sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A bela e eficaz ação do Estado: Respira Rio!


Parabéns! É o mínimo que devemos pronunciar com relação à ação dos governos do Estado do Rio de Janeiro e do Governo Federal no sentido de reagir à onda de violência que vem tornando cada vez mais caótica a vida na cidade do Rio de Janeiro. Os traficantes resolveram partir para uma ação de intimidação, queimando veículos nas ruas e com isso as autoridades constituídas não deixaram por menos e partiram para uma acertada reação.

Todo o efetivo das polícias Militar e Civil foi colocado em prontidão e contam com a preciosa ajuda das polícias Federal e Rodoviária Federal além da Marinha e Aeronáutica, por meio dos blindados do Corpo de Fuzileiros Navais e helicópteros da Aeronáutica e também do Exército para conter a sanha dos meliantes. Nas ações que foram a efeito, o BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) que coordenava a linha de frente contra os marginais, conseguiram com a ajuda dos blindados dos FN, tomar a Vila Cruzeiro no bairro da Penha no Rio de Janeiro e puseram em fuga centenas de "soldados" do tráfico que bandearam para as favelas do Complexo do Alemão. O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro garantiu em entrevista que vai atrás de todos eles e outro oficial disse que agora da Vila Cruzeiro a Polícia Militar não saíra mais.

Como alguém natural do estado do Rio de Janeiro, mas já há alguns anos morando fora da cidade, sei muito bem sobre a apreensão e medo dos moradores nos bairros cariocas. Gostei muito da ação do Estado, uma verdadeira operação de guerra, à altura das barbaridades cometidas pelos traficantes que consideram as favelas territórios particulares e que devem sentir a partir de agora a pesada mão do Estado para desentocá-los de seus redutos. Em entrevista, o presidente Lula disse que não é possível que 99% da população constituída de gente trabalhadora e que quer viver em paz, seja perturbada por 1% de gente que quer viver na marginalidade.

Certamente a esmagadora maioria dos cariocas procura trabalhar com afinco, ganhado o pão de cada dia com suor e dedicação. Muitos, espremidos em trens lotados, em ônibus e metrô, correm atrás de seu sustento com toda dignidade apesar das dificuldades da cidade grande e populosa. Mas, infelizmente, há uma parcela mínima de pessoas que vivem à margem da sociedade e acham que levam vantagem em comercializar drogas e em atormentar a vida de seus concidadãos com atos de violência de todo tipo.

Segundo se apurou, a violência que marcou a vida da cidade nesta semana se deve a ordens dos chefes do tráfico que estão em presídios de segurança máxima fora do estado do Rio e que teriam mandado executar a ordem de atacar veículos ateando fogo aos mesmos para insuflar um clima de medo e apreensão na população e de tentar pressionar as autoridades constituídas.

Mas o que estamos vendo é uma ação bem orquestrada com o emprego dos meios lícitos para reprimir aos bandidos. A tomada das favelas representa tirar desses elementos marginais o seu território. Feito isso, eles ficam desarticulados e desorganizados. É neste momento que a ação deve ser ainda mais intensificada e pelo que se tem percebido, é precisamente esta a direção que as autoridades por meios das forças militares devem seguir: continuar pressionando e avançando sobre os traficantes para conquistar-lhes os territóritos que pretensamente julgam ser seus.

Como ex-militar, só tenho que elogiar o que estou assistindo. Os homens da Polícia Militar, em especial do BOPE não mediram esforços para reconquistar a Vila Cruzeiro. Um coronel, com 27 anos de serviços prestados à corporação, disse que desde sempre a Vila Cruzeiro esteve sob domínio dos traficantes. Era uma questão de honra portanto, a conquista daquele lugar das mãos dos meliantes, não por uma mero desejo de conquista, de vingança contra os marginais, mas em nome da população de bem que vive naquela comunidade. Para todos as pessoas dessa região e de outras na cidade, é um alívio quando a polícia age com correção e consegue livrá-los da opressão dos traficantes e bandidos.

Embora esteja elogiando estas ações, devemos lembrar que o Estado em parte é o responsável por este estado de coisas. O Estado do Rio de Janeiro teve muitos governos, que reputo como desgovernos, no sentido de deixar de fazer-se presente nestes locais de favelas com infraestrutura, saneamento básico, áreas de lazer, policiamento ostensivo durante 24 horas, creches, escolas e saúde de qualidade, enfim, tudo que pudesse e devesse ser feito para que a cidadania fosse exercida em sua plenitude. Logicamente, mesmo com tudo isso, poderiam haver ocorrências policiais, infração da lei, crimes enfim. Mas não chegaríamos ao estado em que se encontrava a Vila Cruzeiro por exemplo, totalmente entregue aos traficantes. Foi ali, de triste memória, o local em que foi assassinado o jornalista da Rede Globo de Televisão, Tim Lopes, que investigava as denúncias de que os traficantes promoviam bailes funk e abusavam sexualmente de meninas menores de idade. Tim foi morto em 2002, pelos bandidos que o torturaram impiedosamente e o executaram na parte mais alta da favela.

Agora, necessário se faz o uso de todo este aparato bélico para conter e reprimir os traficantes que usam armas de guerra de grosso calibre. Para se ter uma ideia disto, o FAL - sigla do fuzil automático leve, exclusiva das forças armadas, é uma das armas utilizadas pelos soldados do tráfico e que tem grande potência. Este fuzil pode disparar 700 tiros por minuto, com a velocidade do projétil a 840 metros por segundo e um alcance de 3.800 metros. Além desta arma, outras não menos potentes estão nas mãos destes elementos que não hesitam em utilizá-las. Por isso é que a ação das forças militares deve ser precedida de cuidadoso planejamento a fim de preservarem a sua integridade física e dos civis.

Gosto sempre de relembrar que, toda ação das forças militares do Estado, deverá estar rigorosamente respaldada na lei. Até porque, a lei maior que é a lei de Deus, prevê que as autoridades poderiam usar a força se isso fosse necessário. Na Epístola aos Romanos cap. 13 versos 1 a 7, claro está o fato de serem instrumentos de Deus para porem ordem na sociedade e punirem o mal. Gostaria de citar na íntegra conforme a versão de Almeida Séc. 21:

"Todos devem sujeitar-se às autoridades do governo, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram ordenadas por ele. Por isso, quem recusa sujeitar-se à autoridade opõe-se à ordem de Deus, e os que fazem isso trarão condenação sobre si mesmos. Porque os governadores não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas sim para os que fazem o mal. Não queres temer a autoridade? Faze o bem e receberás o louvor dela. Porque ela é serva de Deus para o teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não é sem razão que ela traz a espada, pois é serva de Deus e agente de punição de ira contra quem pratica o mal. Por isso é necessário sujeitar-se a ela,não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência. Por essa razão também pagais imposto; porque eles são servos de Deus, para atenderem a isso. Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra."

Portanto, penso que nós como servos de Cristo, deveremos apoiar a ação do Estado mediante esta palavra em Romanos, até o ponto em que eles não transgridam a própria lei do Senhor. Quando uma autoridade comete injustiças já não estará mais se colocando como serva de Deus, conforme escreveu o apóstolo Paulo no verso 4, mas se igualará aqueles que se propõem a combater, os que vivem na marginalidade. As polícias e demais forças militares envolvidas nesta mega-operação sempre deverão ter uma postura de lisura. Se necessário for durante a operação neutralizar um meliante, matando-o, que seja no estrito cumprimento do dever legal, ou seja, para defender a própria vida ou de terceiros.

Por fim, intercedamos ao Senhor de toda a terra pela cidade do Rio de Janeiro. Este estado de coisas creio que já durou mais do que devia. Realmente é hora do basta. Que as autoridades constituídas por meio de suas forças de segurança, assumam plenamente uma posição de força fazendo com que a legalidade seja plenamente restaurada nessas regiões infestadas de bandidos. Que eles sejam capturados vivos, julgados, condenados e recebam penas exemplares. Que este seja o alvo cogitado por todos os envolvidos nestas ações. E tudo isto não somente por causa da Copa do Mundo em 2014 ou das Olimpíadas em 2016, mas porque o estado de ordem e de direito deve ser restabelecido. Isto é a vontade do próprio Deus conforme o texto de Romanos 13 deixa bem delineado para todos nós.

Convido todos a pensarem sobre isso.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Trânsito que mata e que aleija, o que fazer?

Não dá para olhar esta imagem e deixar de pensar na verdadeira calamidade que ocorre todos os dias nas estradas do Brasil. Neste caso, foi um acidente ocorrido na manhã de hoje, 22 de novembro, na estrada que liga Sorocaba a Itu interior de São Paulo onde o veículo da foto chocou-se frontalmente com outro causando a morte de seus dois ocupantes, um casal.

Preste bem atenção nestes números:

* 42.000 pessoas morrem por ano vítimas de acidente de trânsito no Brasil.

* 24.000 pessoas morrem em razão de acidentes nas estradas.

* 13.000 morrem no local do acidente e 11.000 são feridos graves que morrem posteriormente.

Ocorrem pelo menos 723 acidentes por dia nas rodovias pavimentadas brasileiras. Média de 30 por hora ou 1 a cada 2 minutos.

65 pessoas morrem por dia em virtude de acidentes nas estradas.

A cada 40 minutos uma pessoa morre num acidente nas rodovias e 411 pessoas ficam feridas por dia em acidentes nas estradas. Destas pelo menos 30 morrem em decorrência dos ferimentos.

A cada hora 17 pessoas ficam feridas em acidentes nas estradas.

Caso todas as vítimas de acidentes fossem colocadas deitadas no asfalto, teríamos praticamente uma pessoa por quilômetro de rodovia pavimentada, sendo um ferido a cada 1.100 metros e um morto a cada 7 km.

Estas estatísticas foram retiradas do site www.estradas.com.br no link SOS Estradas. E são dados que se constituem em números aproximados porque acredito que o número de vítimas pode ser maior. Irresponsabilidade ao volante, cansaço, veículos sem a manutenção devida (freio gasto, pneus carecas), estradas em péssimas condições, enfim, são todos fatores que combinam-se para este verdadeiro morticínio que acontece todos os dias.

Necessário é que cada condutor de veículos neste imenso país, onde o transporte de pessoas e mercadorias é feito em sua imensa maioria por veículos automotores, leve muito a sério sua atividade. O veículo automotor pode ser uma arma de altíssima letalidade e de fato assim tem sido diante das estatísticas que tomamos conhecimento a pouco.

Acidentes não acontecem por "acaso", por obra do "destino" ou por "azar". Quando acontecem, sempre se constatará falha humana ou mecânica. Acreditamos piamente que, na imensa maioria das vezes, os acidentes aconteceram devido a fatores puramente humanos. Estima-se que 10 bilhões de reais sejam despendidos todos os anos pelos prejuízos dos acidentes. Dinheiro esse que poderia ser utilizado de outra forma para beneficiar aos brasileiros.

Há riscos e perigos que todos nós estamos sujeitos no trânsito e estão relacionados com os veículos, os condutores, as vias de trânsito, o ambiente e o comportamento das pessoas.

Os veículos deveriam passar por manutenções periódicas e preventivas porque todos nós sabemos que os sistemas e componentes de um veículo se desgastam devido o uso. Fazendo isso, o proprietário do veículo gera economia e estará evitando acidentes de trânsito.

Os condutores devem evitar o desgaste físico relacionado à maneira inadequada de sentar e dirigir. Isto aumenta a segurança para todos. Importante também citar que o uso do álcool, drogas e não dormir ou dormir mal faz com que diminua a concentração e os reflexos do condutor. Celulares, rádios e outros mecanismos também contribuem para o déficit de atenção.

As vias de trânsito. Todo motorista deve estar atento à velocidade permitida nas vias, muita atenção com curvas, aclives e declives, ultrapassagens (ítem importantíssimo, sua observância indevida já causou muitos acidentes com mortos e feridos), estreitamentos de pista, acostamentos, atenção também às condições da pista de rolamento, como buracos, elevações, inclinações ou alterações do tipo de piso que podem desestabilizar o veículo e provocar perda do controle do mesmo. Trechos escorregadios, sinalização, calçadas ou passeios públicos (que são espaços do pedestre), árvores e/ou vegetação e cruzamento entre vias, são ítens que todo condutor responsável deve bem atentar.

O ambiente. Sabe-se que as condições climáticas podem afetar a segurança no trânsito. Esteja atento a estas condições para que seja garantida sua segurança e dos demais usuários da via: 1- Chuva; 2- Aquaplanagem; 3- Cerração ou neblina (sob neblina use luz baixa do farol e reduza a velocidade) ; 4- Vento; 5- Fumaça proveniente de queimadas; 6- Condição de luz.

Amigos, estas são orientações gerais contidas na apostila de Direção Defensiva do DENATRAN que você pode baixar da Internet para maiores detalhes.

Preocupa-nos a todos este assunto a qual de uma forma ou de outra estamos envolvidos: Segurança no trânsito. Traz para nós o senso de responsabilidade e de dever que todos, condutores e pedestres, devem ser possuidores.

Na Bíblia há uma passagem no livro do profeta Naum que fala sobre os carros de guerra de Nínive, capital da Assíria, que estavam sendo utilizados para defender a cidade da invasão de Babilônia, mas que fielmente descrevem exatamente o que acontece nos dias de hoje em nossas ruas e estradas: "Os carros correrão furiosamente nas ruas, colidirão um contra o outro nos largos caminhos; o seu aspecto será como o de tochas, correrão como relâmpagos" (2.4).

Palavra profética essa que acabamos de ler. Acaso não é esta a situação de hoje? Os carros são perigosamente velozes e colidem entre si, exatamente por causa do amor às altas velocidades que muitos condutores imprudentemente demonstram.

Mais do que qualquer outra pessoa, o cristão deve aplicar no trânsito os princípios salutares da Palavra de Deus. Virtudes como longanimidade, bondade, mansidão, domínio próprio, tolerância aplicadas ao condutor cristão, farão com que este segmento importante e crucial de nossas vidas seja mais humanizado. Seja mais cristocentrado, podemos assim dizer.

Muitos crentes tem se utilizado de simplismos e afirmado que tudo o que acontece de ruim no trânsito é ocasionado pelo diabo. Cremos que Satanás e os demônios influenciam os homens para que pratiquem o mal que já está em seus próprios corações (Mt 15.19,20; Mc 7.20-23). Mas, é fugir da responsabilidade pessoal dizer que é o diabo que pura e simplesmente tem feito todo estrago nas vidas das pessoas. É o homem em seu estado caído, homem pecador que vive para satisfazer seus prazeres baixos, egoístas e carnais que é o grande autor da carnificina diária que assistimos.

Sejamos, como autênticos filhos de Deus, exemplos de boa postura no trânsito. Aqui também podemos firmemente dar um bom testemunho de Jesus Cristo que é Senhor sobre todas as coisas.

Pense nisso.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O cristão pode contribuir para o bem deste mundo?

Se alguém é um autêntico seguidor de Jesus Cristo não só pode como deverá assim proceder como expressão de sua fé no Salvador. A variedade e complexidade dos problemas humanos é amplamente conhecida. Para todos esses problemas, o Evangelho se apresenta como a resposta divina a um mundo que foi tremendamente afetado pelo pecado. Evangelho este vivido e praticado em sua integridade, com plena autenticidade por homens e mulheres salvos, regenerados, justificados, santificados, ou seja, retirados da atmosfera perversa deste presente século com seu modus vivendi contrário a Deus e enviados agora, comissionados pelo próprio Senhor que os salvou (Jo 17.18) para anunciarem entre seus semelhantes a glória do Evangelho que é restaurador em sua natureza.

O mundo clama pela luz do Evangelho. O mundo anseia pela manifestação dos filhos de Deus (Rm 8.19). Jesus claramente disse que nós, seus discípulos, somos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14). Satanás e os demônios atuam na atmosfera espiritual deste século. Não estão, todavia ,fora do controle do Senhor. Mas, segundo a mesma Palavra de Deus, as potestades do mal agem continuamente em franca oposição aos propósitos divinos desde o começo do mundo (Gn 3). Mas Jesus Cristo arrancou o ferrão do Maligno e é só uma questão de tempo para que se cumpra a sentença lavrada contra o Inimigo e todas as hostes espirituais da maldade (Ap 20.10).

Enquanto isto não acontece o Evangelho autêntico e integral por meio da pregação e vivência da Igreja continuará a fazer a sua extraordinária obra nas mentes e corações dos homens. Não há em todo o Universo outra mensagem ou outro poder que possa suscitar a transformação da raça humana. Esta mudança operada em homens e mulheres é o princípio fundamental para inverter ou subverter a atual ordem vigente. Acredito que, se este Evangelho, esta abençoada mensagem estivesse sendo vivenciada em sua integralidade desde seus primórdios, desde a fundação da Igreja no Dia de Pentecoste (At 2), o Senhor Jesus já teria então voltado para a consumação de todas as coisas.

Vivemos hoje então a realidade do “já” e do “ainda não”. Pessoas transformadas pelo Evangelho e vivendo-o em sua integralidade contribuem para o bem do mundo. Abençoando vidas em todo lugar. Sendo imitadores de Deus ao viver de forma abençoada e abençoadora (Ef 5.1,2). Esta é a gloriosa dimensão do “já”, da presença benfazeja do Evangelho no mundo através de vidas transformadas. Entretanto, deveremos igualmente considerar e refletir sobre a realidade do “ainda não”. Da presença sombria do mal no mundo. Da realidade da ação demoníaca. Das malfazejas ações de homens caídos em seus delitos e pecados (Ef 2.1-3). As duas realidades se sobrepõem. Se encontram. E por isso, inevitáveis conflitos ocorrerão. A luz do Evangelho permeando as trevas espirituais do presente século!

O Nazismo poderia não ter surgido ou não ter assumido o poder na Alemanha caso o Evangelho pregado e, mais ainda, vivenciado pela Igreja neste país fosse biblicamente plausível. Stalin na Rússia, ou, o Comunismo como um todo, talvez não tivesse exposto sua medonha face, que causou a morte de milhões, se a Igreja Ortodoxa Russa vivesse em conformidade com o Evangelho autenticamente bíblico. O tráfico negreiro poderia não ter ocorrido, com toda sua trágica conta de milhões de seres humanos mortos ou sujeitos às mais abjetas condições de vida e sofrimentos, caso aqueles que, dizendo-se “cristãos” tivessem de fato sido expostos ao verdadeiro Evangelho e consequentemente tivessem suas existências transformadas segundo à imagem de Cristo.

Jesus viveu entre nós como servo (Fp 2.5-8). Ele veio para servir aos seres humanos, entregando ao final sua própria vida como preço de resgate. E é nesse espírito de serviço conforme At 10.38: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”, que todo cristão autêntico deverá viver. A única forma de trazer o bem como antídoto ao mal que há no mundo será por meio de vidas verdadeiramente transformadas pelo poder do Evangelho de Cristo.

Lamentamos entretanto o atual estado da Igreja em nossa época. A Igreja enquanto instituição humana é falível. Tristemente falível. A Igreja enquanto organismo vivo, como verdadeiro Corpo de Cristo que transcende o famigerado denominacionalismo, faz e fará uma obra admirável. Cada verdadeiro cristão de per si é a expressão da vontade de Deus no mundo e para o mundo.

O crente pode de fato contribuir para o bem deste mundo? Depende. De que? De que viva autenticamente o Evangelho em sua integralidade. Somente desta forma sua vida e suas ações se constituirão numa barreira para o avanço do mal. Este não será extinto do mundo somente pela pregação e vivência autêntica de fé. A Bíblia não declara que o mundo inteiro será convertido à fé em Cristo (Mt 24.14; 2Ts 3.2). Mas, reiteradamente as Escrituras afiançam a capacidade e o poder do Evangelho para a mudança do coração humano (Rm 1.16). E, sendo assim, se verificará os benefícios que daí advirão não só para a própria pessoa como para os que estão em derredor.

Em alto e bom som proclamemos a mensagem do Evangelho. Que faça-se soar a trombeta da anunciação desta mensagem, um som que seja plenamente audível a todos (1Co 14.8). O mal sempre será vencido pelo bem. A luz prevalecerá sempre contra as trevas. E em sua gloriosa missão, o cristão e a Igreja por extensão, estarão fazendo o mesmo trabalho de que se ocupou João Batista: De preparar o caminho do Senhor, de anunciar suas veredas, clamando do deserto espiritual que é este mundo presente (Is 40.3; Mt 3.1-3; 1Jo 5.19).

É nesta plena certeza que conclamo você para que, como servo de Cristo, contribua para o bem porque fomos chamados para abençoar, para bendizer, para que, por herança, alcançemos a benção (1Pe 3.9). E também: “Porque é melhor que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (1Pe 3.17).

Portanto, pense nisso.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A causa de Deus e as causas dos homens


Conheço cristãos que têm um zelo quase religioso por causas de âmbito inteiramente humano. Esses irmãos possuem uma militância guerreira pelas causas que abraçam. Nada contra aqueles que dedicam-se principalmente às causas que concernem a beneficiar o conjunto da população, por exemplo, todavia, o que nos causa espécie é que muitos destes seguidores de Cristo, no que concerne ao Evangelho não demontram a mesma abnegação.

A causa de Deus, ou seja, a anunciação da mensagem do Evangelho visando a salvação dos homens, precisa de anunciadores ou comunicadores dedicados. Usando a terminologia bíblica, devem as testemunhas de Jesus Cristo ter um notável zelo para fazer com que Seu Nome seja conhecido em todo lugar e a todo tempo.

O desejo do coração de Deus é de que todos O conheçam. Conforme diz o escritor aos Hebreus: “E não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior” (Hb 8.11). Para tanto, ele determinou que todos que Lhe servem sejam portavozes da mensagem libertadora do Evangelho. Todos que O servem deverão espalhar as Boas Novas por onde estiverem: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações”; “E disse-lhes: Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura”; “….e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Mt 28.19; Mc 16.15; At 1.8b).

A dedicação, o esforço, a preparação, o zelo, o tempo utilizado, enfim, são todos fatores que devem ser ponderados pelos servos de Deus. A causa é urgente. E também nobilíssima. Não pode ser atrasada. E muito menos trocada por coisas de somenos importância. Quando contemplo alguém que se diz servo de Cristo, e que dedica-se com exclusividade e aguerrida militância a causas outras e não empenha-se da mesma forma pela causa de Cristo, fico a perguntar: Será que este irmão entendeu a urgência do chamado de Deus em sua vida? E quando falo de chamado de Deus, não estou absolutamente falando de que seja o típico chamado missionário, ou seja, de ir para terras longínquas para apregoar ali o Evangelho. Mas falo de um sentido missional em todo o nosso viver.

Deveremos viver de tal forma que tudo o que fizermos, seja em âmbito pessoal ou público, esteja convergindo para a causa sublime e suprema do Evangelho. A salvação do ser humano é o mais importante assunto, o mais crucial. Não pode ser tratado como negócio inferior. Não deve ser colocado como algo secundário o qual trataremos se tivermos tempo. Todo aquele que serve a Jesus foi escolhido por Ele e nomeado para que vá e dê fruto (Jo 15.16). Fomos chamados para uma santa vocação (2Tm 1.9). A causa de Deus é nossa prioridade. Se é prioridade para o Senhor, deverá ser para nós também. O apóstolo Paulo disse: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Tm 2.4).

Os negócios temporais muitas vezes conspiram contra a causa bendita do Evangelho de Cristo. Cristãos que são extremamente zelosos de coisas desta vida e de forma correspondente não se interessam pelos negócios de Deus conspiram contra a causa de maior importãncia que levou à cruz o próprio Filho de Deus. O Reino de Deus deve ser nossa prioridade. Quer estejamos trabalhando em tempo integral na propagação do Evangelho, quer sejamos profissionais em alguma área ou empresários, todos os cristãos devem obedecer ao mandato supremo de ganhar almas para Cristo.

O profeta Isaías respondeu afirmativamente a este chamado divino. Lemos em Is 6.8: “Depois disto ouvi a voz do Senhor que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” Após ter contemplado a glória do Senhor, o profeta temeu por causa de seu pecado, recebeu em seguida a purificação do Senhor, e foi compungido em seu coração a atender o apelo, o chamado que Deus lhe fazia.

Todos nós também tivemos a experiência que Isaías teve. Somos confrontados com a santidade absoluta do Senhor como o profeta foi, passamos então a entender nossa miserabilidade, nossa perdição, nossa pecaminosidade. Quando isto acontece, quando reconhecemos que somos pecadores e cremos na obra consumada na cruz por Jesus Cristo, somos então purificados pelo Seu sangue precioso e em seguida estaremos sendo comissionados, tanto quanto Isaías foi, para sermos testemunhas de Seu Nome.

Nada desta vida se compara a esta comissão. A causa de Deus é de uma grandeza tal que incorreremos em sérios prejuízos espirituais se negligenciarmos Seu chamado para nós.

Faça da causa de Deus, a anunciação do Evangelho, sua missão de tempo integral. Mesmo que nunca você vá para terras de além mar, todavia, compreenda que em qualquer coisa que esteja envolvido, como servo de Deus, você e eu temos a sagrada e solene responsabilidade de viver para a causa do Reino. De forma completamente integral. Não menospreze a causa de Deus. Não se iluda com o brilho das coisas deste mundo. O mundo e sua aparência logo passarão. Suas ilusões tornar-se-ão coisas do passado. Como ficarão aqueles que, dizendo-se servos de Deus, viveram aqui como se tudo isto fosse para sempre permanecer? Que deram mais valor às causas humanas, posto que transitórias e que não deveriam ser objeto de tanta deferência?

Meus irmãos, pensemos todos juntos nisto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A prática religiosa salva o ser humano?

Não. Nenhuma prática de religiosidade têm poder para salvar o homem do pecado. Pode ser qualquer tipo de religião: Budismo, Hinduísmo, Islamismo, Judaísmo, Confucionismo, Taoísmo, Sikhismo, Zoroastrismo, Xintoísmo, Jainismo, Fé Bahai, Religiões tribais, Cristianismo e qualquer outra espécie de "ismo". Mas, o Cristianismo? Sim, em suas três vertentes principais, Católicos, Ortodoxos e Protestantes. Não pode salvar o ser humano. Não tem poder de transformar o vil pecador. Sim meus amados, até mesmo a prática religiosa evangélica não salvará o homem. E é sobre essa que quero mais detidamente refletir.

Há muitos crentes em Jesus que pensam que por manter o status quo de sua denominação, por andarem conforme os "sagrados" estatutos e normas de sua igreja em particular, estão com isso agradando a Deus e cumprindo Sua vontade. Há muitos que nesse tipo de procedimento, menosprezam seus irmãos de outras denominações visto que pensam e andam diferentemente deles. Sua igreja ou denominação sacramentou no decorrer de muitos anos, sua forma peculiar de ser e proceder, ou seja, sua "marca registrada", sua orientação de como os crentes devem se portar, se vestir, deixar de fazer isto ou aquiloutro. Seus líderes ensinaram desde os primórdios a maneira "santa" de viver, o jeito "crentês" de ser. E corroboraram seus ensinamentos com as Escrituras Sagradas, julgando que é assim, daquele jeito, que o crente deve se comportar. E o mais grave: Para esses denodados irmãos, a salvação depende de guardar as "leis" da denominação, senão não entra no céu!

Se você que está lendo estas linhas e conhece um pouco a Igreja no Brasil, sabe que tem razão de ser estas palavras. Sabe que a prática religiosa de muitos deles equivale, para eles, em ser salvo, em estar dentro da vontade de Deus. Constituem-se estes amados irmãos em um grande multidão em nosso país. São pouquíssimos dentre eles que conseguem pensar, que conseguem discernir e articular as Santas Escrituras podendo assim compreender de que nem tudo que é pregado nos púlpitos corresponde verdadeiramente à Palavra de Deus.

Perde com isso o Evangelho em sua essência. Os anos têm passado e muitas denominações evangélicas no Brasil procuram viver num conservantismo quase que totalmente hermético. Seus interesses são de fazer com que os sucessores dos mandatários atuais das igrejas ou de suas convenções preparem e promovam outros que sejam à sua imagem e semelhança para que permaneça em evidência sempre "a tradição dos anciãos" (Mt 15.2). Não atinam que com essa ignóbil atitude, estupidificam a mensagem do Evangelho, posto que exaltam suas tradições peculiares em detrimento da real mensagem divina. E alçam a prática religiosa evangélica como salvadora e transformadora do ser humano.

Não posso aceitar tal inverdade. O Evangelho é graça de Deus. É o convite divino para que todo ser humano gratuitamente aceite a oferta da salvação. Na continuidade de sua vida de fé, esta graça ficará ainda mais evidenciada, porque ele estará sendo lapidado pelo Espírito Santo. O apóstolo Paulo escrevendo aos filipenses deixou isto bem evidente: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6). Deus operou o princípio da graça na salvação do pecador, e, uma vez salvo, continua seu agir para que este seja completamente transformado segundo à imagem se seu próprio Filho (Rm 8.29).

Rituais, liturgias, chavões, estilos musicais, indumentárias, tudo isto, até determinado limite, têm seu devido lugar e valor. Entendo que as denominações evangélicas, como as pessoas, possuem seus estilos próprios, sua forma peculiar de ser e agir. O problema é que, como já sobejamente sabido por todos nós, estas coisas tomam e têm tomado o lugar do autêntico Evangelho. É necessário que o discernimento seja constante entre os pastores. Os líderes devem ser os primeiros a zelar pela pregação autêntica da Palavra de Deus. Devem ensinar ao povo todo o conselho de Deus (At 20.27). Deve o povo de Deus ser autenticamente discipulado, visto que muitos no começo de sua vida cristã, adquirem maus hábitos e são desvirtuados de uma prática salutar de verdadeira vida em Cristo.

Mas, mesmo que não hajam líderes desta estirpe, que discernem com acuidade a autêntica vivência da fé da religiosidade estéril, o próprio cristão, visto ter em sua vida a unção, que é o próprio Espírito Santo (1 Jo 2.20,27), deverá sempre, escolher a verdade da Palavra de Deus em oposição à tradição dos antigos que sacramentam uma prática religiosa que está fadada ao fracasso e que Deus jamais ordenou em tempo algum. É arrasadora a declaração do Senhor Jesus em Mc 7.6-9: "E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão porém me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardades a vossa tradição."

Se aos judeus de seus dias de ministério terreno Ele pronunciou esta dura e necessária reprimenda, que dizer então sobre a Igreja o qual Ele comprou com Seu próprio sangue? Que deturpa o Evangelho como foi pregado pelo Senhor e pelos apóstolos e ainda acham que Deus está dando Seu aval. Não podemos aceitar isto de forma alguma.

A prática religiosa salva o ser humano? Decididamente, não. Prática religiosa evangélica poderá então salvar? Muito menos. Visto que, o Evangelho é a mensagem da graça de Deus e "...é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1.16), é totalmente diferente do "evangelho" que está sendo vivido e apregoado por tantos.

Uma reflexão necessária deve ser feita agora por todos nós. É aquela de 2 Co 13.5: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados."

"Se não é que já estais reprovados." Palavra dura mas muito necessária em dias onde o Evangelho está sendo adulterado avassaladoramente.

Que todos nós possamos agora mesmo avaliar nossa vida de fé cristã. É mesmo conforme a vontade de Deus? Ou não passa de mera religiosidade, de mero tradicionalismo denominacional?

Pensemos juntamente nisto.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Deus, Mistério, Majestade e Glória

Nosso grande Deus a quem servimos, resolveu revelar-Se a Si mesmo por meio das Escrituras do Antigo e Novo Testamento e maiormente por intermédio do Verbo, Jesus Cristo. Tudo o que podemos saber sobre o Senhor Deus, está revelado, está escrito na Bíblia. Esta revelação é denominada de proposicional. E, pessoalmente, Ele veio até nós, revelando-se diretamente na Pessoa de Seu Filho.

As palavras humanas foram o veículo usado por Deus para se dar a conhecer em um nível compreensível a todos os homens. O homem pode agora utilizar suas faculdades mentais e tomar conhecimento da revelação escrita de seu Criador. Se Deus não houvesse decidido por esta revelação, nenhuma criatura humana conheceria a Pessoa por excelência. Deus falou através de instrumentos humanos, os profetas, que por sua vez registravam as elocuções divinas em forma de palavras, processo esse supervisionado também pelo Senhor, para que então todos tivessem acesso aos Seus oráculos. Portanto, o Deus que resolveu se revelar e a Quem servimos, é perfeitamente cognoscível.

Mas o fato de dar-se a conhecer por intermédio das Escrituras, aos seres humanos que criara esgota o conhecimento de Seu ser? Não. Isto porque existe uma dimensão em Deus que nos é oculta. Porque isto é assim? Porque o Infinito não pode ser alcançado e compreendido plenamente pelo finito. Porque criatura nenhuma em toda a vasta extensão do Reino de Deus, quer sejam anjos, querubins, serafins, homens, demônios, pode compreender perfeitamente aquele que é Inefável. O mistério sobre sua Pessoa é um fato a qual todos devemos aceitar. Sabemos que, segundo Sua Palavra, o que Deus resolveu revelar a nós está bem delineado conforme o texto conhecido de Dt 29.29: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” Por coisas encobertas podemos entender aquilo que Ele resolveu, decidiu, em Sua Soberana vontade, ocultar-nos. As reveladas, referem-se ao conteúdo proposicional da Bíblia Sagrada. Aos 66 livros dos dois testamentos que perfeitamente trazem o selo da inspiração divina e expressam com magnitude a Sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12.2).

Inquestionavelmente declara a Revelação escrita de Deus sobre um Ser que é Um. Sua unidade, sua exclusividade: “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus”; “Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro”; “Pois não há outro Deus senão eu; Deus justo e Salvador não há além de mim. Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não outro” (Is 45.5a,6; 21b,22). Mas declara de igual forma a mesma Revelação de um Deus que subsiste em Três Pessoas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Toda a amplitude da Revelação divina dá testemunho cabal das triunidade de Deus.

Isto é complexo. É de difícil alcançe para a mente humana. Incompreensível. Foge aos pressupostos da lógica. É neste ponto que muitos abandonam a fé cristã, por não suportarem o desafio de aceitar a doutrina de Deus como referendada na Bíblia, e outros que permanecem numa zona obscura, doutrinariamente falando, porque aceitam a unidade de Deus somente no sentido absoluto que o termo hebraico yachid traz (como vertido no Sl 133.1). Entretanto, existe outro termo para único ou unidade, que é echad (visto em Dt 6.4). Com este termo, a inspiração do Espírito de Deus nos faz saber que há uma notável pluralidade na unidade. Fica a indagação: Como compreender plenamente isso? Como entender que Deus é Um mas também é Três Pessoas?

Amigos e irmãos, é isto que a doutrina bíblica sobre Deus nos ensina nas Escrituras. Isso é revelação de Deus para nós. Ainda que compreensivelmente não possamos aquilatar plenamente, todavia, é o que está registrado nos oráculos divinos. É este Mistério sobre a Pessoa Divina que precisamente constitui sua Majestade e Glória. Ele é um Ser totalmente distinto do restante de Sua criação. Ele é o Totalmente Outro, como assinalou Karl Barth. Totalmente separado em Sua infinitude e atributos incomunicáveis (Onipotência, Onisciência, Onipresença). Ele paira gloriosa e majestosamente fora e acima de Seu universo criado. Mas também de uma maneira que não podemos compreender, Ele está junto conosco: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). Isto comprova a própria palavra do profeta Isaías (7.14) referendada em Mt 1.23, que refere-se ao Salvador, o Senhor Jesus Cristo: ”Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco.”

Alegramo-nos sobremaneira pela forma como a Palavra de Deus foi preservada, tendo chegado até aos nossos dias. Pela maneira zelosa de Deus em cuidar para que no decorrer dos séculos, Seus oráculos estivessem preservados de forma escrita e disponíveis aos homens. Mas a compreensão cristã de Deus poderá empobrecer-se ao tentarmos racionalizar o que sabemos sobre Ele. A visão é de um Deus que criou todas as coisas. De um Deus do qual vemos Sua glória refletida nas maravilhas do mundo natural. Um Deus redentor, cuja bondade e amor pelo ser humano são vistos na amorável Pessoa de Jesus Cristo. Um Deus presente nas vidas daqueles que vivem e crêem n’Ele, na Pessoa do Espírito Santo. O Mistério, a Majestade e a Glória de Deus. Qual a atitude diante de tal grandeza?

Reverência. Como não ter outra atitude diante d’Aquele que é Supremo e Absoluto? Não é medo, o paralisante e castrador medo. Ao contrário, a Pessoa de Deus nos leva à alegria. Abrimos nosso coração e nossa mente ao Ser que em Sua excelência e perfeição cativa-nos de tal forma que até mesmo aquilo que d’Ele não conseguirmos compreender, nos admiramos, e encurvamos nossas frontes em profunda adoração, reconhecendo a Majestade e a Glória de tal Mistério.

Paulo, de forma admirável, traduziu esta rendição ao Ser Inefável por excelência: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” Rm 11.33-36).

Esperamos confiantes o dia em que Jesus Cristo, Deus Filho, se manifestar pela segunda e derradeira vez a este mundo. O plano de Deus para redenção do ser humano encontrará sua plenitude neste glorioso dia. E passaremos então a estar eternamente em sua Presença. Mas, mesmo em Sua eterna companhia, ainda por toda eternidade, em eras que tombarão sobre eras, não conseguiremos compreender plenamente a grandeza de nosso Deus. Seu Mistério, Sua Majestade e Sua Glória permanecerão: “Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. PORÉM TU ÉS O MESMO, E OS TEUS ANOS NUNCA TERÃO FIM” (Sl 102.25-27).

Escolha agora dobrar os seus joelhos em adoração ao Eterno.

Pense nisto!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

The day after in Brazil

Como será acordar pela manhã sabendo que, o que ardentemente desejou que não se realizasse no dia anterior, justamente agora se concretizou? Quais seriam nossas reações? Como ficaria nosso ânimo? Quais as expectativas relacionadas ao fato indesejado? E o que fazer doravante dentro da nova realidade não-desejada?

Creio que isto é o que perpassa as mentes e corações de todos os que neste país não votaram em Dilma Rousseff. Amanhecemos neste primeiro de novembro, creio, meditativos em relação à sua vitória sobre José Serra. Dilma conseguiu superar toda oposição em torno de seu nome. Inclusive dentro do próprio PT. Rejeição talvez pelo fato de ser uma mulher (e isto é preconceito), de nunca ter participado de uma eleição (igualmente, um outro preconceito), de ter sido em seu passado uma terrorista (a meu ver, mais outro preconceito, porque as pessoas podem mudar). Pessoalmente não votei nela (e em Serra também não) porque, como crente em Jesus Cristo, como um cristão comprometido com os valores do Reino de Deus, não poderia dar o meu voto para candidatos que fossem a favor da união civil dos homossexuais e igualmente pela descriminalização do aborto (muito embora no segundo turno ela tenha mudado de opinião em relação a este último tema, por causa do voto dos evangélicos e sabemos que isto configurou uma conveniência e não uma decisão movida por convicção pessoal).

Dilma Rousseff é a presidente eleita do Brasil. Ponto. A primeira mulher no país a ser eleita presidente da República. Isto agora é fato. Vamos reconhecer e nos adequar a esta nova realidade.

É inegável meus amigos os progressos alavancados pelo PT nos oito anos de governo Lula. O Bolsa-Família, o Luz Para Todos, o Programa Minha Casa, Minha Vida, o Programa Universidade Para Todos (minha filha mais velha é bolsista deste programa e cursa Administração de Empresas), as obras de saneamento e drenagem do PAC, realmente impactaram a vida da população e resultaram também no fortalecimento do mercado interno além da estabilidade econômica. Não sou insensato para não reconhecer este conjunto de políticas públicas, principalmente para os mais despossuídos, os mais necessitados. Sem querer deter-me nos aspectos negativos do governo petista, concernente à corrupção por exemplo, devo sim reconhecer as contribuições positivas deste governo para o nosso país.

Dilma certamente dará continuidade aquilo que deu certo no governo Lula. O que ela fará de iniciativa pessoal? Ainda é um tanto incógnito. Não se consegue ainda vislumbrar no horizonte. Até porque, e isto vejo de forma negativa contra ela, alterou seu discurso no tocante ao aborto. Esta conveniência, como já nos reportamos, é algo que deixa a todos nós cristãos apreensivos. Ela declarou publicamente também que é contra a alguns dos postulados do PNDH-3, como a censura à imprensa. Aliás, o perfil que demonstrou na campanha é de que seguirá os postulados da democracia social e não se curvará ao anacronismo marxista radical que é minoritário no PT. Porém, será que ela conseguirá conter, como Lula conseguiu, o ímpeto dos radicais que desejam uma ruptura revolucionária com a democracia, a economia de mercado, a liberdade de expressão? É notório que o Brasil é detentor de instituições democráticas saudáveis. Se Dilma permanecer nos trilhos destas instituições, terá toda a chance de fazer um bom governo.

Reitero que sou um cristão comprometido inteiramente com a Bíblia, a eterna Palavra de Deus. Portanto, em obediência a essa Palavra, posto que expressão exata da vontade de Deus, deverei orar pela nossa presidente. Deverei interceder por ela mesmo que defenda práticas contrárias à vontade divina. Devo crer no que diz Pv 21.1: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a todo o seu querer.”

A campanha eleitoral passou. Hoje é o dia seguinte, o dia que se segue a tudo o que foi falado sobre Dilma, inclusive da parte deste escriba. Se cometi injustiça, lamento e peço perdão ao Senhor. Permanece porém o senso crítico. Um saudável discernimento mediado pela Palavra de Deus, é o que deve nos ponderar sempre. Lembremo-nos irmãos sempre o respeito de devemos às autoridades constituídas. Não sejamos maldizentes. Veja o que aprendemos sobre isso com o apóstolo Paulo em Atos 23.4,5.

Lembremo-nos sempre de que fomos chamados para abençoar e não amaldiçoar. Acredito que muito o que foi falado sobre Dilma Rousseff na campanha presidencial era verdade. Mas também houveram sem dúvida alguma muitos comentários maliciosos e irresponsáveis. Devemos vigiar e devemos orar para que, como cristãos, não incorramos nestes erros, que na verdade são pecado diante do Senhor. Estas coisas não nos convém.

Agora temos de dar um voto de confiança para a nossa nova mandatária. E veremos então, a partir de primeiro de janeiro de 2011, se tudo o que foi falado de mal a respeito dela era realmente verdade, ou, se todos nós fomos vítimas e reféns de uma central de boatos instalada para realmente denegrir a imagem da candidata do PT e do presidente Lula.

Quero recordar de duas passagens bíblicas fundamentais para entendermos este novo momento em que vivemos. Paulo aos Romanos 13.1 a 7, e 1 Timóteo 2.1,2 que transcrevo na íntegra: “Antes de tudo, exorto que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e serena, em toda piedade e honestidade.” Vamos orar. Exerçamos nosso sacerdócio intercessório. Creiamos na intervenção divina de que Ele é soberanamente poderoso para intervir e fazer com que leis ímpias e anti-vida como o aborto sejam aprovadas (Dilma governará com a maioria dos parlamentares no Congresso a seu favor).

Você tanto como eu somos sal da terra e luz do mundo como Jesus Cristo disse (Mt 5.13,14). Podemos influenciar sim a vida deste país não só em nosso sacerdócio intercessório, como também vivendo de acordo com as ordenanças do Evangelho. Cumpramos adequadamente a nossa missão para o qual Deus nos chama, enquanto filhos d’Ele e súditos de Seu Reino. Resplandeça plenamente nossa luz diante dos homens. Oremos pela paz e pelo ordenamento democrático no Brasil. Oremos também para que não hajam retrocessos nesta democracia e nem extremismos de qualquer tipo. Oremos para que Dilma Rousseff, nossa presidente, faça um governo justo, democrático e equilibrado. Eu creio que isto é possível. Porque Deus é Soberano e porque nós, o Seu povo, poderemos nos colocar na brecha a favor desta terra. Você crê nisto?

A Igreja precisa continuar sua missão de anunciar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. É a única mensagem que salva o homem, transformando sua vida plenamente. Que tenhamos paz em nossa nação portanto, para cumprirmos cabalmente o ide de Jesus. Oremos pelo novo governo desta terra de Santa Cruz enquanto anunciamos o Evangelho que salva pela fé n’Aquele que foi morto por todos nós em uma rude cruz.

Cristão e brasileiro, pense nisto!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Arrependo-me…..

Arrependo-me Senhor, arrependo-me por ouvir e não obedecer. Arrependo-me por saber e não cumprir o que está tão claramente escrito em Tua Palavra. Arrependo-me por tantas vezes reincidir no erro e na desobediência. Arrependo-me da rebeldia inata, da palavra iníqua falada, do pensamento impuro alimentado e desejado. Arrependo-me do desvirtuamento voluntário, da insistente impiedade, da procura no olhar por aquilo que só a Ti entristecerá.

Arrependo-me por não te buscar na solidão, de reiteradamente pecar e cortejar a ilusão. Arrependo-me por amar ao mundo, seus prazeres falidos, suas esperanças vãs, suas oferendas momentâneas, enganosamente atraentes, enlaçando meu coração e minha mente.

Arrependo-me por assim fazer, de Ti ó Cristo esquecer, sabendo o que era bom e melhor mas optando pelo avassaladoramente e constantemente erro mortal, fazer minha própria vontade e escolher o mal. Deus, me arrependo das buscas ilícitas, satisfazendo apetites naturais mas que tornam-se pecados banais.

Invoco Teu perdão, Tua misericórdia, Tua graça, Teu amor, Tua bondade. Anseio Tua cura, Teu socorro, Tua purificação, vida vivida em comunhão contigo. Quero a Tua fidelidade, Tua companhia sempre, ó meu Senhor, segurança na tempestade, consolo na tristeza, cuidado na tentação.

E assim seguir e prosseguir e avançar e me doar pelo bem de tantos, que gemem em seus pecados igualmente. Quero serví-los, porque sei que, em servir a tantos, estarei a Ti servir ó meu Deus. Porque sei que honrarei o Teu Nome que é sobre todo nome.

Aqui estão comigo os talentos que me deste. Não te devolverei agora Senhor. Não! Pois ainda serão muito usados para que o Teu Reino seja proclamado. Ainda serão usados para proclamar o Teu glorioso Evangelho. E se ainda é pouco, ainda mais te pedirei, que tu me capacites mais e mais para que eu seja um instrumento útil em Tuas mãos.

Senhor, não almejo bens materiais deste mundo. Almejo bens espirituais de outro mundo. Desejo com todo o meu ser me deixar ser usado em Tuas mãos. Quero de uma vez para sempre morrer para mim mesmo. Sei que assim, somente assim, darei muito fruto.

Arrependo-me por não alegrar Teu coração. Por lembrar-me o quanto Tu me amas e o quanto me demonstrei ingrato e odioso. Sou Teu filho, eu sei. Recebeste-me de braços abertos em Tua família. Não me negaste o Teu verdadeiro amor de Pai.

Eis-me aqui para retomar minha caminhada contigo. Eis-me aqui para exaltar o Teu Nome em todas as circunstâncias. Eis-me aqui para fazer em todo tempo somente a Tua vontade, boa, perfeita e agradável.

E não me arrependerei de entregar-me inteiramente no altar de oração. Do lugar de onde nunca deveria ter saído. Do lugar onde há fartura de alegria. E de onde fluem ondas contínuas de Teu amor sem igual.

Eu estou em Tua presença. Jamais dela sairei. Aqui é o verdadeiro e melhor lugar onde eu possa estar.

Te amo ó Deus meu. Escondo-me em Ti. Guarda-me pois como a menina de Teus olhos.

Amém e amém!

sábado, 23 de outubro de 2010

Homossexualismo e liberdade humana

A homossexualidade ou homossexualismo é pecado. Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Criou o masculino e o feminino. Determinou que se tornassem marido e mulher. Seus corpos se complementam na intimidade sagrada do sexo. Constitui-se em abominação a união íntima entre dois homens ou duas mulheres. Deus não tolera, não aprova, não abençoa tal união. A Bíblia comunica a expressão bem clara da vontade de Deus, o Criador, para o homem, a criatura. O matrimônio e a sexualidade humana, sua correta expressão, estão bem demarcados nas Escrituras (Gn 1.26,27; 2.24; Mt 19.1-12; Lv 18.22; 20.13; Rm 1.26,27; Ap 21.8).

Satanás ataca estes aspectos da existência do gênero humano de forma contínua e mortal, procurando desconstruir o ordenamento divino. E de tal maneira é seu assédio que faz parecer normal o divórcio e novo casamento, por exemplo. Hoje, a homossexualidade está sendo trabalhada de forma acintosa pelo diabo para que seja igualmente plenamente aceitável e normal na experiência da humanidade.

O lobby gay nos segmentos da sociedade está sendo a cada dia mais fortalecido. A mídia, infelizmente a maioria dela, faz apologia à plena aceitação dos homossexualismo como comportamento normal. Isto se dá por meio de filmes, novelas, comerciais, reportagens. O que é abominável, detestável, aos olhos de Deus, vai sendo aceito cada vez mais pelas pessoas. Há países em que a comunidade gay é tratada em grau de igualdade com os heterossexuais. Trocam carícias em público, casam-se, adotam crianças.

Neste exato instante, o que se pretende é que o homossexualismo, por força de lei, seja aceito em toda plenitude, com sanções previstas para os que emitirem opinião contrária. Esta é a intenção para o nosso país, por exemplo, em vista do Projeto de Lei Complementar 122/06.

Mas é precisamente aqui que discorreremos sobre a liberdade humana. Deus criou homem e mulher e criou a ambos com liberdade de fazer escolhas. Em Sua sabedoria e justiça, o Senhor não poderia criar seres que lhe fossem subservientes, mas que se submetessem em amor e por livre escolha, sem nenhuma espécie de coação. O Criador não nos fez autômatos. Não somos os robôs dos filmes de ficção científica que executam ordens seguindo a uma programação em seu cérebro eletrônico. O homem fabrica estes mecanismos, verdadeiras maravilhas tecnológicas, mas que possuem uma (se é que podemos assim chamar) “inteligência” artifical e tudo o que fazem deve-se à uma prévia programação. Nada fazem por vontade própria, visto que não a possuem.

Não são capazes de tomar decisões de forma independente e autônoma como os seres humanos. Estes não foram “fabricados” mas sim, criados pelo Senhor de todas as coisas. Se é que podemos falar de haver Deus “programado” o homem para cumprir instruções, à semelhança dos robôs, está no fato inquestionável de o Senhor criou ao homem de tal forma que este pode (por causa de sua incomparável inteligência, superior à de todas as demais criaturas) tomar decisões próprias, autônomas. Esta capacidade de tomar decisões é inata, todos sabemos disso. O homem foi criado em liberdade. Sua vocação é para a liberdade.

Portanto, é grave erro supor que uma lei humana e iníqua deva cercear a liberdade de expressão do indivíduo em relação a qualquer assunto. Neste caso, a PLC 122/06 pretende fazer isso. Os cristãos seriam os principais prejudicados posto que, à luz da Palavra de Deus, repudiam o comportamento homossexual, embora respeitem o homossexual enquanto pessoa, enquanto imagem e semelhança de seu Criador e por causa do imensurável amor de Deus em Cristo (Jo 3.16).

A liberdade humana é de tal forma sagrada que não questiono o fato de que muitos querem viver na homossexualidade, julgando estarem vivendo de forma normal e natural. Todo ser humano, à luz do livre arbítrio de que é dotado, concedido e permitido pelo próprio Criador, vive da maneira que achar melhor. O que repudiamos é o lobby gay querer exatamente fazer agora, em nome de sua liberdade pessoal, cercearem a liberade de todos os demais que não concordam com seu estilo de vida. De quererem obrigar, por força de lei, a que todos os demais que não aceitam seu comportamento, a fazerem ou deixarem de fazer algo conforme suas opiniões pessoais. Por exemplo, também há a PLC 1151/95 que diz que as igrejas que não realizarem casamento de homem com homem ou mulher com mulher, estarão fazendo discriminação e, portanto, poderão ser multadas e os pastores ou padres, processados. Este projeto prevê também, que o dia do "orgulho gay" seja oficializado em todas as cidades brasileiras.

Finalmente, embora o ser humano, dotado de liberdade, possa em tese fazer o que desejar, Deus diz que o homem é um ser que é inteiramente responsável pelos seus atos. Esta sua liberdade é regulada pelo próprio Deus. Ele chama o homem a prestar contas de seus atos. No Éden, Adão recebeu o veredito pelo mau uso de sua liberdade (Gn 3.17-19) e também Eva, sua mulher (3.16). Apesar da Queda, não foi retirado do homem o seu livre-arbítrio, mas ele muito mais ainda é admoestado sobre as consequências dos seus atos. No capítulo 4 de Gênesis vemos como Caim é chamado pelo Senhor a prestar contas da vida de seu irmão, Abel (vv. 9,10). E assim segue este padrão por todo o relato bíblico.

Deus não toma o culpado por inocente (Êx 34.7). Deus não se deixa escarnecer (Gl 6.7). Deus tomará vingança dos seus inimigos, os que Lhe desobedecem (2 Ts 1.7,8). Deus não aceita que chamem ao mal, bem e ao bem, mal (Is 5.20). Deus não aceita que o homem decrete leis injustas, leis de opressão (Is 10.1). Vemos o claro testemunho das Escrituras no sentido de que o homem é responsável pelos seus atos. E de que haverá um dia de ajuste de contas prometido pelo Criador para julgar os pecados de suas criaturas (Sl 96.13;Is 2.11-22; Na 1.2; Hb 10.26,27; Jd 1.15; Ap 20.11-15).

O cristão, o autêntico seguidor de Jesus Cristo, é chamado para viver a plenitude da liberdade, pois, “…o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17). Mas, admoesta-nos ainda o apóstolo Paulo em Gálatas 5.13: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros em amor.” O crente, diferentemente do ímpio, usa com sabedoria seu livre arbítrio, submetendo-se ao Senhor em amor, sabendo que os mandamentos divinos visam o seu bem.

Vivamos então de tal forma que os homens deste mundo que jaz em trevas espirituais vejam a glória da luz do Evangelho em vidas de santidade, que gozam da verdadeira liberdade em Cristo. Os homossexuais e todos os demais que não obedecem a Deus, pensam que estão usando verdadeiramente sua liberdade, mas em realidade estão cativos à servidão do pecado e de Satanás (Ef 2.1-3).

Estão livres os homossexuais? Não, estão em correntes diabólicas. Mostremo-lhes a verdadeira liberdade em Cristo, amemos suas vidas. Para isso fomos chamados como Igreja do Senhor. Encarnemos plenamente Lc 4.18,19 (Is 61.1,2): “O Espírito do SENHOR é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração de vista aos cegos,a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.”

Que todos os libertos do Senhor pensem nisso.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Escolhas deliberadas e suas consequências

Em 1 Samuel 8.1-22 está relatado o episódio da rejeição do governo teocrático por parte de Israel. Era este governo de Yaweh exercido por meio de juízes, dos quais Samuel foi o mais destacado deles. Os anciãos de Israel foram até Samuel e lhe pediram que constituísse um rei como tinham os demais povos em derredor. No verso 7, o Senhor é taxativo ao dizer a Samuel que não era a ele que estavam rejeitando, mas ao Senhor mesmo rejeitavam para que não reinasse sobre eles. Então, por orientação de Deus, passa Samuel a lhes relatar as obrigações para o novo regime, isto conforme legislação da lei mosaica (Dt 17.14-20). No verso 22, o Senhor repete a ordem dada a Samuel para nomear um rei: Então o Senhor disse a Samuel: Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes um rei. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade.”

O que gostaria de ressaltar é a escolha deliberada do povo. Seu desejo em ter um rei como todas as demais nações. Samuel já havia envelhecido e seus filhos não foram seus imitadores (v.5). Foram eles constituídos como juízes, mas não seguiram a piedade e virtude de seu pai. Assim, os anciãos, representando o povo israelita, vão ao encontro de Samuel e pedem-lhe a nomeação de um monarca. Estavam rejeitando ao Senhor. E Deus determinou que Samuel lhes atendesse a demanda.

O que podemos aprender desta solicitação do povo e a consequente resposta divina?

Não creio que o povo de Israel não tivesse consciência de que eram uma nação diferente de todos os demais povos em derredor. Que seu regime de governo por meio dos juízes, tornavam estes os representantes diretos de Deus, posto que escolhidos para esse fim. O Senhor governava através deles. Mas a nomeação de um rei era algo muito diferente. A instituição da monarquia implicava obrigações. Uma tributação para sustentar os gastos da corte, bem como a convocação dos homens jovens e saudáveis de entre as tribos de Israel para fazerem parte de seu exército. Outros homens e mulheres, os melhores, seriam convocados para prestarem seus serviços nas mais diversas atividades.O rei mandaria ainda, dizimar os rebanhos, as vinhas, os olivais, enfim, tudo para manter a máquina monárquica em pleno andamento (vv.11-17). E Samuel diz ainda: “Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia” (v.18). E qual é a reação do povo? Leiamos: “Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei. E nós seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras (vv.19,20).

Diante do momento atual em nossa nação, em que estaremos escolhendo o novo presidente da República, lembrei-me deste capítulo significativo do primeiro livro de Samuel a fim de refletirmos desta forma a escolha que faremos no dia 31 de outubro no segundo turno das eleições.

Temos visto uma tendência nos eleitores brasileiros em escolher Dilma Roussef como a sucessora do presidente Lula. A símile que quero fazer entre as eleições presidenciais e a rejeição de Deus para que não reinasse sobre o Seu povo, conforme vimos em 1Samuel 8, está no fato de que não estaremos, assim como o povo de Israel, escolhendo o que é bom, escolhendo o que é justo, escolhendo o que é agradável aos olhos de nosso Deus. Isto porque, as evidências apontam para um governo que poderá, mesmo que a candidata petista esteja agora na reta final negando, dar o apoio ou a chancela presidencial, para que leis que são frontalmente contrárias à Lei de Deus, sejam aprovadas (veja nossos posts, “Projetos de lei contra Deus e Sua Palavra, I e II http://observateologia.blogspot.com/2010/02/projetos-de-lei-contra-deus-e-sua_25.html e http://observateologia.blogspot.com/2010/02/projetos-de-lei-contra-deus-e-sua_26.html ).

Com isso, não estou absolutamente querendo dizer que o governo de José Serra e do PSDB seria o ideal divino. Não tenho esta autoridade para assim falar. Aliás, Serra também declarou-se a favor da união civil de homossexuais e à adoção por famílias gays de crianças. Então, vemos dois candidatos que possuem opiniões semlhantes concernente a essas abominações.

O povo israelita sentiu em sua própria pele a escolha errônea que fizeram, muito embora, o Senhor, em sua onisciência, soubesse que Abraão teria reis em sua descendência (Gn 17.6). Deixaram o bom governo de Yaweh, Seu cuidado, Sua proteção, Sua orientação, e por conta própria foram e pediram a Samuel que lhes nomeasse um rei: “E nós seremos como todas as outras nações” (v.20), ou seja, uma lamentável semelhança com os pagãos é o que desejavam. Talvez, em nossos dias, se diria que eles desejavam uma plataforma “moderna e liberal” de governo contra o “conservantismo” do regime dos juízes.

Os reis de Israel, a grande maioria deles, a começar com Saul, não se caracterizaram pela piedade, pela submissão integral ao Senhor e pela não “multiplicação de cavalos” e não “multiplicação de mulheres” e não “multiplicação de prata e ouro” conforme as ordenanças de Deus em Dt 17. Também, não liam todos os dias a lei de Deus, salvo honrosas e poucas exceções (como Davi, Josias, Ezequias, por ex.), assim, tanto Israel quanto Judá, foram à bancarrota espiritual por causa da maioria de reis ímpios que tiveram. A idolatria era escandalosamente grande tanto entre os monarcas quanto entre o povo. Leiamos os livros de 2 Crônicas, Jeremias e Lamentações e compreenderemos porque a nação foi parar no exílio.

A nação brasileira em 31 de outubro fará uma escolha. E escolhas tem consequências. E estas consequências jamais poderão ser atribuídas à “vontade de Deus”. Não. É a vontade do povo nas urnas. É o povo nas urnas pedindo para si um rei. E sacramentando sua vontade em detrimento da vontade de Deus.

Irmãos, oremos pela nação. Para que Deus tenha misericórdia de todos nós. Porque, mesmo que decidiram pedir um rei, todavia, o Senhor ainda estava de forma soberana agindo em meio à rejeição de Sua vontade. Foi Ele quem determinou quem Samuel iria ungir para que fosse rei sobre Seu povo (1Sm 9.16). Foi Ele quem determinou quem Samuel iria ungir para que fosse rei em lugar de Saul que se desviara (1 Sm 15.11,28,35;16.1-13).

Por isso, sendo um ou outro o que será eleito em 31 de outubro, de uma coisa eu tenho certeza: O Senhor não rejeitará ao nosso povo, o Senhor pelejará pela nação brasileira, o Senhor ouvirá o clamor de Igreja em prol desta nação.

Coloquemo-nos portanto na brecha da intercessão (Sl 106.23; Is 59.16). Lembremo-nos da palavra dada a Joel: “Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; por que diriam entre os pvos: Onde está o teu Deus?” (2.17).

Povo de Deus no Brasil, pense nisso.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cuidado com o mito da igreja perfeita


Há um mito recorrente no meio evangélico que precisa ser esclarecido sob pena de muitos viverem docemente sua ilusão, o qual lhe trará muitos prejuízos espirituais. Falo do mito da igreja perfeita. Ou seja, cristãos que acreditam piamente que a "sua" igreja é perfeita. Que é a que mais segue perfeitamente o que a Bíblia diz. E digladiam-se com outros conservos seus por causa disto, causando muitos malefícios e atrasos para o avanço do Reino de Deus.

O orgulho religioso é a pior espécie de orgulho que pode existir. É um contrasenso falar-se de alguém que seja crente em Jesus Cristo, salvo, lavado e remido por Seu sangue e que seja possuidor de uma incrível arrogância porque pertence a igreja "A". Ele é convicto de que a igreja "A", a sua querida igreja, igreja de sua infância, igreja onde casou, onde seus filhos nasceram e foram apresentados, igreja onde agora exerce seu diaconato, é a igreja que Deus idealizou para Seus filhos. Possui a melhor liturgia, a melhor "doutrina", os melhores cânticos, os cantores melhores estão ali, o seu pastor é o grande homem de Deus na cidade, enfim, o lugar da benção de Deus é ali.

Mas este hipotético crente, em seu lugar de trabalho, mantém a amizade com outro igualmente irmão em Cristo que pertence à igreja "B". Este seu amigo fala maravilhas de sua igreja. Que culto abençoado. Que cânticos maravilhosos. Que testemunhos de vida. Que mocidade laboriosa. E que poder do Espírito Santo opera ali. Ali, na igreja "B" realmente, é o lugar da benção divina. é o melhor lugar onde o crente pode estar. A igreja melhor na história daquele município. Não sabe este irmão como o seu conservo e companheiro de trabalho pode continuar naquela igreja, qual o nome mesmo? Ah, a igreja "A" sendo que na igreja "B" o "pasto" é de superior qualidade para as "ovelhas". Afinal, o pastor ali é mais ungido não é?

Acontece que o encarregado deste dois irmãos, é membro da igreja "C". E, como chefe imediato deles, todas as manhãs distribui as tarefas da seção onde trabalham. E aproveita os momentos iniciais antes de iniciarem o turno, ou nos intervalos de almoço e lanche, para falar maravilhas de sua igreja. Para ele, não há igreja melhor na cidade que a igreja "C". Ganha disparado das outras em todos os quesitos. Com um detalhe a mais: recentemente inauguraram um templo. Um templo não: Um templaço! Afinal, como esta igreja, além de ser nota 10 em todos os quesitos, é também uma igreja altamente "marketeira". E igualmente utiliza as últimas novidades em mídia eletrônica. Estação de rádio própria, canal de TV, site na web. Liturgia, pregação, música, liderança, enfim, em tudo que se possa imaginar, o crente membro daquela comunidade pode verdadeiramente se "orgulhar" de que pertence à verdadeira igreja do Senhor porque tudo lá "é do bom e do melhor", afinal, "eles são filhos do Rei". Estão inteiramente convencidos que as duas horas de culto ali é um verdadeiro "show", um verdadeiro megaevento que não é comparável a qualquer culto dessas "igrejinhas" de periferia.

Afinal, o que faz alguém pensar que a sua igreja é a melhor do "pedaço"? O que leva um cristão a alimentar tal vaidade em relação às outras igrejas e denominações? Tais irmãos sofrem da "síndrome do tubo". Acreditam que Deus só olha para eles lá do céu através de um tubo comprido, com Seu olhar concentrado sobre eles de tal forma que os outros grupos, outras igrejas, estariam fora deste Seu "especial cuidado". Miseravelmente, muitos acreditam que a coisa se dá desta forma. Deus não estaria se lixando com os outros, porque eles não procedem em conformidade com Sua vontade. Claro, vontade que se expressa em tudo o que se relaciona com o seu próprio "abençoado" e "eleito" grupo.

Não é considerada por nenhuma das hipotéticas igrejas relatadas, a passagem de Efésios 4.1-6: "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós."

Também não devem considerar o que Jesus disse para João que dissera: "Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós" (Lc 9.49,50).

E muito menos outra instrução de Paulo, desta feita em 1Coríntios 12.12-14: "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos." E na continuidade destes versículos, Paulo faz uma maravilhosa analogia entre os membros do corpo humano e os membros do Corpo de Cristo, a Igreja, ajudando ainda mais a compreendermos a mistificação que muitos fazem de se acharem a verdadeira igreja.

O Novo Testamento deixa de forma clara e irredutível a certeza a todos os crentes de que a igreja em que estão NÃO É A VERDADEIRA E A ÚNICA IGREJA! Todo aquele que faz tal afirmação estapafúrdia, não compreende a natureza da verdadeira igreja de Deus. Infelizmente, em seu aspecto puramente humano, a Igreja de Jesus sofre com divisões e contendas que conspiram contra sua verdadeira natureza. Mas o que nos causa espécie é o fato indubitável de que, mesmo assim, o Senhor da Igreja age, mesmo em meio às dúbias posturas humanas. O Senhor age mesmo em meio às vaidades e atitudes mesquinhas de seus servos.

Fica o apelo para que possamos discernir, em espírito de oração e com a Palavra de Deus em mãos, tendo o Espírito Santo como supremo intérprete, todas as questões que se possam levantar no que tange à missão da Igreja no mundo. Se houver uma ampla abertura para o agir do Senhor no seio da Sua Igreja, se ela caminhar inteiramente sob Sua direção e não segundo diretrizes humanas e discutíveis, muito do que vemos hoje será assunto do passado.

É certo que há diferenças entre os cristãos. Muitas diferenças. Mas há um núcleo central que os une. Há um elo inquebrantável: Jesus Cristo. Aprendamos com Ele, que ainda é o SENHOR DE SUA IGREJA. Aquele que estabeleceu o colégio apostólico com homens bem diferentes entre si. E que durante três anos lhes ensinou como deveriam andar, posto que seguidores Seus.

Cuidado com o mito da igreja perfeita. Cuidado com esta mentira diabólica. A igreja perfeita? É a que vemos, igreja triunfante e gloriosa, descrita em Hebreus 12.23: "À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados."

Meus irmãos, aí está a igreja perfeita. Aqui na terra? Pretensões espúrias e diabólicas. Vaidades lamentáveis de cristãos que não conhecem a natureza da igreja de Cristo.

Pense nisso.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Viver sem proibições, nosso secreto desejo e a proteção de Deus


Qual de nós, pecadores salvos unicamente pela graça de Deus, não somos tentados a lançar mão e usufruir daquilo que Deus expressamente nos proibiu em Sua Palavra? Quem pode dizer que nunca alimentou desejos secretos de provar o que não lhe é lícito fazer? Ainda que novas criaturas em Jesus, todavia, nossa carne ainda deseja ser alimentada. Cabe-nos resistir aos seus impulsos pelo poder de Deus.

Deus em Sua Palavra nos tem dado muitos mandamentos a serem observados. O bem que nos faz em obedecer é inigualável. Podemos e devemos pela graça do Senhor, guardar seus mandamentos, posto que não são pesados. E muitas destas ordenanças vão diretamente contra aquilo que mais ansiamos. A palavra "concupiscência" é sinônimo de "cobiça". Em 1 João 2.16 lemos: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo." Bem disse também o apóstolo Paulo em Romanos 7.19: "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço." O que o nosso bom Deus teria em sua mente em proibir-nos de coisas que naturalmente desejamos?

Roubar é pecado. Mas, surrupiar aquilo que é de outrem, para alguns é irresistível. Falar mal de nosso semelhante, ou seja, a maledicência. Qual de nós já não teve uma incrível coceira na língua para nos levar a falar irresponsavelmente acerca de alguém?

Todavia, o que mais tem derrubado os filhos de Deus de sua posição privilegiada, são os pecados na área do casamento ou do sexo. Eu diria que as tentações nesta área tem um caráter ímpar. Mexem com aquilo que de mais prazeroso consideramos, o prazer carnal, sexual. Mas Deus orienta-nos em Sua Palavra de forma cabal e categórica: "Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo" (1 Co 6.18). Um homem e uma mulher possuem uma natural "química" que os atrai mutuamente. Mas o Senhor, Criador de todas as coisas, ordenou que sejam satisfeitos nossos legítimos desejos sensuais na sagrada intimidade do casamento.

Satanás sabe disso muito bem e procura de todas as formas fazer com que os filhos de Deus caiam por seus próprios apetites. O sistema mundano que jaz no maligno (1 Jo 5.19) está devidamente aparelhado pelo diabo para atrair os incautos. A mídia vomita todos os dias suas produções carregadas de sensualidade procurando seduzir-nos com imagens inebriantes e corpos belíssimos. Cultua-se o corpo como nunca antes. Ele tem de estar em evidência. Nos alimentamos desta produção cultural e vamos ficando desnutridos dos valores eternos.

E cairemos neste fosso, neste lamaçal chamado prostituição se não nos cuidarmos e nisto com a ajuda do Espírito Santo. Sozinhos não conseguiremos. E sem a comunhão com outros cristãos igualmente andando na Presença de Deus, cairemos fatalmente.

Vejamos um pouco mais sobre os pecados na área sexual. Estas definições são de Mark Bubeck no livro O Adversário (Mundo Cristão):

1- Adultério (Mt 15.19; Mc 9.21). Refere-se aos pensamentos ou atos de imoralidade depois do casamento. O adultério brota de um desejo egoísta e carnal de gratificação física sem responsabilidade espiritual. Expressa rebeldia da carne contra a lei divina da pureza e ataca a santidade do casamento (Hb 13.4).

2- Fornicação (Mc 7.21). Este pecado da carne é a violação da lei moral de Deus antes do casamento. A fornicação provém do desejo carnal de gratificar os apetites sexuais sem a responsabilidade do casamento e sem a aprovação divina. Não há lugar ou desculpa para a fornicação o plano de Deus (1 Co 6.13,18).

3- Impureza (Mc 7.21). Este pecado da carne inclui uma extensa série de pecados morais. Pensamentos maus ou impuros, histórias sujas, desejos concupiscentes, o gosto pela pornografia ou o desejo de olhar figuras ou filmes impuros devem certamente ser incluídos. A impureza resulta do desejo carnal de gratificar o apetite sexual através dos pensamentos e palavras em conflito com a santa natureza de Deus e o plano divino.

4- Lascívia (Mc 7.22) Representa a prática de despertar desejos libidinosos que não podem ser satisfeitos dentro dos limites da aprovação divina. Há quem seja lascivo quanto à sua roupa, seu modo de falar (ou de escrever), seu modo de rir, seu sorriso, seus olhos, seus gestos físicos, sua modéstia, e assim por diante. Este pecado brota do desejo carnal de atrair a atenção para si de um modo que contradiz o padrão divino da pureza moral.

A chamada "liberdade sexual" nada mais é que uma prisão horrenda em que os homens e mulheres estão entregues e do qual não conseguem sair sem a ajuda poderosa do Onipotente. Por isso, o Senhor tão ciosamente orienta em Sua eterna Palavra, a todos que lhe derem ouvidos, que em obedecê-Lo só fará bem a quem assim o fizer. Se Deus nos proíbe o sexo pré-marital ou extra-marital é porque Ele sabe que estas práticas, posto que pecaminosas, não farão bem à nossa alma. Glorioso é o homem constatar que a proibição ou repressão de Deus, tem o condão de nos conduzir a "águas tranquilas de descanso" (Sl 23.2). Pelo contrário a "liberdade" de Satanás faz com que se cumpra a palavra de Isaías 57.20,21: "Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não pode se aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus."

Com zeloso cuidado, alertamos uma criança para que não coloque sua mãozinha na tomada da parede ou nas pás de um ventilador. Assim Deus faz para conosco. Ele nos proíbe certas coisas porque nos ama imensamente e não deseja que pequemos contra a Santidade de Sua Augusta Pessoa. Veja o alerta que amorosamente fez ao rei Abimeleque quando este tomou para si Sara, esposa de Abraão, para que esta lhe fosse sua própria mulher. Em sonho o Senhor lhe disse: "E disse-lhe Deus em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu coração fizeste isso; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la" (Gn 20.1-18). Leia todo o contexto para inteirar-se completamente do agir de Deus nas complicadas situações humanas.

Por isso, devemos conviver bem com as proibições que o Senhor nos faz. Ele nos ama. Somos seus filhos e devemos honrá-lo, obedecendo-lhe incondicionalmente. Para isso, necessário é que lhe rendamos nossa vida e tudo o que temos ou somos.

Não permita que o diabo roube o mais precioso bem que você, amado irmão ou irmã possui: a comunhão com Deus por meio da obra consumada de Jesus Cristo na cruz do Calvário e por intermédio do Espírito Santo. Não esqueça que foi exatamente por negar-se a obedecer à única restrição que o Criador lhe impôs, que Adão e Eva foram banidos da amorável presença do Senhor. Todavia, em que pese todo o prejuízo daí decorrente, Deus não deixou o homem sozinho, não deixou de tomar a iniciativa para resgatá-lo de sua queda. Buscou-o (Gn 3.9), providenciou vestes (Gn 3.21) e prometeu-lhes o necessário Salvador (Gn3.15).

Portanto, seja na área matrimonial ou sexual ou qualquer outra área de nossas vidas humanas e falíveis, deveremos ser gratos a Deus por cuidar de cada um de nós deixando-nos suas orientações quanto ao modo de agradá-Lo na Bíblia Sagrada. Você já louvou a Deus hoje por Sua bondade em cuidar de ti e pelos benefícios que Lhe tem dispensado? Ou você está remoendo-se em culpas, ou mesmo irado porque acha que Deus restringe sua vida? Experimente sair da proteção que te proporciona a obediência às leis divinas e você estará num buraco negro espiritual. É precisamente este o desejo de Satanás. Ele sabe muito bem que se conseguir fazer com que você desobedeça ao Senhor e caia em pecado, mais facilmente o escravizará e finalmente o destruirá. Suas intenções já foram denunciadas por Jesus, leia João 10.10.

Pense nisso e considere o seguinte: Não há vida abundante em Jesus se não deixarmos nossos pecados de estimação. Abandone-os, antes que seja tarde demais!