que o ser humano estava "vestido" com a indumentária do pecado, mas agora lhe é ordenado para que seja "revestido" (vestido de novo, uma nova roupagem) com o caráter e os atributos existentes em Jesus Cristo, nossa referência e nosso supremo padrão. Justiça, santidade, misericórdia, compaixão, benignidade, humildade, mansidão, longanimidade (paciência), perdão, amor. Isto vai em rota de colisão ao padrão mundano que incentiva e estimula como prioridade à beleza exterior. A mulher e o homem de Deus são chamados para que tenham uma bela aparência interior, que é de grande valor para com Deus (1Pe 3.4).

A moda do mundo escraviza os seres humanos à concupiscência do coração humano. Escraviza de forma suave porque é, em princípio, algo agradável a todos ter uma bela aparência. Não é pecado o cristão trajar-se bem. Andar limpo e bem arrumado, além de honroso a Deus, reflete também a beleza interior do qual já é possuidor. Mas, investir pesadamente na aparência corporal, física e não dar a prioridade à sua vida com Cristo, ao seu coração, à sua vida interior, é pecado porque subverte a verdadeira e única prioridade: Deus acima de todas as coisas, como disse Jesus (Mt 22.37,38).

A pressão que todos nós sofremos nos dias de hoje para que nos conformemos ao mundo, aumenta a cada instante e dentre suas "notórias prioridades" que praticamente é de grande estima a todos os que não conhecem o Senhor é justamente culto à aparência exterior. Este comentário estende-se também os que malham em academias, não que isto não traga benefícios no que tange à saúde física, também não se descarta a melhoria da estima de alguém que dia a dia vê seu corpo ser esculpido onde antes tinha uma avantajada barriga ou aqueles pneuzinhos antiestéticos. O problema é quando a atividade física torna-se um verdadeiro "culto" onde a pessoa não pensa em outra coisa ou dedica-se em demasia à atividade física. Como sempre, Deus nos adverte em Sua Palavra: "Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e dá que há de vir" (1Tm 4.8).

Podemos parafrasear o apóstolo Paulo substituindo a expressão "exercício corporal" por "moda". Veja que estará totalmente de acordo com o que abordamos acima, com as virtudes que deveríamos enfatizar, a verdadeira piedade em si, que é algo que realmente nos é proveitoso não só na vida que ora desfrutamos pela graça de Deus aqui, como na que haveremos de usufruir no futuro quando estivermos para sempre na presença bendita do Senhor Deus.

Não sejamos portanto, mulheres ou homens, escravos da moda vã e passageira. Vista-se com modéstia. Arrume-se com decência. Seja bonita, mulher de Deus, seja elegante servo do Senhor! Porém não esqueçam do que diz a eterna Palavra de Deus: "Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos (ou, escravos) dos homens" (1Co 7.23).

Convém lembrar que muitos só estão com sua estima "em alta" se estiverem trajando o último lançamento da estação. Lamento dizer que você que assim faz gastará de maneira vã seu dinheiro para sempre atualizar-se e nunca irá plenamente se satisfazer, mas sua frustração aumentará sempre porque determinado está pelo Senhor que sua satisfação, sua alegria, seu prazer, sua plenitude de vida somente será encontrada num relacionamento vivo com Jesus Cristo.

Amiga (e amigo), pense muito bem sobre isso.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um futuro novo, não apenas agora


Cá estamos nós em 2011. Escrevo pensando sobre novas coisas. Coisas novas que sempre repovoam nossa mente no alvorecer de cada ano que se inicia. Todos nós esperamos, por exemplo, há seis meses atrás que 01 de janeiro de 2011 chegasse. Esperávamos então, pelo futuro. Pois bem, o futuro chegou, alegremo-nos pois! Entretanto, tudo a nosso redor parece continuar da mesma forma, exceto pela mudança do calendário, não é mesmo?

O crente em Jesus Cristo sabe muito bem que, glória a Deus por isso, terá um futuro de deslumbrante sublimidade que está lhe aguardando. Um futuro que será com a a certeza que a Palavra de Deus nos afiança, de coisas verdadeiramente novas. Novos céus e nova terra (Ap 21.1), novos corpos (1Co 15.50-54) sendo esta a nossa nova condição humana pelo retorno de nosso Senhor para buscar Sua Igreja (1Ts 4.13-17). E que expectativa nos enche o apóstolo Paulo o coração: "Mas como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam" (1Co 2.9).

Sempre devemos considerar estas santas expectativas porque isto nos anima, isto nos mantém no rumo certo, faz com que ainda mais busquemos a santidade de vida. Mui facilmente nos desviamos entre as tentações da vida presente e esquecemos de nossa santa vocação (Ef 4.1). O futuro do cristão, à luz da Palavra de Deus, é verdadeiramente glorioso. Satanás tudo faz para que desanimemos, para que percamos o foco, para que passemos a olhar para as veleidades desta vida.

Desta forma, ainda mais queremos assumir o compromisso solene diante de Deus, de ser-Lhe fiel. De cuidar de nossa vida diante d'Ele para que não venhamos a chegar a comer as "bolotas dos porcos" (Lc 15.16) que o Inimigo gostaria que nos alimentássemos. Devemos aproveitar esta mudança de calendário e renovar nosso compromisso com o Senhor. Mais um ano se inicia e nos regozijamos pela bondade do Senhor em nos trazer até aqui. Verdadeiramente podemos dizer, até aqui nos ajudou o Senhor.

Projetos, expectativas, visões, planos, realizações, mudanças, estas palavras normalmente estão em nosso vocabulário neste início de jornada. Eu diria a esta altura, de que devemos nos lembrar do que está escrito em Hebreus 12.2 onde o autor diz claramente de que devemos conservar nosso olhar fixo em Jesus Cristo. Ele é o nosso alvo. Ele é a nossa meta. Ele é o próprio futuro glorioso que nos aguarda porque o encontraremos para ficar para sempre em sua amorável companhia.

Desejo a todos os irmãos então estas santas expectativas para 2011. Esteja você no início de sua vida cristã ou se já é um veterano, de toda forma, o Senhor espera que sejamos encontrados fiéis em todo tempo, para que este futuro realmente se concretize em nossa carreira.

Não se esqueça jamais que o Senhor é poderoso para fazer novas todas as coisas. Não considere seu compromisso com Ele defasado, ultrapassado. Peça-lhe que sejas renovado. E pise firme o chão do caminho estreito que Jesus disse para caminharmos.

Pense nisso. E feliz Ano Novo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

É bom parar agora para avaliar a vida com Deus......


Nada melhor para qualquer um de nós que servimos a Deus de fazer uma avaliação sincera de nosso andar com Ele, aproveitando o término de 2010. Leia o que vem a seguir e que isto possa ajudá-lo, caso estejas vacilando em sua comunhão como o Senhor.

Como estamos diante d'Aquele que vê a tudo e a todos (Hb 4.13)? É sincero e reto nosso coração para com nosso Deus (Jó 1.8; 2.3)? Estou procurando andar com sinceridade diante d'Ele em minha casa, não colocando coisa má diante de meus olhos (Sl 101.2,3)? Estou andando sinceramente, praticando a justiça e falando a verdade em meu coração (Sl 15.2)? Se vejo um ladrão, consinto com o que ele faz (Sl 50.18)? Tenho soltado minha boca para o mal e a minha língua tem composto o engano (Sl 50.19)? Tenho falado mal de meu irmão, de meu semelhante (Tg 4.11)? Afinal, estou sendo amigo de Deus ou amigo do mundo (Tg 4.4)?

Estou me sujeitando a Deus e tenho procurado resistir ao diabo (Tg 4.7; 1Pe 5.8,9)? Estou dando lugar ao diabo (Ef 4.27)? Estou falando palavras torpes (Ef 4.29)? Minha mente está sendo renovada diariamente perante Ele (Rm 12.2)? Estou de fato apresentando meu corpo para ser sacrifício vivo ao Senhor (Rm 12.1)? Estou me comunicando com as obras infrutuosas das trevas ao invés de condená-las (Ef 5.11)? Tenho procurado a prostituição, impureza ou cobiça, coisas essas que nem deveriam ser mencionadas (Ef 5.3)? Tenho também, de forma inconveniente para um cristão, falado indecências, conversas tolas, gracejos obscenos (Ef 5.4)? Tenho me despojado da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, enfim, das palavras torpes em minha boca (Cl 3.8)? Tenho praticado a mentira (Ef 4.25; Cl 3.9)?

Estou realmente abstendo-me de toda aparência do mal (1 Ts 5.22)? Estou ponderando em trilhar o caminho estreito como disse o Senhor Jesus (Mt 7.13,14)? Amo de fato os meu inimigos, bendigo os que me maldizem, faço bem aos que me odeiam e oro pelos que me maltratam e me perseguem (Mt 5.44)? Estou vigiando e orando para não entrar em tentação, visto ser a carne irremediavelmente fraca (Mt 26.41)? Estou procurando pensar nas coisas lá do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus (Cl 3.1)? Como despenseiro dos mistérios de Deus, tenho sido encontrado fiel (1 Co 4.1,2)? Tenho tido invejas e também entrado em contendas e dissensões (1Co 3.3)? Tenho procurando andar em Espírito e assim não cumprir nenhuma das concupiscências da carne (Gl 5.16)? Estou usando da liberdade que tenho em Cristo para dar ocasião à carne (Gl 5.13)? Tenho crucificado minha carne com suas paixões e concupiscências (Gl 5.24)? Além da prostituição e da impureza, tenho procurado eliminar também de minha vida, a paixão, o desejo mau, e a avareza que é idolatria (Cl 3.5)?

Amado irmão, estes são alguns exemplos a fim de podermos fazer uma auto-avaliação diante de nosso Senhor. A Bíblia diz que devemos sim fazer um auto-exame: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados" (2Co 13.5).

"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tg 4.17). Corremos perigos sim em nossa vida espiritual. Cristãos há que acreditam que o homem, uma vez salvo por Jesus, pode ficar tranquilo, ele nunca se perderá. Isto não é verdade. Claramente, cometendo pecado, ou seja, não fazendo o bem, ele se expõe, no caso de continuar desta forma, sem arrependimento, confissão e abandono do pecado (1Jo 1.9; Pv 28.13) a perder-se eternamente. Os exemplos do povo de Israel no deserto (1Co 10.1-13; Hb 3.1-19) são mais do que suficientes para esclarecer esta questão. Está escrito em Rm 6.1,2: "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?"

"Mas cada um é tentado quando atraído e seduzido por seu próprio desejo. Então o desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, após se consumar, gera a morte" (Tg 1.14,15 - Almeida Séc. 21). Está dentro de mim e dentro de você um coração mau e pecaminoso (Hb 3.12). Temos uma natureza decaída. Jesus disse com exatidão como é o interior do homem e afirmou que estas coisas imundas, perversas e perniciosas são as que contaminam o homem perante Deus (Mt 15; Mc 7). Daí a importância crucial de purificação. Deus fala através de Isaías: "Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo" (Is 1.16.17a). É imperiosa esta necessidade da limpeza espiritual em nossa vida.

Deixo esta reflexão, confessando porém que em muito do que está acima descrito, eu mesmo me enquadro. Tenho a minha cota de pecados. Preciso me consertar com Deus antes de entrar o novo ano. Quero trilhar novamente o estreito mas seguro caminho da fé em Jesus. E quero também perseverar na excelência de uma vida de renúncia pessoal. Gosto muito desta passagem em Isaías 32.8 na versão de Almeida Revista e Atualizada: "Mas o nobre projeta coisas nobres e na sua nobreza perseverará." É exatamente isto que almejo para o novo ano: viver em nobreza de alma, nobreza de pensamentos, projetando coisas nobres, belas, santas e sublimes, ficando cada vez mais longe do pecado e me achegando a Deus. Vivendo por Ele e para Ele, em santidade, vivendo em função única e exclusiva de Seu Reino, apressando o retorno de Jesus Cristo na anunciação do Evangelho e ajudando a edificar um povo Seu, especial, zeloso de boas obras (Tt 2.14).

É isto enfim que almejo. Impossível? Utopia? Nada disso. É perfeitamente factível. Basta crermos no Senhor e andarmos de fato com Ele. Como disse o apóstolo Paulo: "E o Senhor me livrará de toda má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém" (2 Tm 4.18).

É assim que você deseja entrar em 2011? Então obedeça ao Senhor e junte-se a outros que como você assim também o farão. Garanto-lhe que é este exatamente o meu caso.

Pense nisso. E seja feliz com Jesus hoje e sempre. Amém!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A humildade e submissão de Cristo que a Igreja deveria ter


Hoje é dia 24 de dezembro de 2010 e em todo o mundo cristão comemora-se o nascimento de Jesus Cristo. Natal. Recordamos Seu nascimento humilde e despojado em uma estrebaria de Belém, e tudo o mais que cerca seu primeiro advento entre a humanidade. O Deus conosco, o Emanuel esteve entre nós para que consumasse a obra de salvação em nosso favor. Em tudo, desde seu nascimento, seu crescimento, seu ministério e vida adulta, sua paixão, morte e ascenção cumprindo muitas profecias do AT, podemos fazer um comparativo com a própria Igreja que ele fundou. Uma comparação que demonstrará muitas diferenças, apesar de a Igreja ser o Corpo de Cristo, conforme o NT (e.g. 1 Co 12.27; Ef 5.23).

O que exatamente queremos dizer com isso? É que o Senhor Jesus, por toda sua vida permaneceu humilde, santo e submisso ao Pai que o enviara (Jo 8.55). Todavia, com Sua amada Igreja, pela qual Ele deu Sua vida, não aconteceu da mesma forma. A Igreja de Jesus em seu começo realmente trilhara um caminho de humildade e submissão ao Senhor. Durante seus primeiros duzentos anos, com muita perseguição em seus calcanhares, os grupos de cristãos dispersos pelo Império Romano e a exemplo do apóstolo Paulo, combateram o bom combate e guardaram a fé (2 Tm 4.7) e completavam a carreira na maioria da vezes martirizados, sendo reputado isto pelo apóstolo Pedro como glorioso (1 Pe 3.13-17; 4.12-16).

Ser crente em Jesus nestes primeiros anos significava uma existência sobressaltada. Significava viver sem ter moradia certa, em perigos no campo e na cidade, em passar fome, frio e nudez. E em serem caluniados, atribuindo as autoridades constituídas todo o mal na sociedade aos seguidores do Nazareno e com isso sendo marginalizados cada vez mais. Muitos poucos escapavam de tudo isso. Mas a despeito deste panorama tão sombrio (aos olhos humanos), a Igreja crescia cada vez mais. Muitas pessoas de todas as classes sociais entregavam suas vidas a Jesus e o Evangelho transformava muitos dos antigos perseguidores em dedicados servos do Senhor Jesus.

Até aqui há uma semelhança com o próprio Jesus, no tocante à submissão a Deus e a humildade de vida. Era assim que a Igreja vivia nestes anos em que nem templos, que em nossa época está associado ao "ser igreja de Cristo", existiam. A Igreja de então se reunia nas casas, em cavernas, campos abertos ou qualquer outro lugar em que pudessem estar "dois ou três reunidos em Seu Nome". Perseguidos, sem status de cidadãos, marginalizados e martirizados, entretanto conservava a Igreja a santidade de uma vida pura e vivida realmente de acordo com o padrão do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, vieram tempos de cessar a perseguição, de pararem a mortes, de terminarem as mentiras das acusações infundadas contra os crentes em Jesus. Se no princípio a ascendência do Cristianismo foi insignificante, nestes novos tempos, a partir da "conversão" do imperador Constantino em 312, cessadas as perseguições, começa a fé cristã a galgar um destaque que antes não possuía. Muitos, principalmente das elites, começam a aceitar a fé em Cristo e lentamente começa a mudar a face da Igreja que antes "não tinha beleza nem formosura" (Is 53.2) assim como Jesus Cristo.

Passa o poder a ser cortejado e desejado na Igreja. A soberba toma lugar da humildade antes tão evidente em meio às perseguições. Posições de autoridade, ascenção na hierarquia eclesiástica (o clero) com um certo distanciamento dos demais cristãos. Prédios são construídos como lugares oficiais de culto. Torna-se desejável a pompa, os aparatos do clero, as aparências tão somente. Aquela primitiva comunidade de adoradores do Cristo ressurreto passa a dar mais valor a tudo isso e semelhantemente à tomada da arca pelos filisteus em 1 Sm 4.21, também foi-se a glória da Igreja por causa da aceitação do mundo e seus valores corrompidos e contrários ao Espírito de Cristo.

Tudo tornou-se diferente. Antes a resignação aos propósitos de Deus. Agora, a soberba em desejar o domínio sobre tudo e sobre todos, à revelia do conselho divino. Com o fim do Império Romano e o começo da Idade Média, o poder papal fica fortalecido e como consequência a Igreja que toma o nome de Católica Romana, realmente toma o lugar formado pelo vácuo pela queda do Império. Ela torna-se na verdade o grande poder que dominou este período da história, domínio este que infelizmente não se traduziu em almas salvas e ganhas para o Reino de Deus (com honrosas exceções) mas em exaltação de valores humanos contrários aos valores de Cristo.

À medida que a Igreja se afasta de imitar a Cristo como sempre deveria ter continuado a ser como nos primeiros anos de sua existência, afasta-se para mais longe da verdade doutrinária com as muitas invenções que papas e concílios introduzem no bojo do ensino cristão. Não houve uma mudança que deformou totalmente as doutrinas bíblicas, mas as que se efetivaram, foram suficientes para abrir um fosso de separação entre a fé dos primeiros anos e o que se aceitava como conteúdo cristão doutrinário no apogeu do Catolicismo na Idade Média.

Esta é a comparação que quis fazer neste texto entre a vida de Jesus Cristo e a vida da Igreja que Ele fundou. Mesmo no início do período de mudanças que começaram a ocorrer e continuando depois, ou seja, Idade Moderna e Contemporânea, a Igreja de Jesus, sempre teve seus "sete mil joelhos que não se dobraram a Baal", seu séquito de fiéis seguidores continuou em linha contínua desde os primeiros anos. O Senhor aqui e ali, sempre tinha aqueles que eram seus, que lhe devotavam total fidelidade, não importando a época ou o lugar. Inclusive, a igreja que se tornou majoritária a partir de Constantino, de perseguida passou a perseguir os verdadeiros servos de Deus, prova disso é o testemunho que a História nos dá. É só lembrarmos do infame tribunal da Inquisição, por exemplo. Ou de cristãos valorosos como Savonarola, Huss ou Tyndale que pagaram com suas vidas o preço de permanecerem fiéis ao Senhor e à Sua Palavra, recusando-se a aceitar o que se aceitava como verdadeiro "cristianismo" em sua época.

E Deus continua trabalhando, através do Espírito Santo, para que a Igreja, aqui e ali, ou seja, em qualquer lugar do mundo em que hajam discípulos verdadeiros, que Lhe sejam fiéis e obedientes à Sua Palavra, possa ser como seu humilde Senhor e fundador, Jesus Cristo. Lembremo-nos neste Natal de como foi humilde a vinda de Jesus a esse mundo e de que Ele viveu toda Sua vida nesta humildade e em plena obediência ao Pai até Sua morte, e morte de cruz. Assim idealmente é como sempre a Igreja deveria ter vivido. No coletivo e no individual somos chamados para assim viver. Humildes discípulos de Jesus Cristo a testemunhar em um mundo carregado de soberba e insubmissão a Deus.

Pense sobre isso nesta celebração de Natal. Que Deus te abençoe.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Intimidade com Deus, ainda a prioridade.....


Somos chamados para ter intimidade com Deus muito mais do que para fazer a obra de Deus. Aliás, somente estando em plena comunhão e desfrutando de intimidade com o Pai, é que nos habilitaremos para fazer Sua obra. Somente quando derramamos nosso coração perante Ele, quando de fato adentramos ao Santo dos Santos e gozamos de sua amorável Presença, é que estaremos condicionados e comissionados a realizar aquilo que Ele planejou, tendo nós como Seus instrumentos afinados.

Entendamos que nos dias agitados que ora vivenciamos, é crucial, é fundamental, é imprescindível separar tempo de qualidade na presença de nosso Pai celestial. Jesus falou sobre isso ao dizer que devemos entrar em nosso quarto e buscá-Lo (Mt 6.6). O Salmo 105.4 diz assim também: "Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente." Neste tempo de pragmatismo que teima em nos enredar, que faz com que sejamos ativistas e não buscadores de Deus, necessária se faz a palavra de cautela: Deus anela ver-nos a Seus pés a buscá-lo porque quer nos ensinar a melhor serví-Lo. Por isso diz também o Salmo 32.8: "Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos."

A maior riqueza que o cristão deve possuir é a riqueza de desfrutar de intimidade com Deus. Isto é possível? Sim, toda a Bíblia dá testemunho disso, desde a Criação até a Nova Jerusalém no livro de Apocalipse onde se diz que ali os servos de Deus verão o Seu rosto (Ap 22.4). Deus criou o homem para que este pudesse desfrutar de comunhão com Ele. O pecado afetou esta relação, mas o próprio Deus através de Jesus Cristo procurou sanar esta aberração porque não foi o homem criado para viver fora da comunhão com Seu Criador, mas ter comunhão com Ele, realizando sua humanidade plenamente n'Ele, completando-se n'Ele.

A Igreja de Jesus idealmente deveria ser o lugar onde os afetos de comunhão plena com o Pai fossem grandemente ensinados e estimulados. Isto infelizmente em certos grupos de seguidores de Jesus passa longe do ideal. Muitos cristãos são ensinados a relacionarem-se com o Pai em virtude das benesses que poderiam obter nesta relação. Isto é preocupante, vindo justamente do lugar onde o homem pudesse ter a ambiência e ensino necessários para que aprendesse a se relacionar adequadamente com seu Criador e Redentor. Mas louvamos a Deus que nem todos os cristãos relacionam-se com o Senhor desta maneira utilitarista.

Quando Satanás lançou dúvidas de que Jó somente se relacionaria com Deus em virtude das vantagens que este relacionamento pudesse lhe proporcionar, prontamente Deus aceitou o desafio e permitiu que Seu servo fiel fosse tocado por Satanás para ser afligido de horrenda enfermidade. Note-se que em nenhum momento Deus titubeou, se é que podemos dizer assim, em permitir a provação mais extrema de Jó, porque o Senhor sabia que a fé de seu servo era de fato verdadeira bem como a motivação de seu coração, ou seja, ele tinha comunhão com Deus por nada, ou seja, ele relacionava-se com Deus por quem Deus era e não das bençãos ou vantagens que obteria nesta relação. Jó queria a Deus mesmo e não o que Deus pudesse lhe dar.

Esta lição carece de ser ainda aprendida por muito de nós em nossos dias em que estão prevalecendo conceitos de utilitarismo nas relações humanas em alto grau. Predominam somente os interesses, as vantagens pessoais. Não se faz um favor ou se presta uma ajuda a alguém de forma desinteressada. Se eu não tiver alguma vantagem não vou me incomodar com meu semelhante. Ele que se dane.

Assim também muitos de nós temos agido com Deus. Não vou serví-lo em troca de nada. Ele tem de me abençoar. Tem de me dar isto ou aquiloutro. Eu já o sirvo há algum tempo, todavia se Ele não me der "aquela" benção vou sair da igreja, vou para o "mundão" vou fazer o que tiver vontade, para que fazer todo este sacrifício em ser um "crente" se Deus não me dá nada.........

Deus ainda espera que nos convertamos a Ele somente. Não é uma conversão às bençãos mas ao Doador das bençãos. Deus é generoso. Deus é bom. Não negará bem algum aos que andam em retidão. O cristão será riquíssimo se procurar somente a intimidade com o Pai priorizando isto em detrimento de qualquer outra pessoa ou coisa.

A fonte da verdadeira alegria e realização do homem está em Deus. Por meio de Jesus Cristo, pode ele agora dessedentar-se integralmente nesta fonte, neste manancial. Se você já conhece ao Senhor mas ainda não descobriu isso, se apresse em fazê-lo. Você descobrirá como é maravilhoso o Deus a quem está servindo. Se você ainda não entregou seu coração a Cristo, ao fazê-lo irá experimentar a coisa mais maravilhosa que é para o homem, andar com seu Criador todos os dias e experimentar a benção desta companhia sem igual, de alguém que profundamente te conhece e que tem a capacidade única de preencher seus anseios e dúvidas.

Faça de sua vida uma vida singular de intimidade com seu Criador. A Bíblia te orientará nisto. Seja íntimo de Deus agora mesmo. Busque Sua presença sem demora.

Pense nisso.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Teologia Sistemática: Porquê?


Tenho grande apreço pelos estudos teológicos. Acredito que todo crente em Jesus Cristo, independentemente de sua condição intelectual ou denominação particular deveria participar de estudos teológicos frequentes. Isto porque a mente humana está constituída de tal forma que há um afã no desejo de conhecer, de indagar, de buscar compreender as causas e as razões de tudo o que lhe rodeia. Logicamente pessoas há que tem este desejo de apreensão de conhecimento em mais alto grau do que outras. Mas todos buscam a seu modo, razões para seu cotidiano. Explicações para sua vida e dos fatos que lhe rodeiam. E em se tratando do cristão sincero, que realmente teme ao seu Senhor, ele espera conhecê-Lo melhor a cada dia.

As verdades que o cristão necessita tomar conhecimento encontram-se na Bíblia. Estas verdades ou doutrinas bíblicas devem ser conhecidas e relacionadas com outras doutrinas igualmente bíblicas, assimiladas e demonstradas em sua harmonia e consistência. Somente assim, a Palavra de Deus se mostrará realmente relevante e condizente para o homem pecador. Ela trará à lume a verdadeira revelação de Deus sobre o estado do ser humano e o que o Senhor fez para resgatá-lo de sua condição desesperadora.

A Teologia Sistemática exatamente aí têm o seu nascedouro. Os fatos bíblicos sobre Deus, o homem, o mundo, Jesus Cristo, enfim, estão de tal forma dispersos nos relatos dos 66 livros da Bíblia, que se torna necessário um sistema, ou, uma sistematização desses fatos para sua melhor compreensão e apreensão. Saber meramente sobre estes fatos, por exemplo, de que Jesus Cristo nasceu de uma virgem em uma pobre estrebaria na cidade de Belém da Judéia há 2.000 anos atrás, é algo por demais isolado e superficial. Mas, saber porque Ele veio ao mundo, as razões de seu nascimento e o contexto em que isso se deu, é algo sumamente mais profundo. Para tanto, tornar-se-á imprescindível um sistema para melhor compreensão de tudo isso. Charles Hodge, teólogo reformado em sua excelente Teologia Sistemática (Hagnos, 2003, p. 2) diz: “Não podemos saber o que Deus revelou em sua Palavra a menos que entendamos, pelo menos em uma medida plausível, a relação em que as verdades dispersas nela compreendidas mantém umas com as outras.” Realmente, como disse Hodge, a necessidade de correlacionar as verdades doutrinárias que estão espalhadas pelos livros da Bíblia, demanda uma sistematização.

A mente pós-moderna não suporta tal ideia de sistematização de assuntos. Mais particularmente, o teólogo pós-moderno aceita uma premissa básica e nunca vai além disso. Por acreditar que tudo está fluindo e nada é definitivo, por acharem que existem várias verdades igualmente válidas, negam-se a fazer definições preferindo que tudo fique em aberto. A verdade teológica para eles é apenas mais um discurso como outros igualmente válidos existentes no mundo atual. Por isso, rejeitam a Teologia Sistemática, porque esta é definidora por natureza, atendo-se ao que é revelado por Deus em todas as páginas das Escrituras do Antigo e Novo Testamento.

Desconsideram a estabilidade e a perenidade da Palavra de Deus. E muitos outros cristãos nutrem um grande asco pelo pensamento claro e sistemático. Acham que a Teologia Sistemática é limitante entendendo que os teólogos estariam colocando Deus numa “fôrma” adequando-O aos seus sistemas teológicos. Dependendo de como o estudo e ensino da Teologia têm se conduzido, isto poderá até ter um fundo de verdade. Deus de fato não pode ser contido pelos esquemas e sistematizações humanos. Deus é um Ser livre e como tal, faz o que quiser e como bem lhe aprouver. Mas esta liberdade de Deus não contradiz Sua própria Palavra. E é isso que teimam em não entender, que Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr 1.12). O fato da Revelação de Deus, o que Ele resolveu trazer à lume, Seus ensinamentos sobre tantos e variados aspectos serem arranjados em um sistema para melhor compreensão do homem, não deve ser entendido como limitador do agir de Deus. Ou como algo que não permitiria perceber a liberdade que o Senhor possui, a Sua soberania em fazer o que Lhe apraz.

Repudio veementemente os que hoje em dia rejeitam o estudo teológico sistemático. Não consigo compreender como eles formulam a verdade bíblica sem uma unificação e sistematização do conhecimento. Acumulam fatos sobre Deus e as demais verdades bíblicas. Mas são irracionais para a plena compreensão destes assuntos de forma coerente e racional. Alguns dizem que a racionalidade não é “coisa de Deus”. Ora, Deus é um Ser inteligente. Que por sua vez criou de forma inteligente o mundo e pôs nele criaturas inteligentes como Ele próprio, os seres humanos. E que estes seres humanos foram criados de tal forma que possuem um afã de compreender o mundo que os rodeia. Desejam saber o porque das coisas, porque elas são o que são. Isto porventura não nos fala claramente de que somos seres racionais, que usamos nosso entendimento e que isto provém do próprio Ser inteligente e racional que tudo isto criou?

É H.C.Thiessen quem nos diz: “A mente não se satisfaz em descobrir certos fatos a respeito de Deus, do homem, e do universo: ela deseja conhecer as relações entre essas pessoas e coisas e organizar suas descobertas em forma de um sistema.” Citando James Orr, diz-nos ainda: “Ela (a mente) não se contenta com conhecimento fragmentado, mas tem constantes a tendência de passar dos fatos para leis, de leis para leis mais elevadas, e destas para as generalizações mais elevadas possíveis” (Palestras em Teologia Sistemática, Imprensa Batista Regular, 1989, p. 7).

O pragmatismo de hoje, em que muitos pastores e igrejas desejam tão somente crescimento numérico sem aprofundamento adequado na fé mediante o conhecimento bíblico-teológico de forma sistematizada, têm produzido levas de cristãos extremamente superficiais e inclinados a aceitar os “ventos de doutrinas” que assolam nossos arraiais. Muitos destes líderes sequer tem um culto de ensino bíblico sistemático e abalizado em suas congregações. Enfatizam as chamadas “celebrações” com muita música e outros atrativos em detrimento da sã doutrina.

Da mesma forma, desdenham dos seminários de ensino teológico. Alegam que o líder ou obreiro é formado “em casa”, ou seja, na própria igreja. Reconhecemos que muitos seminários ou faculdades de ensino teológico, perderam sua razão de ser porque permitiram que o secularismo adentrasse em suas salas. Muitas destas instituições “tem forma de piedade, mas negam a eficácia dela” (2 Tm 3.5). E que os formandos destas ditas instituições de fato poderão prestar um desserviço à causa do reino. Mas existem instituições sérias e zelosas dos princípios bíblicos e que muito ajudam à causa do Evangelho, contribuindo para a formação de homens e mulheres comprometidos com Deus e com a verdade bíblico-teológica. Que estudam de forma sistemática as doutrinas bíblicas e tem um padrão de formação e erudição bíblica que é de muita valia para a igreja local.

Como disse Thiessen em seu livro supra, torna-se necessária a Teologia e esta de forma sistemática por causa: 1) Do instinto organizador de nosso intelecto; 2) Da natureza difundida da descrença em nossos dias; 3) Da natureza das Escrituras; 4) Do desenvolvimento de um caráter cristão inteligente; 5) Das condições para o serviço cristão eficaz (idem, pp 7-9).

Diante de tudo isso, gostaria que você, caro irmão, quer seja pastor, líder ou até estudante de Teologia, considerasse a importância fundamental da ciência teológica. Eu disse ciência porque antigamente a Teologia era considerada de fato a rainha das ciências. E a Teologia Sistemática era considerada a coroa da rainha. Mas muitos negam hoje de que a Teologia possa ser ciência. O Dicionário Aurélio define ciência como conhecimento ou saber que se adquire pela leitura e pela meditação; conjunto de conhecimentos coordenados relativamente a determinado objeto. Porque então este preconceito em não se considerar o estudo teológico como ciência? Poderíamos reescrever a definição de Aurélio da seguinte maneira: Conhecimento ou saber teológico que se adquire pela leitura e pela meditação; conjunto de conhecimentos coordenados relativamente a determinado objeto (a Bíblia Sagrada, neste caso).

Tenho ânsia de saber. O saber teológico-sistemático. É este saber ou ciência que leva-me a conhecer de forma mais adequada a Deus. A Sua Revelação não se deu num vácuo. Ela nos veio exatamente porque somos criaturas criadas à Sua imagem e semelhança e usamos nossas faculdades mentais no exame adequado desta Revelação. Cremos piamente que a melhor forma de apreender o que Deus nos revelou (evidentemente com a ajuda do Espírito Santo) é através da Teologia Sistemática. Portanto, repudiamos a todo estudo teológico que não se coaduna com o método sistemático de coleta de dados escriturísticos, comparando Escritura com Escritura e isto de forma exaustiva. De fato não é um trabalho fácil. Como estamos em uma era de facilidades e comodidades, deve estar aí a razão para o desprezo que tantos demonstram para com os estudos bíblicos-sistemáticos ou doutrinários.

Teologia é para ser pensada. E produzirá resultados em sua vida que inclusive o levarão ainda para mais perto de Deus, autor e doador de toda boa dádiva e de todo dom perfeito (Tg 1.17). Jesus disse assim: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Estudar sistematicamente as doutrinas da Bíblia é o caminho adequado para todo o que deseja conhecer a Deus cada vez mais.

Pense nisso.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Precisamos de uma experiência de glória

Se há algo que é de muita valia para o cristão é de uma experiência mais profunda com Deus. O episódio da transfiguração do Senhor Jesus em Mt 17.1-9 aqui é o nosso parâmetro. Jesus e seus discípulos vinham de um trabalho ministerial exaustivo. Estavam em Cesaréia de Filipo (16.13) e passada uma semana, conduziram-se a um alto monte, que segundo alguns estudiosos, bem pode ser o conhecido monte Hermon. Ali o Senhor transfigurou-se diante deles. Sua glória foi revelada aos três discípulos que ali estavam. O ambiente transformou-se, e não apenas o Senhor. Ali, podemos assim dizer, o céu “baixou” e eles encontravam-se na presença imediata e bendita do Senhor de todo o Universo. Também dois ilustres servos de Deus, Moisés e Elias, ali comparecem e dialogam com Jesus. Era realmente um momento de grande glória e emoção. Tanto que Pedro falou o que desejava fazer mas sem todavia compreender a magnitude e a natureza daquele evento majestoso.

Eu creio que precisamos de uma experiência com o sublime. Precisamos de uma experiência com o inefável. Precisamos ser revestidos da glória so Senhor.

Notemos que aqueles homens e Jesus, saíram das experiências corriqueiras de seu cotidiano e retiraram-se para um local isolado. Neste caso, um alto monte. Isso deve ser ponderado. Sair de nosso lugar comum, distante da agitação própria da vida moderna e buscar a Presença de Deus, fará uma diferença enorme e acrescentará qualidade e aprofundamento em nosso relacionamento com o Senhor.

Não queremos dizer com isso que, necessariamente, este lugar retirado tenha de ser literalmente um “alto monte”. Mas pode ser qualquer lugar em nosso mundo em que possamos nos retirar e estar a sós com Deus. Jesus disse em Mt 6.6 que devemos entrar em nosso aposento e buscar a Deus. Este lugar tanto pode ser o nosso próprio quarto de dormir como o banheiro da empresa em que trabalhamos, por exemplo. O que importa é considerar em si o ato da “retirada para um lugar secreto e isolado”. Isto deve ser plenamente considerado.

Pergunta-se: Semelhantemente como em Mt 17, o céu poderá “descer” até nós? Sim e não. Como? Nem sempre apraz a Deus manifestar-se de uma forma que diríamos “espetacular”. Nem sempre haverão “rostos resplandecentes como o sol” e “vestidos brancos como a luz” (17.2). Diríamos que, na grande maioria das vezes, o Senhor se manifestará no silêncio. Mas nem por isso deixa de ser uma real experiência de glória. Agora, quando tivermos uma manifestação visível, palpável, sempre deveremos lembrar as palavras sábias do apóstolo Paulo em 2Co 12. Ele fala que efetivamente fôra arrebatado ao terceiro céu e tanto viu como ouviu palavras inefáveis. Mas o que se destaca nesta passagem é a humildade cuidadosa de Paulo em não declarar abertamente que era ele mesmo quem havia sido arrebatado à Presença de Deus. A experiência de glória desta forma explícita pode ter o condão de mexer com nossa vaidade humana.

Mas mesmo diante desta possibilidade, reafirmamos a importãncia singular deste componente para a vida do cristão. O profeta Isaías foi outro exemplo desta experiência com o sublime. No capítulo 6 de seu livro, lemos que o profeta “viu o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono.” Viu igualmente serafins ao redor d’Ele. Embora considerando-se impuro (v.5) assim como ao seu proprio povo, Deus ainda assim revelou-se ao seu servo, purificou-o (vs 6,7), fez um apelo ao profeta, imediatamente correspondido (v.8) e então O comissionou (v.10). Mas tudo isso teve seu começo com a visão inicial de Deus, ou seja, de uma experiência de glória.

Outro profeta que também teve esta bendita experiência foi o profeta Ezequiel. Teve uma visão tremenda do Senhor em sua Glória, viu rodas cheias de olhos, viu seres viventes, viu o trono do Onipotente. Ezequiel foi inundado desta magnifíca glória. Mas, notemos que o profeta, um mero ser humano, não pôde ficar de pé diante da visão desta glória inaudita. Caiu sobre o seu rosto. Mas o Senhor ordenou que se levantasse e falou-lhe, comissionando-o assim como fez com Isaías para que fosse seu mensageiro entre os judeus rebeldes (Ez 1.1-28; 2.1-8).

Irmãos, creio que todo crente em Jesus Cristo, mais cedo ou mais tarde, deverá ter uma experiência deste porte em sua vida e ministério. Digo todavia, que esta experiência, este marco que se consolidará nele, não tem de ser exatamente igual ao que acabamos de ler como na transfiguração de Jesus ou como nas visões de Isaías e Ezequiel. Mas eu creio que devemos esperar de alguma forma a manifestação definida e específica de Deus para nós. Não estou fazendo disso uma regra. Não estou pontificando de que toda nossa vida com Deus esteja concentrada ou que esteja convergindo para este ponto, necessariamente. Mas creio que o Senhor tem interesse em marcar a vida de Seus servos com um encontro significativo e inesquecível.

Poderíamos ainda citar mais três exemplos para corroborar nossa tese. Jacó (Gn 32.22-32), Moisés (Ex 3 e 4) e Elias (1Re 19.8-21). Jacó lutou com o Anjo do Senhor em Jaboque e ali sua vida e seu nome foram transformados, Moisés viu a maravilha que era um arbusto arder e não se queimar e através disto encontrou-se com Deus e sua vida foi reorientada para atender ao chamado divino e Elias, com temor das perseguições da perversa Jezabel, reanimou-se no Senhor após ouvir uma “voz mansa e delicada”. Interessante nesta passagem é que antes de ouvir a voz do Senhor, três fenômenos naturais com toda sua intensidade que poderiam levar o profeta Elias a entender que por causa da potência daqueles elementos, o Senhor estaria ali, manifestando-se daquela forma: um forte vento, um terremoto e um fogo. Nenhum deles. A experiência de glória de Elias aconteceu por meio da voz mansa e delicada que ouviu.

Assim, quer seja de forma deslumbrante, espetacular, apoteótica, ou, simples, tranquila, suave, reputamos como deveras importante um encontro diferenciado com o Senhor que seja singular, significativo, transformador e único para todos aqueles que dispuserem seu coração e sua vida para serem inteiramente d’Ele e serem usados por Ele para a Glória devida ao Seu Nome.

Pense nisso e que o Senhor permita que entremos em Sua presença, em Seu santuário, que tenhamos uma experiência de glória e que nunca mais sejamos os mesmos a partir de então. Amém!