quinta-feira, 31 de março de 2011

Esta é uma sociedade terapêutica

Nossa sociedade caracteriza-se como uma sociedade terapêutica porque temos um grande anseio pelo nosso bem-estar. A saúde, em suas várias facetas, é objeto do desejo de todos nós. Queremos ter muita saúde, obviamente. Não há mal algum em querer o próprio bem-estar. Quando os judeus cumprimentam com “shalom” uns aos outros, não estão desejando tão somente paz para a outra pessoa. Pois a palavra shalom possui um significado que ultrapassa o mero sentido de paz, mas indica igualmente integridade, calma, tranquilidade, bem-estar e saúde. Esta palavra deriva-se de outra shalem que tem o significado de íntegro, completo. Ou seja, a pessoa alcança o shalom – a paz – quando esta envolve um bem estar completo no todo de sua vida, incluíndo aí sua saúde pessoal.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define: Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. Esta definição aproxima-se bastante do significado do shalom dos judeus. Vejamos ainda outras definições para saúde:

* Saúde é o total bom estado do corpo, mente sadia e integridade de emoções, que torna possível a mais alta qualidade de serviço e vida eficientes.

* Saúde é a qualidade resultante do total funcionamento do indivíduo, que o capacita a viver uma vida pessoalmente satisfatória e socialmente útil.

* Saúde é a condição na qual o indivícuo é capaz de mobilizar todos os seus recursos – intelectuais, emocionais e físicos – para uma vida excelente.

Intitulei este post desta forma porque hoje ocorre um frenesi intenso na busca de soluções para os males que nos acometem. Existem especialistas para praticamente todos os problemas que afetam nossa saúde. A palavra terapia (do grego: θεραπεία - "servir a deus") ou terapêutica significa o tratamento para uma determinada doença pela medicina tradicional, ou através de terapias complementares ou alternativas. Outra definição útil seria tratamento cuja finalidade é curar ou aliviar um estado deteriorado, para que o funcionamento normal do organismo se restabeleça.

A medicina, pela graça de Deus, avançou muito mediante as descobertas da ciência no que tange aos mecanismos que promovem a doença no ser humano. Organismos microscópicos causadores de doenças foram e ainda são exaustivamente estudados para que se encontre o remédio eficaz que combata seus malefícios que possam produzir em cada um de nós. Substâncias causadoras de enfermidades são estudadas a fundo bem como aquelas que possuem propriedades que ajudam na cura ou curam completamente o indivíduo.

Tudo isto é muito bom. Mas não o suficiente. Porque, a ênfase que é colocada hoje na medicina, nos tratamentos, na busca tão somente do bem-estar em todos os aspectos, mascara o que realmente ocorre com o ser humano, sua doença básica, crônica, o pecado. Procura-se a cura de todas as doenças em nível físico ou até psíquico, mas se esquece ou se ignora que a causa das doenças na raça humana decorre de sua Queda no Éden. Quando Adão caiu, juntamente com Eva, sua desobediência permitiu que a partir de então, o enfraquecimento físico, as doenças, o envelhecimento e a morte fizessem parte de nossa constituição, quando Deus não havia planejado isso tudo para nós.

Adão e Eva saíram das mãos criadoras e benfazejas de Deus de forma perfeita, já adultos e gozando de plena saúde. Imagino com que maestria e perfeição o Senhor Deus os formou. Nem sombra de algum defeito físico, psíquico ou espiritual. A integralidade plena de saúde de que eram possuidores era um dom de Deus. Mas a Queda a tudo isso afetou e o primeiro casal legou aos seus descendentes, todo um espectro sombrio de doenças e finalmente a morte. Os microorganismos causadores de doenças hoje estão em plena atividade. Na época áurea do Éden, estavam sob controle, não causavam nenhum mal ao ser humano. Mas hoje, somado aos fatores do enfraquecimento do corpo humano e de substâncias outras que podem lhe fazer mal, temos um quadro que cria muitas dificuldades na existência humana.

Este mundo está envelhecido, doente e enfraquecido pelo pecado. Adão e Eva gozavam de saúde perfeita antes da Queda por causa de sua comunhão plena com o Senhor Deus que os criara. E essa é a questão central. Primordial. Comunhão com Deus pressupõe saúde. Saúde, em primeiro lugar, espiritual. Esse aspecto de nossa saúde vêm em primeiro lugar.

Jesus Cristo em seu ministério terreno curou muitos enfermos. A Palavra de Deus diz assim: “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”; “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Mt 9.35; At 10.38).

A obra redentora de Jesus Cristo, abrangeu a plena restauração da saúde humana. Porém, ainda por estarmos em um mundo ímpio, amaldiçoado pelo pecado e sob influência de Satanás, não entramos ainda na plenitude dessa saúde total. Deus ainda hoje cura os enfermos, assim como na época do glorioso ministério terreno do Senhor Jesus. Em grande medida, hoje deparamos com muitas pessoas afetadas em sua saúde emocional. Nunca como hoje a psiquê humana foi devassada através de estudos e pesquisas para se descobrir a cura emocional. Terapias psicológicas existem aos montes. Mas devemos compreender que a Psicologia não pode continuar a determinar a conduta e o significado da vida humana. Esse desvio da Bíblia, da Palavra de Deus, outrora determinante dos valores da sociedade e que apresentava e ainda apresenta o ser humano como verdadeiramente ele é – criado à imagem e semelhança de Deus, portanto, possui algo de elevado e maravilhoso em si, mas ao mesmo tempo, caído em delitos e pecados, e assim, possuindo uma outra faceta de sombria decadência – isto deve ser altamente considerado por todos nós que procuramos respostas aos nossos males longe do poder, do amor e da sabedoria do Senhor.

Uma famosa cantora brasileira dizia em uma de suas canções: “Quero mais saúde/Me cansei de escutar opiniões/De como ter um mundo melhor”. As pessoas continuam de fato a querer mais saúde. Ela é um dom de Deus. Uma dádiva de nosso Criador. E Ele quer amplamente nos dar esta saúde a exemplo do significado pleno da saudação hebraica shalom. Mas não nos esqueçamos que, acima de tudo, o Senhor quer nos dar a SAÚDE ESPIRITUAL. Esta vem em primeiro lugar, ela é a base para que tenhamos saúde plena em nosso físico e em nosso emocional.

Não estejamos iludidos quanto ao que Jesus Cristo através de Sua obra redentora na cruz do Calvário pode fazer. A restauração plena de nossa relação com Deus Pai por meio d’Ele, Cristo. Somente assim teremos para nós a VERDADEIRA TERAPIA. E esta é a cura de nossa alienação de nosso Pai celestial que anseia restabelecer a comunhão conosco.

A graça de Deus por meio de Cristo quer fazer esta obra gloriosa em mim e em você. E por conseguinte, estender esta cura substancial ao todo da criação, afetada como o homem também pelo pecado (Rm 8.19-23).

Esta é de fato uma sociedade terapêutica. Procura ela de todas as formas e por todos os meios a cura das mazelas do ser humano. Existe algo de mal nisso? Não, pois a Bíbia diz que toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do Senhor (Tg 1.17). A saúde é algo bom e nisto Deus tem prazer. Mas o homem erra quando: 1) Procura a cura por meios alheios ao poder de Deus, como no caso das operações mediúnicas ou simpatias e benzimentos, por exemplo; 2) Quando procura tão somente gozar de boa saúde à parte de um relacionamento com Deus por meio de Jesus Cristo. As terapias humanas, grande maioria delas, querem gerar um bem-estar às pessoas sem que com isso haja arrependimento, confissão de pecados e conversão Àquele que morreu na cruz para nos salvar. Esta morte e consequente ressurreição de Cristo é a terapêutica divina que tratamento algum humano pode se lhe comparar, por favor, leia Atos 4.12 e Hebreus 9.11-14,26-28.

Ouçamos todos a voz de Deus: “E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor que te sara” (Êx 15.26). Ou seja, temor ao Senhor, a condição sine qua non de saúde para todos. Iras, cobiças, invejas, rancores, ansiedades, culpas, tudo isto gera doenças no ser humano. Mas o Evangelho possui cura substancial para todos estes males. Esta cura não será jamais encontrada em alguma terapia de origem humana. Poderão algumas oferecer alguma espécie de alívio temporário. Mas a cura perfeita somente por Jesus Cristo e Sua obra consumada na cruz.

De agora em diante, pare e pense sobre tudo isso.

domingo, 27 de março de 2011

Preciso de uma igreja bíblica e de um pastor bíblico

Tenho a mais absoluta convicção de que uma igreja que realmente seja acolhedora, servidora, ministradora da graça de Deus às vidas que ali aportem, deveria ser sempre aquela onde os membros pudessem se conhecer mutuamente e conviver entre si de forma constante, onde o tamanho dela não ultrapassasse essa medida, onde o perseverar na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.42) fosse pleno, onde houvesse um só o coração e alma dos que cressem em Jesus, onde ninguém pudesse dizer que coisa alguma fosse sua própria, mas onde todas as coisas lhes fossem comuns, onde não houvesse necessitado algum, havendo bens fossem generosamente repartidos se porventura houvesse algum necessitado entre os irmãos (At 4.32-35).

Creio que uma igreja que assim vivesse e assim agisse nos dias de hoje seria revolucionária porque estaria dentro do ideal concebido no Novo Testamento. A primitiva igreja de Jerusalém era assim. Mas, alertamos que não queremos idealizá-la como a igreja perfeita, sem falhas. De forma alguma. Esta igreja ensimesmou-se e foi necessário que o Senhor permitisse de que ela fosse perseguida (At 8.1) a fim de que fielmente cumprisse o mandado do Senhor de pregar o Evangelho (Mt 28.19,20; Mc 16.15-18; At 1.8) em todos os lugares e a todos os povos.

Portanto, o que gostaríamos de ressaltar é a virtude que a igreja de Jerusalém possuía como vemos tão bem descrita por Lucas no livro de Atos. Diante do afã de pastores e ministérios por crescimento, por constituírem megaigrejas apenas destacando o crescimento numérico em detrimento da qualidade da comunhão, é que escrevo estas linhas para fomentar uma necessária reflexão.

Vemos hoje que muitos pastores se destacam não por exatamente pastorearem as almas, pelo cuidado intenso do rebanho, mas por serem gerentes, administradores, CEO's de suas organizações eclesiásticas. E acham que estão certos. Mantém a distância do rebanho e cercam-se de inúmeros auxiliares, terceirizando sem pudores a função pastoral e contentando-se em gerir o seu império. Quero dizer, embasado nas Escrituras, de que Jesus não os chamou para isto. O paradigma do chamado pastoral encontra-se na restauração de Pedro relatada no Evangelho de João 21.15-17, onde o Jesus ressurreto conclama a Pedro por três vezes para que pastoreasse Suas ovelhas. Pedro, que negara o Senhor três vezes, agora recebe este chamado triplo para ser pastor de almas. Jesus não chamou-o para que em Jerusalém alugasse uma sala e organizasse uma entidade evangelística ou eclesiástica, arrecadasse fundos para isso, nomeasse auxiliares para a tarefa e assim ele ficaria como o gestor deste negócio. Não. Seu chamado era para cuidar de vidas.

Na sua primeira epístola cap. 5 versos 2 e 3, é o próprio Pedro quem fala: "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho." Vemos desta maneira que o apóstolo seguiu exatamente o que havia sido ordenado por Jesus e tornou-se pastor, tendo ainda deixado, sob a orientação do Espírito Santo, conselhos para todos os que se ocupassem deste mister.

Uma igreja que seja pastoreada efetivamente, e não somente administrada, gerenciada ou chefiada será uma igreja neotestamentária de fato. Ela precisa ser assim, para não ser como determinadas igrejas ou pastores de nossos dias. Aqui e ali surge a igreja-empresa. Não mais se cultiva a mutualidade entre os irmãos, não se valoriza o convívio sincero onde se possa expressar o amor a outrem e promover sua edificação. A sensibilidade para com os necessitados é praticamente nula. O ativismo é grandemente valorizado, em detrimento muitas vezes da reflexão genuinamente bíblica e prática de oração. Os cultos se transformaram em shows, onde o que vale, o que realmente interessa é a performance dos músicos, a utilização exagerada de recursos de multimídia, a repetição de slogans ou bordões sem nenhum respaldo bíblico.

Acredito que uma igreja possa ser numericamente grande, muitos membros, muitos reais seguidores de Jesus Cristo e ser devidamente pastoreada. Onde hajam líderes devidamente preparados, que pastoreiem de fato assim como o pastor principal faz. Este por sua vez, apesar do tamanho de sua congregação, cultiva o salutar hábito da visitação pastoral. Pelo menos uma vez, ele deveria ter a hombridade de visitar os irmãos pessoalmente, não terceirizando esta prática, mas ele mesmo juntamente com sua esposa deverá visitar os crentes de sua igreja.

Um pastor que ama as ovelhas, tem de estar necessariamente com elas. É muito fácil hoje o pastor de uma grande igreja desculpar-se por causa do tamanho de sua comunidade e, acomodando-se, não dedicar-se a procurar conhecer o estado de suas ovelhas (Pv 27.23) e assim também não fortalece a fraca, não cura a doente, não torna a trazer a perdida e a desgarrada (Ez 34.4). Lógico que, além de visitar, ele tem de ensinar aos seus co-pastores, pela palavra e pelo exemplo, a fazerem o mesmo. É evidente que, sendo uma grande congregação, este encargo sagrado da visitação pastoral não poderá resumir-se ao pastor principal, mas, à semelhança dos auxiliares que Moisés constituiu a conselho de seu sogro Jetro (Êx 18), deverá este encargo ser delegado aos demais pastores e líderes reconhecidos da igreja. Mas o pastor-sênior deve fazer sua parte também e não terceirizar algo que é inerente ao seu chamado. Um pastor deve estar junto de suas ovelhas. Sempre.

Há uma evasão contínua de membros de determinadas igrejas, porque não recebem o devido cuidado pastoral. Porque os pastores-gestores de hoje criam uma lacuna enorme entre si e o rebanho. Porque a igreja assim não reproduzirá aquelas virtudes maravilhosas que lemos sobre a igreja de Jerusalém. Ora, se os pastores, que deveriam dar o principal exemplo, procedem dessa maneira, não dá para esperar grande coisa de uma igreja assim. Se tudo o que o pastor deseja é somente de que a igreja cresça numericamente e não coloca o seu coração direcionado ao rebanho, em pessoalmente alimentá-lo (quando falo em alimentar, não é somente com os sermões pregados aos domingos, mas, como disse, visitando as ovelhas, procurando estar com elas pessoalmente), enfim, se ele procede de forma contrária ao que o NT preconiza claramente, estará somente alimentando uma superestrutura e fomentando recursos para seu sustento pessoal, sua própria fama e poder, sua glória pessoal.

A igreja que vai fazer a diferença nas vidas das pessoas nos dias de hoje que antecedem ao breve retorno de Jesus, é aquela que realmente coloca em prática o ensino bíblico a respeito. Que despreza os modismos que afloram constantemente e que conspiram muitos destes contra a essência de uma comunidade que têm o sagrado encargo de restaurar vidas por meio do Evangelho da graça de Deus. Certamente há uma tensão entre o tradicional e o contemporâneo. É a questão da contextualização do Evangelho. Mas devemos nos lembrar que, o critério que Deus usará para aprovar ou desaprovar o trabalho de Sua igreja, é se o ministério exercido foi de acordo com Sua vontade ou contrário a ela, ou seja se bíblico ou não-bíblico. Essa é a medida correta de aferição.

Que a igreja nos dias de hoje não seja conformada com o mundo, mas conformada com o que ensina a Bíblia. O Evangelho é glorioso demais para resumir-se a preocupações numéricas, coisas essas que muitos pastores não escondem, ou seja, por todas as formas anseiam o crescimento de seu rebanho e adotam práticas que não possuem o devido respaldo bíblico. Pessoas são aceitas como membros em determinadas igrejas, por exemplo, são batizadas sem um necessário período probatório, para que se verificasse a firmeza da fé dos mesmos. A Ceia do Senhor também está sendo ministrada em determinadas comunidades para qualquer um, quando claramente o NT demonstra que a Ceia é somente para efetivos discípulos de Jesus, o que se está fazendo é a vulgarização destas duas ordenanças de Jesus, o batismo e a ceia, para que o apelo por uma igreja cheia, lotada de pessoas mas não de discípulos verdadeiros seja cada vez mais seja atendido.

Só para recordar, estas são as tendências recorrentes nos dias em que vivemos então: megaigrejas e ausência quase total de comunhão, líderes que são tudo, menos pastores. Sem generalizar, é o que temos presenciado. Onde estarão os pastores de Deus, que amam a Jesus e amam também as ovelhas? Onde estará a igreja acolhedora, restauradora, servidora, que vive e proclama verdadeiramente o Evangelho da graça de Deus em Cristo?

Plantar igrejas verdadeiramente bíblicas. Formar pastores realmente bíblicos. Este é o desafio.

Vamos pensar urgentemente sobre isso. Que Deus nos abençoe, amém.














quinta-feira, 17 de março de 2011

Felizmente Darwin nunca teve razão

A autoridade da ciência repousa inteiramente, com toda firmeza que for possível, no fundamento dos fatos empíricos. As teorias científicas devem estar ancoradas em experimentação comprovada. Ou seja, ciência é fato. As evidências colhidas pelo cientista devem ser objeto de experimentação e assim apoiar fortemente a teoria desenvolvida. Sendo assim, não poderemos jamais afirmar que o evolucionismo seja ciência. Na verdade consiste em uma cosmovisão. Um sistema, uma filosofia que procura explicar o todo da vida humana. Não é ciência de forma alguma. Darwin nunca conseguiu demonstrar que a vida se desenvolveu por meio de forças naturais não dirigidas e irracionais. Experiências levadas a efeito com reprodução e mutação têm mostrado cabalmente de que a premissa principal de Darwin, de que os seres vivos podem variar interminavelmente, é falsa do começo ao fim.

Este domínio do darwinismo sobre todo o espectro de nossa civilização deve-se a um compromisso previamente estipulado com o naturalismo. Não existe validade científica nos pressupostos darwinianos. O darwinismo é uma cosmovisão ou uma filosofia abrangente que está diametralmente oposta ao Cristianismo. Thomas Huxley, autodenominado o “buldogue de Darwin” pois lutou bravamente pela causa evolucionista, admitiu que nunca considerara de que a teoria darwiniana tivesse muito peso científico. Rejeitou o ensino bíblico sobre a criação e procurava desde então um substituto. Encontrou então todo o aparato darwiniano, uma teoria naturalista cientificamente falha, a qual não só adotou como lançou-se arduamente em sua defesa.

O darwinismo a partir do século 19 passou a ser aceito plenamente pelo establishment científico não tanto por suprir evidência científica em seu favor, mas por prover base lógica para o naturalismo. Em nossos dias, o geneticista Richard Lewontin da Universidade de Harvard, em artigo onde defende a superioridade da ciência sobre a religião ou o sobrenatural disse que na luta travada entre estas duas áreas, ele fica com a ciência em virtude de já possuir um compromisso prévio com o materialismo. Portanto, a hostilidade devotada à religião pelos cientistas, não se deve aos fatos, mas à filosofia materialista.

Nem sequer poderemos, diante disso, admitir as credenciais de alguém que, dizendo-se “cientista” nega taxativamente os fatos esmagadores a favor do relato bíblico sobre a Criação. A verdade de que Deus criou todas as coisas do nada (Hb 11.3). A verdade de que o homem é criação especial de Deus e de que há um abismo mui evidente entre os seres humanos e o restante da criação devido a esta criação especial. Quando a Bíblia em Gênesis 1.26 ressalta de que nós fomos criados à imagem e à semelhança de nosso Criador, deixa muitíssimo evidenciado o fato de que somos muito superiores aos demais seres criados pelo mesmo Senhor e Soberano Criador.

O grande teólogo do século 19 Charles Hodge, da Universidade de Princeton, escreveu um ensaio refutando o darwinismo. Ele disse: “A seleção natural é feita por leis naturais, operando sem intenção ou desígnio. Ora, a negação de projeto na natureza é, praticamente, a negação de Deus.” Hodge afirmou então de forma bem clara de que o darwinismo equivale ao ateísmo. E não poderia ser de outra maneira, pois o darwinismo pretende ser a alternativa contrária ao criacionismo bíblico. Bem declarado está na Bíblia de que Deus criou cada ser vivo para reproduzir-se segundo sua espécie (Gn 1.11,12,21,24,25). Darwin sugeriu de que mudanças haveriam de se acumular por milhares de anos até que um peixe se transformasse num anfíbio, um anfíbio num réptil e este por sua vez se tornasse um mamífero. Argumentam os darwinistas que a microevolução dentro dos tipos (exemplo, as várias raças de cães que existem) provaria a ocorrência da macroevolução (ou seja, a mudança de um réptil para um mamífero, por exemplo). Experimentos em laboratório e de reprodução controlada bem como a pesquisa de fósseis declaram de forma peremptória de que NÃO existe evidência científica que prove de que as espécies animais evoluíram de umas para outras no decorrer de milhares ou milhões de anos de evolução! Isto é uma completa fantasia, um mito. E um mito travestido de ciência, o que é pior.

O todo da criação demonstra evidentes sinais de desígnio e propósito. As recentes observações da ciência moderna não levam em direção ao evolucionismo ou darwinismo, mas sim em direção ao criacionismo bíblico. Geisler e Turek no excelente livro Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (Editora Vida), declaram que o debate não está entre criação e evolução ou entre religião e ciência ou sobre a Bíblia contra a ciência, mas sim entre ciência boa e ciência ruim. Os autores afirmam ainda que ciência é uma busca sobre as causas. E que existem somente duas causas, a inteligente (divina) e a não-inteligente (natural).

Diante do que nossos sentidos contemplam nessa imensidão da criação de Deus, sobre a terra, nos mares ou no vastíssimo universo, poderíamos em sã consciência dizer que tudo isso surgiu por acaso, de que um encontro fortuito de elementos químicos ocorreu há bilhões de anos e assim surgiu o universo, depois o planeta Terra e ainda na sequência de milhões de anos, a vida como a conhecemos? Colson e Pearcey escrevem: “A ideia da criação não é mais tão somente uma questão de fé religiosa; é uma conclusão baseada na mais honesta leitura da evidência científica” (E Agora Como Viveremos, CPAD).

Charles Darwin não tinha razão. Seus pressupostos não se coadunam com o que é demonstrado ao pesquisador, ao cientista quando ele honestamente analisa as evidências por toda criação que indicam que há um Projetista, há um Regente, há um Criador por detrás de tudo. Somente o relato da Criação em Gênesis nos dá o fundamento seguro sobre o qual se edifica a verdadeira ciência. O relato da Criação diz quem somos, porque estamos aqui e como devemos efetivamente tratar-nos uns aos outros. O Cristianismo como uma cosmovisão completa, é realisticamente objetivo e satisfará plenamente a todo aquele que sinceramente procurar por respostas.

A razão está ao lado do Cristianismo. Felizmente, Darwin nunca teve razão. Seu sistema ou filosofia das origens é impessoal. É inteiramente guiado pelo acaso no que tange ao surgimento da vida. Não reserva espaço algum para o Senhor Deus, O qual, por meio de Jesus Cristo anseia entrar em um relacionamento vivo e pessoal conosco.

Pense nisso.

terça-feira, 15 de março de 2011

Japão: a onda de radiatividade é pior que a onda do tsunami

A perplexidade se abateu sobre o mundo inteiro nesta última semana devido ao terremoto de grande magnitude que abalou o Japão, mas principalmente pela devastação causada pelo maremoto – o tsunami – que ocorreu como consequência do sismo que teve seu epicentro a 24 km de profundidade no leito do Oceano Pacífico, próximo à costa japonesa.

As ondas do tsunami viajaram a 700 km por hora, equivalente à velocidade de um jato comercial, e chegando à costa diminuíram a velocidade mas produziram enormes ondas que alcançaram até 10 metros de altura. Várias cidades na costa ocidental norte do país foram atingidas com as águas chegando a até 12 km terra adentro. A destruição foi grande. Muitas pessoas morreram sem ter tido o tempo necessário para postarem-se em lugares mais elevados.

Entretanto, o abalo do terremoto produziu um outro efeito colateral além do tsunami que reputo como de piores consequências. Refiro-me à usina nuclear de Fukushima que sofreu explosões causadas pelo terremoto. Estas explosões produziram o risco de vazamento de radiação atômica que se de fato ocorrer, causará uma devastação na população muito maior do que a produzida pelo tsunami. Com o agravante de seus efeitos permanecerem por um longo período.

O Japão utiliza a fissão nuclear para produção de energia elétrica. Não produz carvão, petróleo e nem possui rios com potencial hidrelétrico. O país não possui espaço suficiente para instalar grandes painéis fotovoltaicos e assim captar energia solar em larga escala. Por isso, já em 1996, de toda a eletricidade produzida no país, 30% vinha da energia produzida por suas usinas nucleares em operação.

Sabe-se que dois terços da energia consumida no mundo são obtidas de fontes fósseis: carvão, petróleo e gás natural. Como não são fontes renováveis, embora novas reservas continuem a ser descobertas, é evidente que devemos entender que essas fontes estejam com seus dias contados. Grande parte da eletricidade mundial é gerada por usinas termelétricas a carvão que lançam dióxido de carbono, mercúrio e enxofre no ar. Altamente poluentes, portanto.

Os reatores de fissão nuclear produzem energia elétrica abundante e não emitem poluentes como as usinas termelétricas. Todavia, são questionados pela produção de resíduos radiativos, material este que exige depósitos especiais para serem estocados. E também, e é o que está ameaçando ocorrer após este último terremoto, está o perigo de vazamento radiativo das usinas. Todos conservam a sinistra lembrança do acidente ocorrido em Chernobyl na antiga União Soviética em 1986, quando o reator explodiu e um grande vazamento ocorreu, uma imensa nuvem radiativa contaminou pessoas, animais e o meio ambiente em uma área de grande extensão. Este vazamento teve 400 vezes mais radiação do que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima em 1945.

Neste exato instante a usina de Fukushima corre o risco de liberar a letal radiatividade que pode matar muitas pessoas a curto, médio e longo prazo. A radiação provoca dois tipos de danos ao corpo humano: destruição das células com o calor e a ionização e fragmentação das células. O calor emitido pela radiação é muito mais forte do que a exposição prolongada ao sol queimando assim muito mais intensamente a pele. Esta fica totalmente danificada pois as células não resistem ao calor emitido pela reação. O outro efeito, a ionização e fragmentação celular originam problemas de mutação genética durante a gestação de fetos que nascem de forma prematura ou que nascem após os nove meses com graves problemas de má formação.

Por isso é que não se pode comparar a destruição promovida pelas ondas do mar, pelo tsunami, com a destruição muito mais letal das ondas de radiatividade. Esta é levada pelos ventos e espalha-se por regiões povoadas. Também, a exemplo do que ocorreu em Chernobyl, animais e o meio ambiente no Japão ficarão completamente afetados pela nuvem radiativa.

Este é portanto, amigos, em rápidas palavras, o quadro que se está desenhando hoje. Se as autoridades japonesas não puderem conter o vazamento radiativo, causará uma enorme mortandade na população. O Japão já está estigmatizado como o único país do mundo até o presente momento a sofrer um ataque nuclear, na verdade dois ataques, Hiroshima e Nagasaki, cidades que foram atingidas pelas bombas atômicas lançadas em 1945, forçando assim sua rendição diante dos Estados Unidos e seus aliados.

Jesus disse assim em relação aos tempos que antecederiam seu retorno: “E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu” (Lc 21.11). Cremos que esta palavra abrange precisamente o que está acontecendo hoje no mundo e particularmente o que ocorre no Japão, ou seja, terremotos e coisas espantosas e grandes sinais do céu, pois a radiação nuclear precisamente poderá se abater sobre as pessoas através dos ares, levada pelos ventos.

Sabemos que a Palavra de Deus cumpre-se a cada dia diante de nossos olhos. Que esta tragédia que se abateu sobre o povo japonês possa levá-los para mais perto do Senhor. Uma ínfima parcela da grandiosa população japonesa constitui-se de cristãos. A maioria da população nipônica é de budistas ou shintoístas. É alto o índice de suicídios neste país, muitos não suportam as exigências oriundas de uma cultura que hipervaloriza o ganho material, a posição de destaque na sociedade e para isso entregam-se a muitas horas de estudos e a jornadas de trabalho extenuantes. São secularizados, prósperos e muitos acham que Deus é irrelevante em suas vidas.

Creio que muitos dentre os japoneses ainda haverão de conhecer o Deus vivo, aquele que criou a terra, o céu, o mar e tudo o que há neles e que detém o controle absoluto sobre os elementos do clima. O Senhor tem propósitos superiores para todos os povos do mundo e certamente Ele está trabalhando para trazer o povo japonês para junto de Si.

Oremos pelo país do sol nascente e possamos pensar e meditar muito bem sobre tudo o que está acontecendo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A internet e sua utilidade diabólica nos tempos do fim

A força da internet está na descentralização: milhões de computadores em todo os lugares do mundo armazenando todo o conteúdo da rede, a chamada computação em nuvem. Significa que as informações que circulam na web como por exemplo fotos no Flickr, mensagens do Gmail, citando apenas dois grandes exemplos, ficam guardadas em computadores-servidores em lugares ao redor do mundo com milhares dessas máquinas que armazenam o que antes estaria no disco rígido do usuário.

Projeções sombrias de ataques virtuais de hackers, ou mesmo de terroristas reais às centrais de servidores do Google, por exemplo, causariam um inimaginável caos. Faça um assustador exercício de imaginação se de uma hora para outra, hackers conseguissem introduzir um vírus extremamente poderoso na rede e de difícil detecção, que fosse praticamente indestrutível. Como sabemos, em poucas horas, se não for detectado e neutralizado, poderá infectar milhares ou até milhões de máquinas. Tanto podem os hackers criar programas para causar uma situação caótica na rede, como pode ser um vírus que destrua, que apague de forma definitiva todas as informações que você e eu possamos ter nos servidores do Google ou quem sabe até o que está em nosso próprio hd.

Sendo o caso de um ataque terrorista, deverão estes descobrir onde se situam as instalações dos servidores ao redor do mundo e cometer uma ação direta, não virtual, mas sim, física. Todavia, teriam de ter uma logística muito bem elaborada pois as instalações que guardam os computadores-servidores são incontáveis, além se estarem em lugares anônimos e bem vigiados.

Voltemos então ao provável ataque dos hackers. Esta seria a alternativa mais adequada, e porque não dizer, a mais letal. Será mesmo? Em post que publiquei em 15/08/09 O Google e o controle total http://observateologia.blogspot.com/2009/08/o-google-e-o-controle-total.html argumentei sobre a questão das informações que constam nos servidores do Google caírem em mãos erradas. Essa alternativa consiste em maior potencial de letalidade para os seres humanos do que qualquer outra. Além do que, a palavra profética na Bíblia declara sobre os acontecimentos finais neste mundo e a ascenção da besta do Apocalipse, o Anticristo (Ap 13). Por causa desta palavra profética e do anseio de Satanás, por meio da besta de obter domínio total da humanidade, não faz sentido pensar em um evento catastrófico onde hackers conseguirão por meio de programas maléficos destruir informações ou tornar caóticas as operações na web. Acredito que a rede mundial de computadores será ainda mais aperfeiçoada em seu uso e muito eficiente em sua segurança contra estes elementos nocivos.

Que governo não gostaria de ter o poder absoluto em suas mãos? O poder de vida e morte sobre todos os cidadãos? Cremos de acordo com a Palavra de Deus de que no tempo certo, o Anticristo controlará a rede mundial de computadores. Ele terá um poder concentrado em suas mãos porque todas as informações constantes na internet sobre qualquer usuário (e até mesmo de quem não é um internauta típico) estarão à sua disposição. O domíno e a tirania do governo mundial anticristão serão uma cruel realidade e sem dúvida alguma a world wide web será uma de suas principais ferramentas para este sinistro propósito. De fato, ele terá o domínio dos habitantes da terra (Ap 13.8) que o adorarão e serão submetidos ao seu cruel e satânico governo.

A internet foi feita para sobreviver aos efeitos de uma provável guerra nuclear entre as duas grandes superpotências do final dos anos 60, os Estados Unidos e a antiga União Soviética. Caso a URSS atacasse os pontos vitais dos EUA como o Pentágono e a Casa Branca por exemplo, continuaria a rede de computadores do governo a funcionar normalmente pois as máquinas que controlavam o arsenal americano estariam espalhadas pelo país inteiro e se somente a capital, Washington, fosse alvo de um ataque nuclear russo, o sistema continuaria a funcionar e os EUA poderiam retaliar o ataque de seus inimigos com eficiência. Os russos não poderiam destruir a rede americana pois esta consistia de centenas de estações de comando. Uma tarefa impossível.

Após esta época, a rede ganhou o mundo e continuou a desfrutar de um status de indestrutível. Não existe um dono da internet no mundo. Não existe um país ou governo que comande a web. Cada computador que há no planeta tem acesso à rede toda e o conteúdo desta rede está espalhado por milhões de máquinas no mundo todo. Assim como era no sistema original norte-americano que lhe deu origem.

Mas esta ferramenta formidável, este arsenal de informações privilegiadas, cairá nas mãos do homem do pecado, do iníquo (2Ts 2.3,8). Realmente, as pessoas que estarão sobre a face da terra nesta época, não poderão escapar aos olhos vigilantes e impiedosos do Anticristo, porque não só pela web mas utilizando toda a tecnologia disponível, ele logrará sucesso em dominar a tudo e a todos.

Isto não é enredo de filme de ficção científica. É a pura verdade da Palavra de Deus. Atingirá a todos no mundo inteiro. As pessoas se iludirão sobre o caráter do Anticristo, que a princípio apresentar-se-á como aquele que trará a solução de todos os problemas mundiais. Mas ao mesmo tempo, ele estará estendendo seus tentáculos mortíferos para escravizar as pessoas e levá-las a adorá-lo como ao próprio Senhor Deus, que aliás será escarnecido, zombado e desacreditado como nunca antes (Dn 7.25; 11.36). Encobertamente a princípio mas de forma totalmente escancarada na parte final de seu governo (3 anos e meio ou 42 meses, Ap 13.5, também, Dn 7.25b: “um tempo, e tempos, e a metade de um tempo”), ele revelará sua verdadeira e grotesca face. Será um tempo de horror sobre todos os que habitarão sobre a terra.

Esta é uma palavra de reflexão, para todos nós que somos usuários da world wide web.

Pense nisso……

quarta-feira, 9 de março de 2011

E tudo volta ao normal....será mesmo?


Está terminando o período de folia. Os ganhadores dos desfiles de escolas de samba estarão sendo divulgados. A enorme quantidade de lixo produzida estará sendo trabalhada pelos garis. As pessoas, amantes dos festejos de Momo, começarão a despertar do anestesiamento coletivo desses vários dias e em diversas regiões de nosso país. Até mesmo o Congresso Nacional, quem diria, voltará à regularidade de suas sessões. Para muitos, o ano de 2011 começará a partir de agora. Espera-se a "normalidade" em nosso cotidiano com todos nós "correndo atrás" do sustento de cada dia.

Mas, será que tudo realmente volta ao normal mesmo? Porventura deixarão de existir as mazelas as quais todos os dias vemos de forma vergonhosa, por exemplo, na área da saúde com filas enormes nos atendimentos hospitalares, com ausência de médicos especialistas, acaso deixarão de existir os problemas de violência em nossas cidades, os furtos, arrombamentos, latrocínios, sequestros, extorsões, tráfico de drogas? A corrupção policial haverá de ter sido sanada, não haverão mais policiais corruptos que se configuram, por causa de sua posição diante da sociedade, como bandidos de pior espécie do aqueles dos quais aceitam o suborno?

Será que nossas estradas em todo o país serão rodovias de primeira qualidade como nos países desenvolvidos? A buraqueira, a má conservação e a sinalização deficiente deixarão de existir? Motoristas irresponsáveis, bêbados, imprudentes, maus condutores, não existirão mais? Poderemos enfim ter a felicidade de dizer que passou um final de semana, por exemplo, sem o registro de acidentes pelos motivos apresentados acima?

As obras necessárias em nossas cidades para conter o flagelo das enchentes, já terão sido efetivamente completadas? Teremos cidades praticamente "à prova" de enchentes e deslizamentos em virtude de obras eficientes de engenharia levadas a efeito? Os moradores de áreas de risco já estarão de posse de novas e funcionais moradias, deixando para trás os perigos de morarem em tais regiões?

Nossa distribuição de renda, estará enfim sendo feita de maneira equânime? O abismo entre os mais pobres e os mais ricos terá sido soterrado enfim? Os empregos para todos e bem remunerados, proporcionando condições satisfatórias de vida e desenvolvimento de uma família estarão disponíveis? Todos terão acesso irrestrito aos cursos técnicos e superiores, sem temerem o pagamento de mensalidades absurdas?

Infelizmente não podemos nos deixar enredar por utopias. Sim, utopias porque a complexidade dos problemas que nos atingem e eu descrevi apenas alguns, é profunda e para muitos não há soluções de curto prazo. Estão de tal forma amalgamados em nosso viver que parece realmente de que já nos acostumamos com muitos deles. O brasileiro na época do Carnaval abdica da crueza dessa realidade que o circunda e entrega-se à folia para fazer sossegar muitas vezes o desânimo ou angústia que lhe preenche as entranhas ou muitas vezes o puro desespero diante de situações que se lhe configuram insolúveis.

É por isso que o Evangelho é maravilhoso. Maravilhoso porque na própria definição do termo grego euangelion "boas-novas" podemos nos apegar com firmeza. Porque estas boas novas, boas notícias, notícias alvissareiras, comunicam a magnitude de Deus em nos procurar em nossa condição de pecadores propondo reconciliação conosco. Isto se deu historicamente com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo (1 Co 15.3,4). Olhando ao redor de si, o ser humano não encontrará nada que possa retirá-lo dessa condição desesperadora de pecador. Todavia, ao olhar para o Calvário, ali encontrará a salvação de sua presente condição neste mundo, ali na cruz encontrará o alento e a verdadeira alegria em meio às cruezas desta vida, coisas estas que a festa do Rei Momo concede ilusoriamente por alguns dias. Passados os efeitos da folia, muitas vezes, a pessoa encontrar-se-á em uma condição de alma pior do que antes.

Gosto por demais desta passagem do profeta Isaías: "E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido" (35.10). Esta passagem fala de uma alegria que nunca passará. Fala de uma alegria perene. Após a alegria haver alcançado aqueles bem-aventurados, a tristeza e o gemido não mais conseguirão alcançá-los. Ora, isto é muito glorioso. Porque, quem pode dizer que nesta vida nunca tenha tido momentos de tristeza, de choro ou de dor?

Mas aqueles que entregam suas vidas a Jesus Cristo poderão alcançar este estado de bem aventurança. Ainda nesta vida, terão alegria, terão paz, terão descanso de alma, mesmo em meio às intempéries que lhe possam acometer. E no porvir, tudo que receberam nesta vida como antecipação, receberão de forma permanente. A vida eterna, este é o ápice da mensagem do Evangelho.

Se você está aí remoendo a desesperança após o término da folia momesca, aceite o convite que Deus lhe faz por meio do Evangelho. Tenha certeza que a alegria fátua que você obteve nestes curtos dias não se poderá nunca comparar com o que o Senhor reservou para você.

Por favor, pense nisso!


segunda-feira, 7 de março de 2011

A Líbia do petróleo e de Muammar Khadafi


A Líbia é a bola da vez nos noticiários sobre as revoltas no mundo árabe. Governada (!) desde 1 de setembro de 1969 pelo escroque Muammar al-Khadafi, é uma grande produtora de petróleo sendo que este produto representa 95% das exportações do país. O seu território têm o tamanho equivalente ao estado do Amazonas, 93% desértico e possui uma população de 6,4 milhões de pessoas, a maioria concentrando-se na orla do Mediterrâneo.

Com uma história antiga de ocupação de seu território por vários povos principalmente de origem árabe, a Líbia recebeu o seu nome de colonos gregos no segundo século antes de Cristo. Independente desde 1951, o país foi governado pelo rei Idris I, até ser deposto pelo coronel Muammar Khadafi.

Assumindo o poder, torna-se um ditador com poderes absolutos. Instalado no poder declara ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar. Ordena a retirada de americanos e ingleses de bases militares, expulsa os judeus e faz com que as mulheres participem de forma decisiva na sociedade. Manda fechar danceterias, bordéis e bares instalados pelos americanos e faz com que toda a Líbia respeite os preceitos morais do Islã. Também proíbe a exportação de petróleo para os Estados Unidos e confisca propriedades internacionais.

O que realmente lançou o nome de Muammar Khadafi entre os governantes internacionais de má reputação, a partir dos anos 70 foi seu apoio tácito a grupos terroristas. Teve ligação direta contra o atentado aos atletas de Israel em Munique durante os Jogos Olímpicos de 1972. Khadafi patrocinou e deu cobertura ao grupo terrorista conhecido como Setembro Negro. Também em 1988 cometeu outra sandice ao patrocinar os terroristas que explodiram um avião de passageiros em Lockerbie na Escócia onde foram mortas 270 pessoas.

Portanto, a figura em destaque é realmente um criminoso internacional dentre os piores que já existiram. Com o dinheiro do petróleo, financiou golpes de estado em outros países africanos e também atentados terroristas além do atentado de Lockerbie. Este currículo de Khadafi contribui para que ele seja persona non grata em muitos países. Com a revolução dos povos acontecendo no mundo árabe, era de se esperar que o povo líbio também aproveitasse a ocasião para apear o tirano de seu poder. Vaidoso, usa várias túnicas multicoloridas e exibe uniformes militares cheios de medalhas com que se auto condecorou. Sujeito excêntrico, que se rodeia de mulheres em sua guarda pessoal e também nutre preferência por enfermeiras de origem ucraniana.

Agora ele sofre com a oposição que já está dominando a região leste do território líbio. Khadafi argumenta que isto é obra da Al Qaeda que está se aproveitando da situação reinante na Tunísia e no Egito. Afirmou que eles, os líbios, participaram na luta contra o terrorismo. Todavia, a comunidade internacional e principalmente o povo líbio, sabe muito bem qual o caráter deste tirano que utilizou-se de mercenários para que atirassem contra os revoltosos, ou seja, seu próprio povo. Isto é bem característico de todos os tiranos e ditadores que não medem esforços e nem usam de escrúpulos para perpetuarem-se no poder a qualquer custo.

De certa forma pode-se dizer que Muammar Khadafi procurou amenizar as opiniões contrárias do mundo e principalmente do EUA contra seu regime ao aceitar receber prisioneiros da CIA para interrogatório ou fornecendo pistas sobre grupos islâmicos no norte da África. De certa forma Khadafi fala a verdade sobre as ações da Al Qaeda porque as forças americanas no Iraque descobriram em 2007 um esconderijo da rede terrorista onde encontraram documentos com dados sobre militantes recrutados entre os líbios.

Mas a história mostra que todos os ditadores e exploradores de seu próprio povo serão objeto em uma hora ou outra da fúria dos cidadãos ou de seus aliados. Com Khadafi já está ocorrendo isso, inclusive há muitos desertores em suas forças armadas. Este contigente engrossa cada vez mais os opositores que lutam para que o ditador líbio seja efetivamente derrubado.

E quanto à presença do Cristianismo entre o povo líbio? O Evangelho possui raízes antigas no território líbio. Todavia a evangelização inicial ali careceu de maior força e profundidade e juntamente com o cisma donatista, permitiu infelizmente o avanço islâmico no século VII. Hoje, por ser um regime islâmico e ditatorial, os cristãos ali existentes estavam contados a maioria entre os estrangeiros que ali trabalhavam e que agora com a guerra civil reinante, estão se retirando do país. Não é permitida a pregação do Evangelho bem como nenhuma forma de trabalho missionário. O povo líbio consta como um dos povos não-alcançados pela mensagem cristã.

Como mencionei em relação à situação no Egito em postagem anterior http://observateologia.blogspot.com/2011/02/o-que-esta-acontecendo-no- egito.html da mesma maneira creio que a crise que atinge a nação líbia é permitida por Deus a fim de que aberturas para a pregação da fé cristã ocorram de alguma forma. A mobilização de igrejas, missionários ou de agências missionárias nesta hora crucial é deveras importante.

O povo líbio à semelhança do egípcio também clama pela libertação do jugo opressor do tirano. Mas acima de tudo, a verdadeira libertação é do jugo de opressão do tirano espiritual, Satanás, que os mantém presos às falsas esperanças do Islamismo. Deus ama os líbios e deseja alcançá-los com Seu inigualável amor. A Igreja de Cristo precisa mobilizar-se e estar atenta ao que acontecerá no país.

Desde já oremos pela situação do país e pelo envio de missionários, que haja um movimento favorável quanto a isso. Oremos para que muitos dentre os que estarão revestidos de autoridade no provável novo governo líbio que surgirá, sejam alcançados com as boas-novas do Evangelho genuíno de Cristo.

Que todos nós que consideramos a Grande Comissão de Jesus Cristo pensemos sobre isso.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A Igreja em sua missão profética


Entendemos pelas páginas do NT de que a Igreja de Jesus Cristo sobre a terra está imbuída de uma missão. Esta missão refere-se ao anúncio do Evangelho em sua plenitude. A Grande Comissão conforme preconiza Cristo (Mt 28; Mc 16; At 1.8) requer esforço e consciência de que o que se está fazendo nada mais é que uma missão de caráter profético.

Qualquer cristão individualmente, ou incluso em uma comunidade cristã, exerce esta missão profética pelo poder do Espírito Santo (At 8.25-40; 13.1-3). A proclamação das boas-novas sinaliza firmemente para a humanidade de que Deus em Cristo está reconciliando com Si mesmo o mundo (2 Co 5.19). Somos os embaixadores do Senhor Jesus (2 Co 5.20) de tal forma que representamos sim, neste mundo, os interesses de um Reino que jamais passará (Dn 7.14). Profeticamente, a comunidade dos seguidores de Jesus Cristo em todo o mundo marca presença de forma insofismável e inconfundível, sinalizando o Reino de Deus entre os homens.

É nosso dever contínuo viver nesta dimensão profética a fim de que muitos possam conhecer a Jesus. Ele mesmo disse, como encontramos magistralmente registrado no Evangelho de João de que é o caminho, a verdade e a vida (14.6). Disse igualmente que Ele é o pão da vida (6.35), a luz do mundo (8.12). Disse também de que Ele é a porta das ovelhas e de que é o bom Pastor (10.7-9;14) e finalmente, de que Ele é a ressurreição e a vida (11.25).

Portanto, nada menos do que isso temos na Pessoa bendita de nosso Salvador. Quando a Igreja anuncia-Lhe de forma correta e integral, o Nome de Deus é glorificado e Lhe agradamos pela disposição, pela voluntariedade e pelo amor em Lhe proclamar. A missão da Igreja no mundo de fato adquire um caráter profético, porque ela anuncia a mensagem de seu Senhor de forma integral e incorrupta. Infelizmente, muitos dos que se dizem cristãos, muitas comunidades que levam sobre si este Nome, anunciam de forma parcializada ou deformada o Evangelho. Não cumprem um ministério profético como deveria ser. Mas ainda assim, devemos levar em apreço as palavras do apóstolo Paulo, escrevendo ao crentes em Filipos, onde ele menciona os que anunciavam a Cristo por inveja e discórdia, no intuito de aumentar o sofrimento de Paulo, posto que encontrava-se preso. Para Paulo, o que importava era que o Nome de Cristo estava sendo pregado, muito embora alguns o fizessem com motivações outras que não fosse o legítimo amor ao Evangelho (Fp 1.15-18).

Mas a marca da verdadeira igreja, da verdadeira comunidade dos seguidores de Cristo Jesus é justamente a anunciação plena e profética da mensagem e dos conteúdos do Evangelho. A Igreja não está posta no mundo para envolver-se em conchavos políticos. A Igreja não foi constituída para envolver-se em causas outras, sejam de que espécie for a não ser pela causa única e singular do Evangelho. Se a Igreja envolver-se com outras coisas, ela perderá seu chamado profético. Se os cristãos de per si quiserem outros envolvimentos de forma prioritária neste mundo presente, deixarão de ser sal e luz no mundo como Jesus disse que todos seriam (Mt 5.13-16).

A Igreja em sua missão profética. Tema para estudarmos inúmeras vezes. Tema para nos levar a uma práxis que verdadeiramente demonstre a presença do Reino de Deus entre os homens (Lc 17.21).

Cremos firmemente de que se o Evangelho for anunciado com um caráter eminentemente profético, sinalizando verdadeiramente de que Deus tornou-se homem em Cristo e de que este morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia (1 Co 15.3,4) tudo isto segundo as Escrituras, muitos haverão de conhecer ao Senhor Jesus pela forma adequada da proclamação feita. Considera-se também o caráter profético da missão da Igreja de Cristo por causa da natureza da contracultura cristã. A ética do Reino de Deus em franca oposição à ética secular.

No AT o profeta era a pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Deus e em lugar de Deus. Sua função singular era de proclamar os oráculos divinos. Quem poderia ser profeta? Qualquer pessoa, desde que tivesse uma chamada divina específica. Por isso indagamos: Acaso não é exatamente assim que Deus determinou que a Igreja procedesse? Não está a Igreja do Senhor vocacionada e autorizada para falar os oráculos divinos? Porventura não possui a Igreja de Jesus Cristo uma chamada específica para ser a única e definitiva porta-voz do Senhor neste mundo?

É tempo de pensarmos nisto.